Um das principais referências para se calcular o custo de vida na capital amazonense, a cesta básica sofreu um ajuste 1,08% superior, fechando em R$ 228,28 em janeiro na comparação com dezembro, quando o preço dos 12 produtos básicos atingiu R$ 225,83.
O reajuste dos principais alimentos durante o quadrimestre outubro/janeiro acumulou 10,62% de variação, impactando em um custo mensal atual girando em torno de R$ 684,84 para uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças).
A elevação no custo dos gêneros alimentícios, em janeiro, de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), compromete com aproximadamente 59,79% do rendimento líquido do amazonense, impacto que alcançava 59,15% em dezembro.
A supervisora técnica do escritório regional do Dieese, Alessandra Cadamuro, disse que a variação no custo da cesta básica manauense teve forte influência da alta do açúcar (45,63%), produto que encabeçou o valor dos gastos nas compras mensais e sofreu a maior variação entre as 17 capitais estudadas. Pão francês (2,46%), tomate (1,81%), arroz (1,84%), carne bovina (0,75%) e banana (0,43%) aparecem na sequência da lista do Dieese entre os mais caros na capital amazonense.
Alta constante
Nos cálculos de Alessandra Cadamuro, o custo da cesta básica para o sustento de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) durante um mês gira em torno de R$ 684,84. Em dezembro, de acordo com a especialista, o custo dos 12 principais alimentos em Manaus para uma família com as mesmas características chegava à mesa por R$ 677,49. “O valor atual da cesta equivale a aproximadamente 1,45 vezes o salário mínimo bruto fixado pelo governo federal em R$ 465. Manaus parece ter acompanhado a tendência de alta observada em muitas capitais, fechando um preço que a insere entre as sete com custo de vida mais caro do país”, observou.
Valor é um dos termômetros de cotação do comércio
Na opinião do empresário Francisco Gomes Almeida, atuante no setor de alimentos e materiais de construção, o valor da cesta básica ajuda como embasador da cotação praticada no comércio local e serve de referência no cálculo da evolução dos preços de um conjunto de alimentos. O administrador salientou que os aumentos ou quedas de preço dos produtos que compõem a cesta básica nem sempre estão atrelados a algum desequilíbrio entre oferta e demanda. “Não digo que os alimentos tenham sofrido aumento, mas as alterações de preços, como aconteceram em Manaus, podem refletir em parte tão somente procedimentos adotados por determinados supermercados da amostra para estimular a concorrência ou para se destacar em algum segmento”, acentuou.
A vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Dulce Sena, disse que, embora tenha acontecido recuperação real de 1,96% do salário dos operários da indústria em relação aos índices de inflação, o salário ainda está aquém do necessário para a obtenção dos principais itens. “Levando em conta os cálculos do Dieese em janeiro, o valor do piso salarial necessário para uma família comum de classe média se manter em Manaus de forma condizente seria em torno de R$ 2.077,15. Esse valor já revela que estamos de fato entre as cidades mais caras do Brasil”, considerou.
Já a presidente da Adcea (Associação das Donas-de-Casa do Estado do Amazonas), Neuda Maria de Lima, frisou que a melhor saída para o consumidor é a pesquisa de preços e a pechincha. A dirigente recomendou ainda não comprar gêneros supérfluos e observar a propaganda enganosa das promoções de ‘queima de estoque’. “Outro dado importante é não estocar produtos. Esse não é um bom caminho. Se o produto permanecer na prateleira, o comerciante terá de baixar o preço. Comprar produtos regionais e comprar nas feiras ainda é o melhor negócio”, finalizou.







