Entre 41 produtos, o cultivo da mandioca foi o manejo que teve maior prejuízo
Paralisação de indústrias cerâmicas e perdas agrícolas avaliadas em mais de R$59 mi. Esse é o atual cenário resultante da cheia dos rios no Estado. Entre as culturas mais afetas estão a da mandioca, banana e hortaliças, segundo um levantamento feito pelo Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas). A Defesa Civil do Estado informou que a enchente já afeta 237,6 mil pessoas.
Segundo o Levantamento das Perdas Agrícolas da Cheia de 2015 divulgado pelo Idam, na sexta-feira (29), entre 41 itens agrícolas analisados, o cultivo da mandioca, utilizada para a fabricação da farinha foi o manejo que teve maior prejuízo. Do total de R$20,2 milhões, houve perdas de pouco mais de R$1,4 milhão em produtos financiados por meio de convênios com agentes financeiros.
Entre as produções mais afetadas também estão a de banana com prejuízos de R$8,4 milhões, dos quais, R$1,2 milhão é referente a financiamento; e ainda o manejo de hortaliças que teve perdas de mais de R$3,2 milhões, com o total financiado em R$196,8mil.
De acordo com o gerente de apoio às organizações de produtores do Idam, Lázaro Monteiro Reis, já é possível sentir falta de hortaliças e de bananas nas feiras e nos supermercados da capital. Ele explica que as águas chegaram aos municípios que integram a região metropolitana, que até então abasteciam o comércio local. “Manacapuru, Iranduba e Careiro da Várzea, que abasteciam o mercado na cidade, já contabilizam prejuízos altos em seus manejos. Em Iranduba as perdas somam R$16 mi. Os números referentes à Manacapuru e Careiro da Várzea estão sendo contabilizados e na próxima semana devem ser divulgados”, disse. “A partir de agora quem planta em terra firme vai abastecer Manaus”, complementa. Reis ainda informou que os municípios de Rio Preto da Eva, Itacoatiara e Presidente Figueiredo também fornecem produtos agrícolas à capital, com a contribuição dos agricultores que atuam na zona Leste de Manaus, responsáveis pela coleta de hortaliças. “Eles contribuem para que não falte os produtos nas prateleiras”.
Os 62 municípios do Amazonas contam com a atuação de técnicos do instituto que repassam as informações visualizadas in loco relacionadas ao quantitativo de famílias atingidas pelas águas. No total, o Idam conta com 66 escritórios distribuídos entre os municípios. O documento repassado pelo órgão também tem a finalidade de intermediar uma renegociação das dívidas entre o agricultor e o banco, que concedeu o financiamento para a prática agrícola.
“Emitimos um laudo aos agricultores que registram perdas e atuam por meio de financiamentos. Informamos ao governo federal e Estadual sobre a situação para que eles verifiquem as medidas a serem tomadas junto aos bancos e instituições de crédito”, explica o gerente.
O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, ressaltou que a federação pleiteia junto aos bancos e os governos federal e Estadual, o direito ao acesso ao seguro rural, que seria uma forma de os produtores serem indenizados por perdas na safra. O presidente disse que a exigência, como pré-requisito, da apresentação do zoneamento ecológico e econômico; e ainda do pagamento adiantado de um valor considerado alto, pelo recebimento da apólice; são fatores que dificultam o acesso dos trabalhadores à renda subsidiária. “Lutamos pela ampliação do seguro rural para a atividade agropecuária. É uma forma de os trabalhadores serem indenizados pelas perdas na safra”, anunciou.
Priscila Caldas
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