A forte alta dos preços no primeiro quadrimestre de 2008 já provoca reflexos no comportamento de compra do amazonense.
Uma pesquisa sobre consumo domiciliar desenvolvido pela LatinPanel divulgada ontem mostrou que os produtos considerados básicos (margarina, óleo, extrato de tomate, açúcar, leites, pães, farinha, papel higiênico, desodorante, entre outros itens de uso do dia-a-dia) já registram perda de domicílios compradores.
No Amazonas, os dados da pesquisa foram corroborados pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), que, em linhas gerais, apontou alta média de 6,8% de aumento do gasto médio dos consumidores durante os primeiros quatro meses deste ano.
A alta no quadrimestre supera até mesmo a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado), que mede a inflação, cujo percentual no acumulado de doze meses alcança 6,06%.
A subida de 10,3% no preço médio dos produtos básicos das cestas de alimentos, bebidas, higiene pessoal e limpeza nos quatro primeiros meses deste ano no comparativo a igual período do ano passado resultou na queda de quatro pontos percentuais no número de domicílios amazonenses compradores.
Os produtos básicos, de acordo com a Fecomercio, puxaram as elevações percentuais em Manaus. Neste segmento de produtos, o preço médio da cesta básica na capital superou em seis pontos percentuais o preço dos itens considerados não-básicos, como iogurte, creme de leite, adoçante, leite fermentado, maionese, manteiga, requeijão, sopas, suco pronto para beber, cremes e loções, pós-shampoo, limpadores multiuso, entre outros de maior valor agregado, cujo preço médio sofreu elevação de 8,3% no primeiro quadrimestre frente a igual período de 2007.
Segundo o presidente da Fecomercio, José Roberto Tadros, o grande gargalo para o Estado ainda é a produção agroindustrial mais contundente no interior que esbarra nas políticas preservacionistas das ONGs (Organizações Não-Governamentais) e entidades estaduais.
Produtos caros
“Os produtos chegam mais caro, porque o Estado não tem agricultura, nem mesmo um cinturão verde. O rebanho estadual, por exemplo, não ultrapassa os dois milhões de cabeça, enquanto Rondônia oscila em 14 milhões de cabeça de gado.
Praticamente tudo que se consome na capital vem de fora. É um grande disparate”, criticou.
Entre os produtos que atingiram os maiores índices de aumentos no preço médio unitário, de acordo com a pesquisa da Latin Panel, estão o leite em pó (37%), óleo vegetal (35%), leite condensado (22%), leite pasteurizado (17%) e adoçante (16%).
Alta nos preços é puxada pela crise no setor de alimentos em nível mundial
O economista José Fernando Pereira da Silva avaliou que a alta nos preços da cesta básica no Amazonas é um reflexo em pequena escala da crise no setor de alimentos em nível mundial. O especialista explicou que, com o aumento no salário real do amazonense em mais de US$ 200, foi ampliado a faixa de consumo da classe D, o que provocou uma pressão na demanda fazendo os preços se elevarem. “O fato é que o país, como um todo, não estava preparado para o crescimento no consumo das classes sociais. Em Manaus, como praticamente tudo vem de outras regiões, vem embutido o custo de frete, que geralmente é feito via aérea ou rodoviária, as mais caras”, analisou.
Mas a pesquisa da Latin Panel apontou que também houve recuo de preços durante o primeiro quadrimestre, onde as quedas no preço do açúcar (28%), água mineral (11%), deo colônia (11%), azeite de oliva (11%) e tintura capilar (10%), foram apontadas como as mais relevantes.
Na opinião da presidente da Adcea (Associação das Donas-de-Casa do Estado do Amazonas), Neuda Maria de Lima, a melhor saída para o consumidor é a pesquisa de preços e a pechincha. A dirigente recomendou ainda não comprar gêneros supérfluos e observar a propaganda enganosa das promoções de ‘queima de estoque’. “Outro dado importante é não estocar produtos. Esse não é um bom caminho. Se o produto permanecer na prateleira, o comerciante terá de baixar o preço. Comprar produtos regionais e comprar nas feiras ainda é o melhor negócio”, assegurou.
A Adcea, segundo Neuda Maria, pretende realizar até o dia 15 de agosto o máximo de palestras possíveis para educar o consumidor em grupos no atacado. “Os preços quando se compra em grupo caem mais de 30%, por isso, já se mostrou vantajoso para o consumidor”, finalizou.
Do total das 65 categorias auditadas pela LatinPanel, 30 categorias (46,2%) tiveram reajustes acima da média da inflação, enquanto 12 delas (18,5%) registraram aumentos na média e 23 categorias (35,4%) reajustaram abaixo do percentual média da inflação.
Pesquisa semanal
Os dados apurados pela LatinPanel foram extraídos de pesquisa semanal contínua em 8,2 mil domicílios em todo o país, incluindo Manaus, amostra que representa 91% do potencial de consumo domiciliar do mercado brasileiro, 34 categorias (52,3%) dos produtos que fazem parte do carrinho de compras deste estrato da população, tiveram altas de preços acima da média da inflação (o índice foi maior que o verificado no geral de todas as classes em função da especificidade de canais usados pelas famílias de baixa renda).“De fato, as classes mais desfavorecidas foram as mais afetadas”, explicou a diretora da Latin Panel, Ana Claudia Fioratti.







