Consumidor vai aguardar marola passar para voltar às compras

Em: 19 de março de 2009
Os reflexos da crise econômica mundial podem se estender, mesmo que em menor escala, para o comércio local nos próximos seis meses
Os reflexos da crise econômica mundial podem se estender, mesmo que em menor escala, para o comércio local nos próximos seis meses

Os reflexos da crise econômica mundial podem se estender, mesmo que em menor escala, para o comércio local nos próximos seis meses. Pelo menos se depender do consumidor, a previsão deve se confirmar. É o que indica a pesquisa de intenção de compra de bens duráveis (os que têm utilidade durante um grande período de tempo), medida pela FGV (Fundação Getulio Vargas), na Sondagem do Consumidor de fevereiro, e a pesquisa de ­intenção de compra e de confiança do consumidor, divulgada pela Fecomercio-AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas).
Ambas instituições apontam que o consumidor deve agir com ‘cautela’ na hora da compra nos próximos meses. Conforme a FGV, o índice relativo à expectativa de compras para o próximo semestre ficou em 66,6 pontos, menor patamar da série iniciada em setembro de 2005. Em relação a janeiro, a queda foi de 4,7%. Na comparação com fevereiro de 2008, a intenção de compra do consumidor teve um tombo de 25%.
Para o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicos da FGV, Aloisio Campelo, o resultado demonstrou que o consumidor está atento ao atual ambiente econômico. Ele lembrou, no entanto, que outros fatores podem estar diminuindo o ritmo das compras. “O resultado está diretamente ligado ao momento da economia, mas deve-se levar em conta também o nível de endividamento, já que o consumidor vinha comprando muito, e a alta da taxa de juros ao longo do ano passado, antes da última queda”, afirmou.

Expectativa permanece em baixa

Conforme o presidente do Sistema Fecomercio, José Ro­berto Tadros, o acúmulo de experiências vivenciado pela população no enfrentamento a outras crises, em outros anos, faz com que a confiança na economia permaneça alta para o momento.
“O brasileiro, diferente de outros povos, já viveu duras e sucessivas crises econômicas. Essa (a atual crise econômica), com certeza, será superada, principalmente por ser mais uma crise externa que interna. Entretanto, eventos como esse fazem com que o consumidor haja com mais cautela”, explicou o dirigente.

Quedas consecutivas

A expectativa de bens duráveis do consumidor vem caindo desde março de 2008, o que pode ser um indicador de que outros fatores vêm influenciando mais diretamente, além da crise. Mas desde setembro, quando o quadro econômico se agravou, a intenção de compras do consumidor caiu 20%.

Confiança do consumidor

O ICC (Índice de Confiança do Con­su­midor), que atingiu o menor nível desde o início da série, despencou 13,4% desde setembro. Nas famílias com maior renda (acima de R$ 9.600), a confiança caiu 19,7% desde a piora da crise. Nas famílias com renda inferior a R$ 2.100, a confiança teve retração de 16,5% desde então.
“A expectativa do consumidor está bem baixa, e está influindo bastante no índice de confiança. Ainda mais se for levado em conta que a percepção do consumidor em relação à atual situação da economia está mais elevada”, comentou.
Com o resultado, o indicador retoma a trajetória descendente iniciada em setembro do ano passado, que havia sido interrompida pela relativa estabilização de janeiro, quando o índice variou 0,1% frente ao mês anterior.
Em fevereiro de 2009, houve piora tanto das avaliações sobre a situação presente quanto das expectativas em relação aos meses seguintes. O Índice da Situação Atual recuou 0,8% e o Índice de Ex­pectativas reduziu-se em 1,7%, atingindo o menor nível da série.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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