Influenciada pelo desenvolvimento agropecuário em municípios localizados na região Sul do Amazonas, a pecuária de leite, no Estado, registrou crescimento de 20% na produção no primeiro semestre deste ano em comparação a igual período de 2015. Investimentos em melhoramento tecnológico e adesão a projetos de intensificação da produção leiteira contribuem para o desenvolvimento do setor. Por outro lado, a pecuária de corte ainda caminha a menores passos, mas também com avanços como a classificação sanitária designada aos municípios de Boca do Acre, Guajará e Lábrea. Atualmente, o Estado importa 80% da carne demandada, enquanto a produção local atende a 20% do consumo.
Segundo o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, a produção leiteira no Estado está aquecida com destaque das atividades, ou maior concentração, na região Sul do Amazonas, onde estão localizados os municípios de Humaitá, Manicoré e Apuí. Mas, além dessas cidades, a atividade também acontece em Autazes, Careiro da Várzea, Manacapuru, Presidente Figueiredo e Parintins.
Lourenço explica que o investimento dos próprios pecuaristas no desenvolvimento de agroindústrias, na diversificação da produção com apresentação de novos produtos e na adesão a novas técnicas produtivas resulta no crescimento do setor. Ele frisa que o trabalho acontece por meio de ações viabilizadas por instituições como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio as Micros e Pequenas Empresas), a Faea e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
“Há um ano o Distrito de Santo Antônio de Matupi, em Manicoré, inaugurou o maior laticínio do Estado, com capacidade de processar 100 mil litros de leite por dia. O local ainda não opera com capacidade total, mas com produção crescente. O laticínio produz queijo mussarela e a produção é destinada a Manaus”, disse. “A pecuária de leite é uma atividade interiorizada, geradora de emprego e renda e de baixo impacto ambiental”, completou.
Atualmente, o Amazonas concentra 1,5 milhão de cabeças de gado. Segundo Lourenço, no processo de criação utilizado anteriormente, uma vaca ocupava um hectare. Enquanto agora, dez matrizes ocupam o mesmo hectare, onde são utilizadas técnicas de adubação, irrigação de pastagens, melhoramento genético do rebanho e ordenha mecanizada. “Essas metodologias resultam no aumento produtivo de leite. A interação de pecuaristas locais com criadores de outros Estados também promove uma troca de conhecimentos e experiências com um intercambio positivo. Tudo influencia na produtividade”, salienta.
Pecuária de corte
Conforme o empresário, o crescimento da pecuária de corte também parte da região Sul do Amazonas, com foco em Boca do Acre, Lábrea e Guajará. Ele comemora a expansão da classificação sanitária como ‘livre de febre aftosa’ às cidades de Boca do Acre, Guajará, parte do Sul de Lábrea e de Canutama.
“Estamos confiantes que o Amazonas terá todo o seu território livre em 2017. É um segmento que tem importância econômica significativa para o Estado. Estimamos que atualmente existem 60 pessoas que vivem da atividade pecuária no Amazonas. A ideia é avançar neste segmento com sustentabilidade ambiental de forma que consigamos diminuir a dependência das importações”, disse Lourenço.







