A alimentação ocupa o segundo lugar entre as despesas das famílias amazonenses, cuja maior fonte de renda é o trabalho, embora haja um grande número de lares na região que não conseguem comprar alimentos em quantidade suficiente para passar o mês. A constatação vem da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) 2008/2009, divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em relação às despesas mensais, o levantamento detectou um aumento de 44% entre os períodos de 2002/2003 e de 2008/2009, passando de R$1.245 para R$1.791. No caso dos pagamentos realizados à vista ou a prazo, em dinheiro, cheque ou cartão, foi verificado um aumento de 47%, de R$1.000 para R$ 1.467. Em se tratando de despesas não monetárias –como doação, retirada do negócio, troca, produção própria, pescado e caçado–, o salto foi de R$245 para R$324. “Assim, na medida em que os indicadores de despesas mostram evolução, pode-se afirmar que houve melhora na condição econômica da população entre a pesquisa anterior e a atual mesmo descontando-se a inflação do período”, avaliou o órgão, por meio de texto distribuído à imprensa.
O item que mais pesa no bolso do amazonense é a habitação (36,4%), seguindo a mesma tendência do Brasil (35,9%). Em segundo lugar, vem a alimentação (27,9%). O Amazonas, por sinal, é a segunda unidade federativa que mais gasta com alimentos, perdendo apenas para o Pará (28%).
Entre os 40% mais pobres, o gasto médio mensal por pessoa é de R$ 259,97. Enquanto que entre os 10% mais ricos o mesmo gasto chega a R$1.594,77. Os dados apontam uma diferença de 6,1 vezes entre os dois grupos. Para as famílias mais pobres, a média mensal de despesas foi de R$1.036,22, enquanto que para as mais ricas foi de R$6.331,28.
A participação dos rendimentos provenientes do trabalho na composição do rendimento e variação patrimonial média familiar foi de 71,5%, superando os 65,5% da media nacional. “Demonstra o nível de renda assalariada do Estado do Amazonas. É um reflexo do modelo econômico aqui implantado, que eleva o nível da empregabilidade e aumenta a renda fruto do trabalho, distanciando a população de outras formas de rendimento”, analisou.
Acesso insuficiente
Na média, 13,4% das famílias amazonenses consultadas pelo órgão avaliaram que a quantidade de alimentos por elas consumidos não era o suficiente. O número, é o terceiro maior da região Norte ficando atrás apenas de Roraima (14,9%) e Tocantins (16%). No total, 40% avaliaram que a quantidade de alimentos consumidos, às vezes, é insuficiente e 46,4% declararam serem os alimentos suficientes para sua manutenção. O maior número de insatisfeitos está entre as famílias com renda media de até três salários mínimos da época (R$1.245). “A baixa renda priva as pessoas do acesso a alimentação em quantidades suficientes”, assinalou.
No Amazonas o IBGE visitou 105 setores censitários, entre urbanos e rurais, em cerca de 17 municípios e entrevistou famílias de 1.344 domicílios. Com base nas entrevistas, executou-se a expansão da amostra a fim de refletir a realidade para o conjunto da população do Estado.






