As comercializações que giram em torno da área de saúde como vendas de planos médicos, distribuição de produtos e medicamentos, e serviços hospitalares sentem os impactos negativos decorrentes do período de instabilidade econômica e política nacional. Segundo o Sinessam (Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Amazonas), no primeiro semestre deste ano, cerca de 25 mil usuários deixaram de utilizar planos de saúde no Amazonas. Porém, números da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) apontam crescimento de 0,09% na adesão aos planos médicos no mês de junho em comparação a maio de 2016. Atualmente, 501.191 mil amazonenses utilizam planos de saúde. O setor de drogarias sentiu impactos negativos com diminuição de 20% nas comercializações dos medicamentos.
A nível nacional, a ANS contabilizou, no mês de junho, redução de 0,2% na adesão aos planos em comparação ao mês de maio deste ano.
De acordo com o presidente do Sinessam, Adriano Terrazas, o setor de saúde suplementar representa, a nível nacional, quase 10% do PIB (Produto Interno Bruto), com faturamento, em 2015, de mais de R$200 bilhões. Porém, ele explica que neste ano os números são negativos e devem chegar ao mês de dezembro com resultados bem diferentes dos obtidos no último ano. O setor emprega no Estado mais de 3 mil pessoas. Atualmente, o Amazonas reúne mais de 1,7 mil estabelecimentos de saúde.
Terrazas comenta que a crise econômica também atingiu a saúde suplementar. Ele relata que em todo o país, houve queda de 910 mil usuários de planos de saúde nos primeiros seis meses do ano. Na contagem entre 2015 e o primeiro semestre de 2016 o total chega a 1,7 milhão de pessoas sem cobertura médica.
“Os problemas econômicos afetam toda a cadeia da área da saúde. O cidadão fica sem condições financeiras de custear o plano, os hospitais compram menos medicamentos, fazem menos cirurgias. Temos hospitais do setor privado que têm leitos fechados, isso acontece porque não há clientes para serem atendidos”, comentou.
Segundo o presidente, o setor fatura mensalmente cerca de R$40 milhões contabilizados por empresas como hospitais, clínicas de imagem, clínica médica, consultórios, entre outros.
Conforme informações da ANS, o Amazonas registrou em junho 501.191 usuários de planos médicos, com variação positiva de 0,09% em relação a maio deste ano, quando o Estado contabilizou 500.750 beneficiários inscritos. A agência ainda divulgou que existem 837 operadoras de planos de saúde em atividade no Estado.
Dentre as principais empresas que ofertam assistência médica estão: Hapvida Assistência Médica Ltda. com 159.318 beneficiários; seguida da Unimed de Manaus Cooperativa do Trabalho Médico Ltda. com 143.735 inscritos; Bradesco Saúde S/A. com cadastro ativo de 62.544 beneficiários; Samel Plano de Saúde Ltda. com 25.676 usuários.
Queda de 20% nos medicamentos
O presidente do Sindidrogas (Sindicato do Comércio Varejista de Drogas do Amazonas), Armando Reis, informou que somente no primeiro semestre deste ano houve queda de 20% nas comercializações de medicamentos. Ele disse que a população deixou de comprar remédios deixando de lado até mesmo os genéricos, que são disponibilizados por preços mais acessíveis em relação às marcas mais populares. “Pensamos sempre que os últimos setores a serem afetados são o de alimentos e de medicamentos. Mas, desta vez nos surpreendemos porque as drogarias também enfrentam dificuldades neste período. As pessoas devem ter encontrado alguma outra alternativa como remédios medicinais ou caseiros”, comenta.
Em Manaus existem 400 drogarias em atuação e 200 distribuídas pelo interior do Estado. Todas com alvará para funcionamento.
Reis explica que o acesso aos medicamentos acontece por meio de distribuidoras instaladas na capital. Segundo ele, os preços dos remédios são fornecidos inicialmente pelos laboratórios fabricantes. Em seguida as empresas encaminham as planilhas à Anvisa para que fechem e estabeleçam um valor final com base nos custos, da matéria-prima, transporte, etc.
“É o único segmento que tem o governo federal como controlador dos valores a serem cobrados. Esses valores sempre sofrem reajuste anualmente no mês de março. Quando vendemos ao consumidor final temos que atender a uma tabela de preços”, disse.
Conforme o presidente do Sindidrogas, no primeiro semestre o setor ainda enfrentou outro gargalo que foi a falta de alguns medicamentos que utilizam matéria-prima importada. A alta do dólar inviabilizou a produção e comercialização interna dos medicamentos. Logo, os laboratórios deixaram de fabricar por algum período.
“A matéria-prima dos medicamentos é importada e encareceu devido ao aumento do dólar. Os laboratórios decidiram dar uma pausa nas fabricações. Houve falta de medicamentos. Muitos deixaram de fabricar porque o custo era maior em relação ao volume de vendas. Os antibióticos foram os que mais tiveram em falta. Hoje, a situação já está normalizando”, explicou.







