Depois de uma trégua no valor dos produtos em fevereiro, o preço da cesta básica voltou a subir em março. De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), os 12 itens que compõem a cesta saíram por R$ 257,41 neste mês, alta de 1,77% sobre fevereiro e de 2,4% frente ao valor pago em março do ano passado.
Dessa forma, a capital amazonense, que em fevereiro possuía a 8ª cesta básica mais cara entre as 17 capitais pesquisadas pelo órgão passou a ocupar o 5º lugar em março e obteve a 3ª maior variação percentual no mês.
Segundo a supervisora técnica do órgão no Amazonas, Alessandra Cadamuro, o período de cheias foi o grande responsável pela alta.
“Em 2009, quando tivemos umas das maiores cheias da história no Estado percebemos que produtos como a farinha apresentaram reajustes razoáveis no preço. Este ano observamos o mesmo comportamento. Como as áreas de plantio foram comprometidas pelas enchentes, houve uma redução na oferta e a demanda pelo produto seguiu alta, encarecendo alguns itens”, explanou.
Ela aponta que sete produtos apresentaram aumento no preço, sendo os principais a banana prata, que encabeçou a lista (+15,38%), seguida do feijão (+12,53%) e da farinha (+7,21%).
Alessandra Cadamuro explica que o valor elevado da cesta manauara foi influenciado exatamente por produtos afetados pela cheia dos rios. “O aumento da banana e a farinha foram localizados em Manaus. Apenas o feijão registrou alta em 13 capitais brasileiras”, detalhou.
Segundo o Dieese, no caso do feijão, o preço vem se mantendo elevado por influência do clima e pelo atraso de dois meses do principal plantio, geralmente realizado em setembro.
Apenas o tomate e a carne apresentaram redução de 3,41% e 0,87%, respectivamente. Já os preços do leite, do açúcar e do café não apresentaram variação.
Outros dados
Ainda segundo o levantamento do órgão, em março, um trabalhador que ganha um salário mínimo em Manaus precisou cumprir carga horária de 91 horas e 3 minutos e comprometer 44,98% de seu rendimento líquido -salário bruto menos 8% de contribuição previdenciária- para adquirir os itens de necessidade básica da cesta.
Em fevereiro, eram necessárias 89 horas e 28 minutos e o comprometimento do salário foi de 44,98% para obter os mesmos produtos.
O custo para alimentar uma família de quatro pessoas durante o mês inteiro também subiu. Em fevereiro era de R$ 758,79 e passou para R$ 772, 23 em março deste ano.







