Preço da cesta básica aumentou 1,09% puxada pelo feijão, arroz e carne
No mês de fevereiro o preço da cesta básica, em Manaus, apresentou alta de 1,09%, em comparação a janeiro deste ano. De acordo com a Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o custo com os itens alimentícios totaliza R$321,29. O feijão, o arroz e a carne foram os produtos que registraram maior alta. Enquanto o açúcar e o tomate tiveram redução nos preços.
Segundo o Dieese, no primeiro mês do ano o valor da cesta básica era de R$317,84. Enquanto em fevereiro de 2014 a despesa com os produtos custava R$312,09. O aumento classificou a cidade como a 11ª capital que tem a cesta básica mais cara, dentre as 18 capitais onde a pesquisa é realizada.
Do total de 12 produtos, avaliados na pesquisa, sete registraram alta e cinco tiveram redução nos preços. O feijão, foi o item que apresentou maior alta, de 10,3%; seguido do arroz, com 4,51%; e da carne, com 3,57%. Os demais produtos que tiveram acréscimo nos valores foram: banana, 2,8%; café, 1,12%; leite, 0,99% e o pão, 0,27%. O açúcar foi o produto que apresentou maior queda no mês, com o índice negativo de 3,76%, seguido do tomate, com -3,32%, da manteiga -3,26%, do óleo -1,87% e da farinha -0,98%.
De acordo com a pesquisa, o aumento no preço do feijão carioquinha ocorreu em 17 das 18 cidades analisadas, em fevereiro. Na capital amazonense, o produto teve o maior aumento pelo segundo mês consecutivo.
O economista e supervisor técnico do Dieese no Amazonas, Inaldo Seixas Cruz, explica que o aumento nos preços é resultado de uma série de fatores que independem da crise econômica nacional. Ele destaca que o principal contribuinte para o aumento ou a redução do preço da cesta básica é o fator climático, que segundo o supervisor, é determinante para a colheita e a consequente distribuição de produtos. “A formação dos preços independe da crise financeira. Os valores correspondem ao resultado das safras que podem ser prejudicadas ou beneficiadas pelas questões climáticas como a seca ou o excesso de chuvas, com as cheias dos rios”, explica.
Cruz ainda disse que o aumento no preço do arroz pode ser resultado de uma entressafra mais longa, período em que os agricultores vendem os produtos de uma safra anterior à espera da nova colheita. “A produção gaúcha teve perdas acima do esperado. Isso, aliado ao aumento do dólar contribuiu para a melhor competitividade do arroz brasileiro e as exportações, o que pode ter contribuído para o aumento do preço”. A alta em 12 meses é acumulada em 10,78%.
A carne bovina teve o preço elevado em nove cidades e ficou mais barata em outras nove capitais. Manaus ficou entre as cidades que tiveram os maiores aumentos, com 3,57%. Florianópolis teve aumento de 4,99% e Curitiba, de 4,19%. O economista considera que a alta no valor do produto na capital amazonense se deve à ocorrência da cheia do rio que atinge o Estado do Acre. “Boa parte da carne que consumimos vem do Acre e o Estado está em dificuldades em todos os setores”, avalia.
O relatório ainda aponta que a redução na oferta de carne foi reduzida devido à estiagem do início do ano e ao aumento das exportações, por outro lado, os frigoríficos vêm fazendo pressão para redução do preço negociado. Na comparação anual, os preços aumentaram nas 18 capitais. A variação acumulada nos últimos 12 meses na capital amazonense foi de 19,28%.
Produtos que tiveram
queda nos preços
Segundo o economista, a redução no preço do tomate pode estar ligada ao bom comportamento da produção regional do produto. O tomate teve alta em 16 das 18 cidades pesquisadas, devido a problemas de estiagem e diminuição da área cultivada na região Sudeste.
Para o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, a redução no preço do tomate pode ser justificada pelo bom desenvolvimento do cultivo do tomate em Estados vizinhos mais próximos como Rondônia e Roraima. Ele destaca que a produção no Amazonas ainda é pequena, apesar de ter registrado certo crescimento nos últimos anos. “A produção no Amazonas é crescente mas ainda incipiente. Os Estados vizinhos vendem o tomate ao nosso Estado a menores custos, em comparação ao comercializado pela região Sudeste e Centro-Oeste”, afirma.
O valor do açúcar teve redução em 11 cidades. Os preços oscilaram entre -5,04%, em Belo Horizonte, e -0,55%, em São Paulo. Em Manaus a redução foi de -3,76%.
Priscila Caldas
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