Classe C puxa alta no rendimento

Em: 24 de setembro de 2012
Ganho médio do trabalhador em 2011 foi de R$ 994 enquanto em 2009, essa quantia era de R$ 804
https://www.jcam.com.br/ppart24092012.jpg
Ganho médio do trabalhador em 2011 foi de R$ 994 enquanto em 2009, essa quantia era de R$ 804

O rendimento médio do trabalhador amazonense avançou 18,3% nos últimos dois anos. De acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE e divulgada na última sexta-feira (21), o ganho médio em 2011 foi de R$ 994, enquanto em 2009, essa quantia era de R$ 804.
Contabilizando o rendimento médio mensal do amazonense (que considera pessoas a partir de 10 anos de idade), o incremento passou para 19,4% no mesmo período, sendo o valor mediano do ano passado de R$ 1.062 contra os R$ 889 referentes a 2009.
Para o analista econômico e vice-presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, a expansão no poder aquisitivo do amazonense coincide com o surgimento da nova classe média -classes C, D e E, a partir da crise econômica de 2009.
“Após a crise houve uma grande oferta de crédito no país inteiro para estimular o consumo, que é o principal fator para girar a roda da economia. E para estimular esse consumo, os salários precisaram manter um padrão para adquirir os produtos disponíveis. No Amazonas não foi diferente”
A afirmação do economista coincide com os dados do IBGE que anotaram crescimento no consumo de microcomputadores, acesso à internet e telefones celulares.
Conforme o levantamento feito pelo órgão, 12,02% dos moradores do Amazonas possuíam microcomputador nos domicílios com acesso à internet. Dois anos depois, o percentual passou para 21,09%.
Os que possuíam telefone celular em 2009 representavam 42,56% do total e em 2011, a amostra cresceu para 59,3%.
Em contrapartida o número de moradores com telefone fixo e movél caiu de 25,4% para 20,59% do total, o que denota opção dos amazonenses pelo aparelho celular e serviços das operadoras.
Segundo Aderson Frota, esse crescimento é responsabilidade justamente dessa nova classe de trabalhadores que passaram a ter acesso a produtos como notebooks, televisores de LCD, smarthphone, entre outros.

Perfil do trabalhador

O relatório informou também que no ano passado, 793 mil pessoas estavam empregadas no Amazonas, aumento de 1,1% sobre 2009. Entre os que possuem carteira assinada, a pesquisa apontou para um aumento de 23 mil trabalhadores formalizados no ano anterior frente aos 385 mil contratados em 2009. No entanto, o Estado também registrou expansão no número de empregados sem carteira de trabalho assinada (+3,23%)
Das 1.531 mil pessoas a partir de dez anos ocupadas na semana de referencia da pesquisa, 51,7% estavam empregadas, 427 mil pessoas trabalhavam por conta própria (27,8%) e os que não recebiam remuneração representaram 8,3% do total (128 mil pessoas).
Para o resultado de 2012, Aderson Frota projeta uma continuidade no crescimento da renda, mas pondera que talvez o resultado em relação ao consumo seja menor. “Este ano, a capacidade de consumo do trabalhador está contida e o rigor dos bancos continua intenso, e este quadro ainda deve demorar um pouco a se adequar”, completou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar