Um carregamento de 30 toneladas de uvas vindo do Peru até Manaus está sendo utilizado para testar a viabilidade no transporte e as facilidades alfandegárias para o comércio bilateral. A mercadoria é destinada à Ceasa, segundo informou o representante em Lima (Peru) da Câmara de Comércio Peru-Brasil do Rio de Janeiro, Francisco Pantigoso, e abre espaço para estreitar as relações comerciais com o país andino.
O teste será realizado pela rodovia Interoceânica Sul, inaugurada em julho de 2011. A rodovia liga os portos de San Juan, Ilo e Matarani (no Pacífico) às cidades de Rio Branco (Acre) e Porto Velho (Rondônia). De Porto Velho, é possível chegar a Manaus pelo rio Madeira.
Pantigoso lembra que a distância entre Lima e Rio Branco é de 2 mil km e que uma carreta pode chegar à cidade peruana em dois dias, metade do tempo e distância que se leva para uma mercadoria vir de São Paulo até a capital do Acre. O novo percurso facilitaria o comércio do Amazonas com outros países através do Pacífico, por meio dos portos peruanos. Essa seria a maior vantagem.
A outra facilidade são os acordos de livre comércio que o Peru tem com a China e os Estados Unidos. Os produtos de origem peruana exportados para esses países não pagam direitos aduaneiros onde chegam.
Para o consultor José Laredo, o fato da economia peruana estar crescendo em média o dobro da brasileira estimula a troca de parcerias comerciais através de feiras, seminários e exposições entre os dois países. Ele reforça que o Peru tem todas as condições de vir a se tornar um importante parceiro dos produtos produzidos pelo PIM (Polo Industrial de Manaus).
Complementar
O representante da Câmara de Comércio Peru-Brasil afirma que o Peru pode complementar o mercado amazonense, principalmente, no setor rural. “Quando aqui (Manaus) falta o produto, no Peru está sendo a colheita. Temos safras complementares”, afirma Pantigoso. Ele disse também que na capital amazonense há variações de preços dependendo da época do ano e que o Peru pode ser importante nessas situações.
A falta de divulgação tanto das entidades governamentais brasileiras, como das peruanas que ainda não mostraram as vantagens econômicas para os empresários amazonenses dificulta a possibilidade de estreitar relações entre os dois países. “As intenções são boas intenções, mas falta concretizar as iniciativas”, disse Pantigoso.
Segundo o cônsul-geral do Peru em Manaus, Cesar de Las Cassas, há projetos de aproximar o país andino com o Estado, aproveitando o rio Amazonas. “A ideia é trazer os produtos da costa peruana até Manaus e levar de volta produtos do PIM para o Peru e de lá enviar a outros países”, disse o cônsul. Para César, o problema ainda é a logística.
O consultor José Laredo confirma que o consulado do Peru em Manaus também tem buscado agir mais forte na busca do incremento das trocas comerciais com o PIM. Ele ressalta que os empresários peruanos procuram a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), buscando informações sobre o que pode vender e comprar do Estado.
Ainda este ano, será inaugurada a Interoceânica Norte que ligará a cidade peruana de Paita às cidades de Yurimagias e Iquitos, também peruanas, a Manaus. Será um transporte multimodal, que terá a parte terrestre e a parte fluvial.







