Quatro candidatos participaram do encontro “A Indústria na Agenda dos Candidatos ao Governo do Estado do Amazonas”, promovido nesta segunda-feira (14) pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). O evento reuniu representantes do setor produtivo e colocou no centro do debate temas como a Zona Franca de Manaus (ZFM), reforma tributária, competitividade, logística, qualificação profissional, geração de empregos e diversificação da economia.
Participaram do encontro David Almeida (Avante), Omar Aziz (PSD), Roberto Cidade (União) e Professora Maria do Carmo (PL), que apresentaram propostas e posições para o desenvolvimento da indústria amazonense.
Na abertura, o presidente da Fieam, Antônio Silva, destacou a importância da aproximação entre o setor produtivo e os candidatos que disputarão o Governo do Estado. Segundo ele, a indústria tem contribuído para o desenvolvimento econômico do Amazonas e precisa manter a competitividade para continuar gerando empregos e investimentos.
“Esta é uma oportunidade única e muito importante para ampliarmos e aprofundarmos o nosso debate, as nossas demandas e discutir os caminhos que temos para o futuro”, afirmou.
Antônio Silva também defendeu a união entre setor produtivo, classe política e bancada parlamentar em torno da defesa da economia amazonense, especialmente da indústria e do modelo Zona Franca de Manaus.
O presidente do Cieam, Luiz Augusto Barreto Rocha, chamou atenção para os desafios que virão com a transição da reforma tributária. Para ele, a aprovação das regras que preservam a competitividade da Zona Franca foi resultado da mobilização das entidades empresariais e da atuação da bancada do Amazonas no Congresso Nacional, mas a disputa ainda não terminou.
“A reforma tributária exigirá uma articulação política ainda mais firme e forte”, afirmou.
Luiz Augusto defendeu a criação de um acompanhamento permanente da transição tributária e destacou que o Amazonas precisará manter uma interlocução próxima entre governo, bancada federal, Suframa e setor produtivo. Também apontou a necessidade de enfrentar a concentração da atividade econômica em Manaus e ampliar oportunidades no interior, onde ainda existem deficiências de infraestrutura, conectividade, saneamento, saúde e educação.

David Almeida defende investimentos em logística
O candidato David Almeida concentrou parte de sua fala na defesa da Zona Franca e na necessidade de união política para garantir a competitividade do modelo durante a implementação da reforma tributária. “Eu penso que o Amazonas chega a esse processo eleitoral muito fortalecido pela aprovação da reforma tributária que manteve a competitividade da nossa indústria. E esse foi um resultado fruto da mobilização das entidades empresariais e da atuação extraordinária da bancada parlamentar do Estado do Amazonas, reconhecida como uma bancada de liderança extraordinária”, ressaltou.
Para ele, a inclusão dos incentivos da Zona Franca no texto constitucional representou uma conquista importante, mas a regulamentação do novo sistema tributário será um dos principais desafios dos próximos anos.
David também destacou a necessidade de ampliar a área destinada ao Distrito Industrial e afirmou que, como prefeito de Manaus, trabalhou na regularização fundiária de áreas de expansão do polo industrial. “Há a necessidade de enfrentar também de maneira forte o desequilíbrio entre a capital e o interior. A concentração da produção econômica em Manaus é um desafio. Nós sabemos que Manaus é um centro de excelência do ponto de vista sócio eômico, mas nós temos também que reconhecer as deficiências do nosso interior, onde existem problemas de conectividade, saneamento de saúde educação e de infraestrutura e a necess
Na avaliação do candidato, o Amazonas também precisa avançar na infraestrutura logística. A BR-319 foi um dos principais pontos abordados. David defendeu que a classe política do Estado faça um pacto para destinar recursos de emendas parlamentares à recuperação da rodovia.
Ele citou ainda a necessidade de ampliar e melhorar os portos do Amazonas diante dos impactos provocados pela estiagem sobre o transporte de cargas.

Omar Aziz aposta em qualificação e diversificação da economia
O candidato Omar Aziz defendeu a manutenção da competitividade da Zona Franca, mas afirmou que o Estado precisa estar permanentemente atento à regulamentação da reforma tributária.
A proposta apresentada por ele inclui a criação de um comitê permanente, com participação das entidades da indústria, comércio e especialistas, para acompanhar as mudanças tributárias e antecipar eventuais medidas que possam reduzir as vantagens competitivas do modelo. “Vamos criar um comitê entre a indústria, Comércio e pessoas especializadas para ficarmos atentos e não perder essa competitividade. Qualquer ruído a gente tem que agir com antecedência para não perder essa competitividade”, afirmou.
Omar também destacou a perspectiva de instalação de novas empresas e ampliação de unidades industriais no Amazonas e apontou a necessidade de preparar mão de obra para ocupar os postos de trabalho que deverão ser criados.
Como exemplo, citou a indústria naval, que, segundo ele, já emprega cerca de 20 mil trabalhadores no Estado, mas poderia ampliar esse número com mais qualificação profissional.
O candidato defendeu ainda uma política de diversificação econômica baseada nas vocações de cada região do Amazonas. Entre os exemplos citados estão a produção de café, açaí e outros produtos da bioeconomia, com agregação de valor e possibilidade de inserção nos mercados nacional e internacional.
Na indústria, Omar também falou sobre a necessidade de aumentar o valor agregado dos produtos fabricados no Amazonas e ampliar a geração de empregos dentro do próprio Estado.
Para a logística, defendeu novos portos e alternativas para reduzir os custos de transporte, além da ampliação das conexões do Amazonas com outras regiões do país e com o Pacífico.

Roberto Cidade destaca novas matrizes econômicas
O candidato à reeleição Roberto Cidade defendeu a manutenção dos incentivos da Zona Franca e a continuidade do diálogo entre o governo estadual e o setor produtivo.
Segundo ele, o Amazonas precisa preservar o modelo, mas também criar novas alternativas econômicas para reduzir a dependência da economia estadual em relação à Zona Franca.
Cidade citou projetos aprovados pelo Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), incluindo investimentos que, segundo ele, deverão gerar milhares de empregos nos próximos anos. “A indústria é nosso modelo de desenvolvimento mais forte. Precisamos ter um trabalho em conjunto do governo do Estado em parceria com os empresários para que a gente possa manter a nossa competitividade e atrair mais investidores pra cá. Recentemente eu enquanto governador do Amazonas e o Serafim também, participamos de duas reuniões do CODAM (Conselho de Desenvolvimento da Zona Franca de Manaus) aprovamos 80 projetos na primeira reunião e na segunda R$ 45 bilhões em investimentos para o nosso Estado”, lembrou.
Entre as novas frentes econômicas mencionadas estão a exploração de potássio em Autazes, de terras raras em Apuí e a retomada da exploração de petróleo em áreas do interior.
“Não podemos continuar num Estado tão grandioso como esse dependendo muito da Zona Franca. É um modelo exitoso, que vem dando certo, que preservou a nossa floresta e que nós não podemos abrir mão, mas precisamos criar outras alternativas”, afirmou.
O candidato também destacou investimentos em infraestrutura e afirmou que pretende ampliar ações voltadas ao interior. Entre as propostas apresentadas está a construção de cinco barcos-hospitais para levar atendimento de média e alta complexidade aos municípios e comunidades.
Roberto Cidade também afirmou que pretende buscar novas operações de crédito para investimentos em infraestrutura e defendeu a renegociação de dívidas do Estado para reduzir custos financeiros.

Maria do Carmo propõe revitalização do Polo Industrial
A candidata Professora Maria do Carmo apresentou uma proposta de reformulação da política de incentivos e de fortalecimento da pesquisa e inovação como instrumentos para ampliar a participação do Amazonas na economia nacional.
Ela afirmou que o Polo Industrial de Manaus precisa ser “revigorado” e defendeu um novo projeto para a legislação de incentivos fiscais capaz de atrair novas matrizes econômicas.
Na avaliação da candidata, o governo estadual deve atuar como parceiro das empresas interessadas em se instalar no Amazonas, inclusive oferecendo condições para superar dificuldades relacionadas à infraestrutura e à falta de espaços industriais.
Maria do Carmo também defendeu o aumento do valor agregado produzido localmente e a interiorização das atividades industriais. Entre os exemplos citados estão a indústria naval, a produção de fertilizantes e atividades relacionadas aos recursos minerais.
Na área de pesquisa, propôs o fortalecimento da UEA e a criação de um centro de pesquisas da Amazônia associado ao projeto da Cidade Universitária. “A gente vem com um projeto auspicioso de muito trabalho eu tenho certeza que é um desafio imenso mas que me dou por preparada porque tenho feito isso ao longo de quase 50 anos de trabalho”, garantiu a candidata.
Maria do Carmo também colocou a melhoria da logística entre as prioridades e defendeu um planejamento integrado para as estradas e demais modais de transporte. A BR-319, segundo ela, continua sendo um dos principais gargalos para a competitividade do Estado.
Sobre a reforma tributária, Maria do Carmo afirmou que a Zona Franca possui proteção constitucional, mas que a regulamentação será decisiva para garantir a manutenção das vantagens competitivas do modelo.
Ela também defendeu o fortalecimento da bancada federal do Amazonas para acompanhar a regulamentação e evitar perdas durante a transição tributária.
Indústria cobra participação no próximo governo
Ao longo do encontro, a necessidade de preservar a competitividade da Zona Franca apareceu como ponto comum entre os candidatos. As propostas, porém, apresentaram diferenças sobre a forma de ampliar a economia amazonense.
Enquanto David Almeida enfatizou a articulação política e a logística, Omar Aziz destacou qualificação profissional, diversificação e acompanhamento da reforma tributária. Roberto Cidade priorizou a atração de novos investimentos e a criação de matrizes econômicas no interior. Maria do Carmo defendeu uma revisão da política de incentivos, maior investimento em pesquisa e inovação e uma atuação mais rigorosa na gestão dos recursos públicos.
Para Fieam e Cieam, o encontro também serviu para reforçar que a defesa da indústria amazonense não termina com a aprovação da reforma tributária. A transição até a implantação completa do novo sistema exigirá acompanhamento político e técnico permanente.
O desafio colocado pelas entidades é conciliar a preservação da competitividade da Zona Franca com a criação de novas oportunidades econômicas para o interior do Estado, ampliando emprego, renda, infraestrutura e agregação de valor à produção amazonense.







