Na primeira sessão após a divulgação do vídeo que provocou o afastamento do superintendente municipal de Transportes Urbanos, Marcos Cavalcante, vereadores usaram o Grande Expediente, na CMM (Câmara Municipal de Manaus) para se posicionar. Na manhã de ontem, depois de apresentar o vídeo à imprensa, o líder do PT na Casa, Ademar Bandeira, decidiu apresentar no Plenário, atendendo aos pedidos dos próprios colegas vereadores, um trecho da gravação que supostamente comprova a participação de Cavalcante no esquema ilegal de venda de licença do transporte executivo municipal.
A intenção do petista era sensibilizar os demais parlamentares a assinarem o pedido de CPI feito por ele, para investigar as possíveis irregularidades: “Eu queria mostrar os pontos nos quais pessoas relatam o esquema de corrupção dentro da SMTU, envolvendo tanto o presidente da pasta como alguns presidentes de cooperativas. E o dever desta Casa é investigar”, defendeu Bandeira, pouco antes da exibição do vídeo. No entanto, com pouco mais de dois minutos de exibição –que não acrescentaram fatos relevantes–, o presidente da CMM, Isaac Tayah (PSD), pediu que o resto da fita não fosse exposto, uma vez que não cabe ao Legislativo fazer acusações. “A Casa não pode ser parcial. Quem está cuidando disso é o Ministério Público. Nós não queremos que a Câmara seja palco de acusações indevidas, ou devidas, contra o sr. Cavalcante”, defendeu Isaac Tayah. O presidente garantiu ainda que irá disponibilizar cópias das mais de seis horas de gravação aos vereadores interessados.
MPE nega perseguição
Também na manhã de ontem, o Ministério Público Estadual divulgou uma nota oficial, assinada pelo procurador-geral do Estado, Francisco Souza, na qual esclarece não haver qualquer tipo de perseguição por parte do MPE contra a pessoa de Marcos Cavalcate e demais acusados, e que as ações instauradas pelo órgão são resultado de denúncias contra os réus, após todos os trâmites investigatórios. Cavalcante é acusado pelo MPE por formação de quadrilha e corrupção passiva com base em indícios de comercialização de licenças para o “ingresso ilícito” no sistema de transporte executivo de Manaus. O parecer foi assinado pela promotora Tereza Cristina Coelho. No último sábado, ele renunciou ao cargo de superintendente municipal de Transportes Urbanos, após a divulgação, na imprensa, dos vídeos que confirmariam a participação dele no esquema. Além de Marcos Cavalcante também estão sendo acusados Claudiomar Proença de Souza, Júlio Oliveira Mendes e Venício José de Araújo, todos eles presidentes de cooperativas do transporte executivo.






