A pauta de projetos a ser aprovada pelo Codam (Conselho de Desenvolvimento do Amazonas) na próxima semana aponta para uma queda de 62% no volume de novos investimentos no PIM frente à primeira reunião do ano realizada em janeiro, quando 24 projetos foram aprovados pelo conselho totalizando R$ 975 milhões em investimentos.
De acordo com as informações divulgadas pela Seplan-AM (Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico), no dia 3, o conselho vai avaliar 29 projetos que somam apenas R$ 371 milhões em investimentos.
A pauta ‘miúda’ apresenta retração ainda maior na comparação com a segunda reunião do mesmo período do ano passado, quando 41 projetos somaram investimentos de R$ 1,24 bilhão, representando queda de 70,1%.
Analisando a série histórica do Codam, os investimentos menos volumosos só perdem para a pauta da segunda reunião de 2010 (R$ 353,13 milhões), a menor já registrada pelo conselho para o período.
O número de projetos do período também reduziu nos últimos quatro anos. Segundo a secretaria, eram 60 em 2008, passaram para 41 em 2009, 32 em 2010, subiu apenas no ano passado com 41 pleitos e voltou a cair neste ano para 29.
A presença maior de projetos que visam fabricar bens intermediários exigindo assim uma menor injeção de capital pela simplicidade do processo de produção pode ser uma das razões para a aplicação minguante dos investidores no polo industrial.
“Estamos passando por ajustes nos setores. Houve muitos projetos no setor de duas rodas e agora outros estão sendo priorizados”, esclareceu o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende.
Ele acrescentou que o ano passado foi marcado por investimentos pontuais e volumosos. Ele lembra que na mesma época de 2011, a Videolar pediu aprovação para um projeto de R$ 500 milhões. Na mesma pauta, a Phitronics planejava investir R$ 180 milhões e a Masa outros R$ 160 milhões. Juntos, apenas os três projetos somavam R$ 840 milhões.
Outro motivo destacado pelo economista foi o impacto sentido devido ao cenário econômico. Segundo ele a queda é causada por conjunturais e não estruturais.
“A indústria obedece a demanda do mercado nacional. Como o setor ficou estagnado devido à crise externa e a insegurança do mercado, o reflexo se abateu sobre o número de investimentos”, explanou.
O assessor econômico da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas, explica que o investimento depende do tipo de produto. “Existem alguns produtos cuja fabricação não exige tanta injeção de capital e o retorno é bom para o empresário”, conta.
Ele detalha que empresas verticalizadas, ou seja, cuja toda ou maior parte do processo produtivo é realizado dentro da fábrica matriz, exige um investimento maior. “É o caso das motocicletas que precisam de diversas áreas como pintura, metalúrgica entre outras.Dessa vez, não há muitos projetos de empresas desse tipo”, constatou.
No entanto, ele avalia que a pauta anterior foi intensiva em investimento, mas defende que esta vai beneficiar os empregos, o que também é positivo, uma vez que o PIM tem passado por uma crise em diversos setores.
Para Ailson Rezende, a expectativa é de melhora para os próximos meses devido principalmente aos corte sucessivos na Selic –taxa básica de juros- que devem começa a estimular o consumo de forma mais forte daqui para frente.
Codam tem redução de investimentos
Em: 29 de abril de 2012
Projetos para bens intermediários marcam pauta da próxima reunião, com investimento de R$ 371 milhões
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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