“Quando eu era criança, meu pai sempre vinha aqui tomar chope, e algumas vezes me trazia. Eu achava muito bacana ver aquelas pessoas sentadas às mesas, se divertindo, comendo e bebendo”, recordou Roberto Carvalho. Hoje, quase 40 anos depois, Roberto é o proprietário da tradicional Choperia São Marcos, por décadas o local preferido dos apreciadores de um chope gelado, inclusive seu pai, e que foi reinaugurada no dia 6 passado, depois de ficar fechada por cerca de um ano.
Roberto já tem experiência no segmento de bares. Em 2013, após a morte de Armando Soares, proprietário do também tradicional Bar do Armando, Roberto, que era genro de Armando, passou a administrar o local junto com a esposa.
“Depois nos separamos. Ela continua à frente do bar e eu procurei outro rumo. Quando vi que aqui estava fechado, fui atrás do proprietário, o Igo, bisneto do proprietário original, o português Antonio Faria. O Igo ficou à frente da choperia desde 2005, herdando de seu pai e avó, mas depois não levou o negócio adiante e alugou o espaço que virou uma loja de importados e ficou assim por quatro anos. A loja também fechou e agora estamos aqui, novamente com a Choperia São Marcos”, contou.
“Quando conversei com o Igo, falei que minha ideia era reviver o nome original, e ele gostou muito, afinal a Choperia São Marcos ficou na lembrança de diversas pessoas que aqui passaram horas de prazer e satisfação”, falou.
O jornalista Robson Carvalho frequentou o local na década de 2000 e não esquece até hoje do chope gelado com colarinho e do sanduíche de pernil. Já o historiador Aguinaldo Figueiredo lembrou que o local era frequentado “por boêmios, intelectuais, políticos e ‘bacanas’ da cidade e o bolinho de bacalhau era considerado o melhor da cidade”. Os mesmos acepipes podem ser encontrados novamente na choperia.
Restobar
Roberto manteve praticamente a mesma disposição da estrutura original da antiga choperia: mesas à frente e balcão, de onde saem os chopes, mais o caixa, ao fundo. As portas laterais, comuns nos casarões antigos, foram mantidas, porém com meias grades. Somente as da frente ficaram com passagem livre. “Apenas para direcionar o cliente para um único local de entrada e saída”, disse. 20 mesas de madeira ocupam o salão. “A lotação total é de umas 50 pessoas”, acrescentou.
O cardápio é praticamente o mesmo encontrado nos bons bares da cidade: os infalíveis bolinhos de bacalhau, de pirarucu, de piracuí, de charque; pastéis, salame, linguiça, queijo coalho, queijo bola, caldinho de feijão, sanduíche de pernil, pão com alho, entre outros petiscos.
“E também servimos almoço. Hoje a moda é o restobar e como muita gente que trabalha aqui no centro busca lugares para almoçar, também temos um cardápio de restaurante com banda de tambaqui assada, filé com fritas, frango a passarinho e diversos espetinhos de carne e frango mais porções extras”, disse.
Como nem só de chope vive uma choperia, na São Marcos são servidas cervejas, cachaças, uísques, vodkas, entre outras bebidas quentes.
“Estamos abrindo de segunda-feira a sábado, das 10h às 21h, na avenida Floriano Peixoto, 172, esquina com a rua Quintino Bocaiúva, bem ao lado do garajão. Clientes que frequentaram aqui há décadas já vieram fazer uma visita. Isso é muito bom”, lembrou.
História
Igo Luiz é o bisneto do português Antônio Faria que, na década de 1940, abriu a mercearia São Marcos, comércio típico dos portugueses que vieram para Manaus entre o final do século 19 e início do 20.
Depois, quem assumiu a mercearia, já na década de 1960 foi Luiz Faria, avô de Igo, transformando-a no Bar São Marcos e dando início à venda de cervejas e chope.
“Ele foi até o Rio de Janeiro comprar taças exclusivas para chope, porque não existiam em Manaus”, contou Igo.
Quando Luiz Faria morreu, em 1995, a choperia já havia se consagrado entre os amantes da bebida e sua esposa Maria Augusta, junto com o filho Tonico, pai de Igo, passaram a administrar o estabelecimento.
“Até hoje minha avó e meu pai estão vivos, mas em 2005 eu assumi a administração da São Marcos. Fiquei lá por sete anos, até 2012, mas tive alguns aborrecimentos à frente dos negócios e achei melhor alugar o ponto. Lá funcionou uma loja durante quatro anos, mas ela também fechou e assim ficou por cerca de um ano até o Roberto aparecer. Confesso que fiquei muito contente quando ele trouxe a proposta de reinaugurar a choperia porque minha família está nesse lugar há quase um século. Eu nasci aqui e tenho vivido toda a minha vida nesse ambiente”, disse.
“Estou torcendo para que a São Marcos prospere e se perpetue por um bom tempo”, completou.







