Cesta básica sobe mais que salário minímo

Em: 7 de janeiro de 2008
“O fator climático foi o responsável por este comportamento, pois a terceira safra, colhida normalmente por volta de julho e agosto
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“O fator climático foi o responsável por este comportamento, pois a terceira safra, colhida normalmente por volta de julho e agosto

A alta do custo da cesta básica em 2007 superou em todas as capitais do país o reajuste do salário mínimo concedido em abril do ano passado, de 8,57%. Segundo pesquisa nacional do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o custo da cesta oscilou entre 11,46%, em Curitiba, e 24,38%, em Aracaju.
A alta dos preços dos alimentos -vilão da inflação em 2007- determinou o comportamento do custo da cesta básica, informou o Dieese. O feijão foi o produto que mais subiu no ano passado nas 16 cidades que integram o estudo, com destaque para o chamado “feijão de cores”, cujo aumento de preço superou 200%. O produto atingiu as maiores variações em Natal (222,84%), Fortaleza (214,25%) e Goiânia (199,04%).

“O fator climático foi o responsável por este comportamento, pois a terceira safra, colhida normalmente por volta de julho e agosto, foi praticamente perdida devido à forte seca”, explicou o Dieese. A notícia que segue, no entanto, é positiva: “A partir desta colheita (entre dezembro e fevereiro), porém o valor deve cair uma vez que os altos preços incentivaram o crescimento do plantio”.

No acumulado em 2007, além da capital de Sergipe, também apresentaram elevações superiores a 20% as cidades de Goiânia (24,21%) e Belém (20,90%). Brasília (12,44%), Florianópolis (13,18%), Rio (13,46%) e Porto Alegre (14,33%) ficaram abaixo dos 15% de variação. Em dezembro, apenas a cidade do Rio teve variação negativa (-0,24%) da cesta básica -15 capitais tiveram aumento de preços, com o maior em Goiânia, de 12,73%.

O maior custo para o conjunto de produtos da cesta foi apurado em São Paulo (R$ 214,63), que se manteve, pelo segundo mês consecutivo, como a capital com a cesta mais cara. Porto Alegre (R$ 212,92) e Belo Horizonte (R$ 204,80) ocupam a segunda e terceira posição, respectivamente.

João Pessoa (R$ 155,09) e Recife (R$ 155,41) apresentaram os menores. Segundo o Dieese, o salário mínimo necessário para suprir as despesas de uma família (com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência) seria, em dezembro, de R$ 1.803,11.

A quantia apontada é 4,75 vezes o valor do salário mínimo e quase R$ 80 a mais que o apurado em novembro, de R$ 1.726,24 (que correspondia então a 4,54 vezes o mínimo em vigor, de R$ 380). A elevação dos preços dos produtos essenciais, verificada, em especial, ao longo do segundo semestre de 2007, fez com que, em dezembro, o trabalhador que ganha salário mínimo precisasse cumprir 106 horas e 09 minutos para comprar uma cesta básica.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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