A criação do Cartão Reforma pelo governo federal, que visa atender brasileiros de baixa renda na compra de produtos e materiais de construção, gera expectativas de alta nas vendas dos produtos no comércio de Manaus.
O programa faz parte de uma Medida Provisória aprovada no último dia 10 deste mês pelo presidente da República, Michel Temer, que inicia em 2017 com orçamento de R$ 500 milhões.
Segundo o ministro das Cidades, Bruno de Araújo, o programa é voltado às famílias com renda mensal de até R$ 1,8 mil para que elas possam reformar suas residências. No Brasil há cerca de 7,5 milhões de moradias em situação “precária” e, desse total, mais de 3 milhões são de famílias com renda mensal de até R$ 1,8 mil.
Os beneficiários, acrescentou Araújo, terão crédito médio R$ 5 mil para comprar materiais de construção. Segundo o ministério, os recursos vão variar de R$ 2 mil a R$ 9 mil.
Após ser publicada no “Diário Oficial da União”, a MP que cria o programa terá força de lei e deverá ser analisada, em até 120 dias, pelo Congresso Nacional.
Em Manaus
De acordo com o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank do Carmo Souza, o incentivo dado pelo governo federal, com a criação desse Programa, certamente movimentará o setor e aquecerá as vendas no comércio de materiais de construção no Brasil.
“Em Manaus e em todo o Estado, esse cenário não será diferente. Dentre os outros incentivos que estão sendo pensados e lançados na esfera federal, o Cartão Reforma aquecerá as vendas no comércio varejista do setor, atendendo assim diferentes classes sociais, possibilitando uma ampliação desse cenário, e ainda mais empregos diretos e indiretos ao setor, considerando ainda a mão de obra a ser contratada pelos beneficiários do Programa”, afirma.
Frank ressalta que as vendas no comércio em geral na cidade de Manaus ficaram e estão abaixo das expectativas para esse ano. “Mas desde 2015 sabíamos que este seria um ano atípico para o comércio. As vendas de materiais de construção também sentiram esse impacto econômico, no entanto, acreditamos que essa recuperação já está sendo planejada para o ano de 2017. E incentivos como este, lançado agora pelo governo federal, serão fundamentais”, acredita ele.
Já sobre a alta do dólar, com relação aos materiais de construção importados, o presidente afirma que houve uma diminuição da participação dos importados no consumo nacional, mas por outro lado, estimula as exportações da indústria brasileira. No entanto, essa questão não afetará diretamente obras menores, como as reformas previstas por este Programa.
“A tendência é melhorar e já estamos observando isso. A economia nacional vem se refazendo lentamente. Nem todos os problemas serão sanados já em 2017, mas observamos a recuperação em alguns setores da economia. É preciso continuar trabalhando com esse foco. O setor da Construção Civil foi um dos principais afetados com a crise que assolou nosso país, mas estamos otimistas”, enfatiza.
Família espera R$ 7 mil para concluir sonho
Há quatro anos tentando construir dois quartos na laje da sua casa, localizada na rua da Felicidade, no bairro do Japiim, a técnica de Enfermagem, Ana Paula Bastos, disse que precisa de R$ 7 mil para finalizar a obra e acredita que o Cartão Reforma será uma boa ideia do Governo para que ela realize o seu sonho.
“Os valores dos materiais de construção até que não são tão caros, mas a diária da mão de obra do pedreiro chega custar R$100 a R$120 e fica muito caro terminar a obra. E o material que está acima do valor que posso pagar,o tijolo, que um milheiro chega até R$ 500, e do ferro para as colunas, que passa de R$ 1 mil. Entendo que um cartão que vá diminuir o valor do material de construção irá acelerar a construção do meus quartos, possibilitando até pagar o pedreiro sem dificuldade”, diz Ana Paula.
A técnica de Enfermagem disse ainda que tentou terminar sua obra através de um empréstimo bancário, mas por conta dos juros altos desistiu de realizar a operação. “Espero que este cartão beneficie a todas as famílias brasileiras. Eu tenho duas filhas e elas precisam ter seus quartos. Fora a estética da casa, porque toda mulher deseja ter a sua construída e apresentável”, finalizou ela.
Compras são mais cautelosas
E para o gerente administrativo da loja Paulista Materiais de Construção, Rodolfo Oliveira, o Cartão Reforma vem em boa hora, uma vez que o marcado de materiais de construções está em queda por conta da crise. “Antes, o nosso cliente entrava e comprava tudo de uma vez para a construção de sua casa. Hoje, a história mudou, eles estão mais cautelosos nas compras. É a reforma de um banheiro, o conserto de um piso, um forro, tudo isso acaba atingindo as nossas vendas, que houve uma queda de 30% a 40% que vem se arrastando desde o meio do ano passado pra cá”, enfatiza o gerente.
Um dos benefícios que o programa poderá trazer para as lojas, o gerente acredita que será o crescimento nas vendas de materiais para pessoas de baixa renda, o aumento do faturamento da empresa e a prospecção de novos clientes. “Eu ainda estou estudando sobre esse programa novo, mas acredito que as famílias poderão comprar o seu material num montante, possibilitando a elas reformarem e até a construírem um novo imóvel. E isso vai ser bom para eles, para os lojistas e até para os profissionais que trabalham na construção de casa, na geração de mais empregos”, salientou Rodolfo.
Ainda sobre a crise, o gerente ressalta que houve uma queda nas vendas de ferramentas na loja, tudo porque são matérias importados que sofreram um reajuste de 15% a 25% com a alta do dólar.







