Cesta básica custa R$ 213,82 no Amazonas e leva 50% do mínimo

Em: 7 de julho de 2009
Com crescimento de 0,07%, o preço da cesta básica de Manaus fechou em R$ 213,82 no mês de junho, de acordo com dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos)
Com crescimento de 0,07%, o preço da cesta básica de Manaus fechou em R$ 213,82 no mês de junho, de acordo com dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos)

Com crescimento de 0,07%, o preço da cesta básica de Manaus fechou em R$ 213,82 no mês de junho, de acordo com dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O item que mais sofreu aumento foi a farinha de mandioca, com elevação de 13,07%. A carne bovina requer 26h52 de trabalho para uma família abastecer-se do produto, gastando R$ 56,79 em média.
Manaus continua ocupando a oitava posição entre as capitais com maior preço da cesta básica. A pesquisa é realizada há nove meses e variou 2,19% nesse período.
O poder de compra do trabalhador da capital amazonense continuou praticamente inalterado em junho, com aumento de 0,03%. No sexto mês deste ano foi necessário trabalhar 101 horas e 10 minutos para comprar a cesta básica do mês, comprometendo 49,95% da renda mensal de quem recebe um salário mínimo.
Segundo o presidente da Fecomércio/AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas), José Tadros, apesar da tímida elevação de preços, é provável que o valor da cesta básica aumente nos próximos meses. “Em relação à alimentação, pouca coisa é produzida no Amazonas, e desse pouco, quase toda a produção agrícola foi perdida com a enchente histórica, aumentando o preço das culturas que vingaram”, explicou.
Tadros disse ainda que “vai demorar pelo menos três meses para o setor se recuperar, e isso tem que ocorrer antes de novembro, quando começa a temporada de chuvas novamente”.
O Dieese estima que o salário mínimo ideal “considerando a determinação constitucional que estabelece como o salário mínimo deve suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestiário, higiene, transporte, lazer e previdência”, seria de R$ 2.046,99. O salário necessário para uma família é 4,40 vezes superior ao piso atual de R$ 465.

Gastos com alimentos atinge R$ 641,46

Somente o gasto com alimentação para uma família manauense de quatro pessoas é de R$ 641,46 – 27,50% além do salário vigente. Os cinco itens mais consumidos da cesta básica da cidade são: carne bovina, tomate, pão francês, banana prata e leite. A pesquisa calculou estes produtos com base na quantidade comprada mensalmente.
A família do estudo (composta de quatro pessoas) consome 4,5kg de carne bovina, gastando R$ 56,79 por mês. A compra de tomate (12kg) leva R$ 49,32 da renda mensal, seguido pelo pão francês (6kg) com R$ 30,48. A quarta posição é da banana prata (7,5 dúzias): R$ 16,35 mensais. Em último lugar está o leite (6 litros), custando mensalmente R$ 13,08.
Somando os cinco itens com valores mais comprados, o trabalhador consome R$ 166,02, ou seja, 35,70% do salário mínimo.

Quebra de safra

Seis dos doze produtos que compõem a cesta básica de Manaus apresentaram redução nos preços. O feijão teve a maior diminuição, 6,35%. O arroz, tomate e café seguem na lista com 3,82%; 2,38% e 0,61%, respectivamente. A manteiga foi o artigo que continuou com o preço praticamente congelado, com redução de 0,17%.
Para o economista José Fernando Silva, com a redução de produção nesse período de cheia extrema dos rios amazônicos, era esperado um aumento maior no preço da cesta básica. “Houve quebra de safra devido à enchente e sempre que isso ocorre os preços sobem. Estimo que a próxima pesquisa apresente valores mais altos para a cesta básica em Manaus e, logo em seguida, uma redução, quando os produtores rurais tiverem restabelecido seus plantios”, argumentou.
Entre as 17 capitais pesquisadas, o Dieese constatou variação máxima de 4,47% em Aracaju e mínima de 0,07 em Manaus e Goiânia. Nas cidades de Porto Alegre e São Paulo, o tempo de trabalho para custear a cesta básica é de 115h e 17 min na primeira, contra 107h e 55min na segunda.
Apesar da capital sergipana registrar a maior alta no mês de junho, o preço da cesta é o menor do Brasil, apenas R$ 176,35. O tempo de trabalho para cobrir as compras com alimentação também é o menor, 83h e 26min.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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