Código Florestal é tema de debate entre empresários

Em: 31 de agosto de 2009
As tentativas de alterações do Código Florestal criaram um clima de guerra entre instituições ambientalistas e o setor do agronegócio
As tentativas de alterações do Código Florestal criaram um clima de guerra entre instituições ambientalistas e o setor do agronegócio

As tentativas de alterações do Código Florestal criaram um clima de guerra entre instituições ambientalistas e o setor do agronegócio. Com a justificativa de que a legislação ambiental brasileira trava o desenvolvimento econômico do país, a bancada ruralista da Câmara Federal vem atacando fortemente diversas conquistas que ajudam a preservar um pouco do que resta dos biomas brasileiros.
E o maior opositor a essas conquistas tem sido o Ministro da Agricultura, Reinold Stephanes, segundo o diretor da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani. “Esse senhor utiliza de um discurso terrorista para incitar a população contra o Código Florestal”, desafafou, em discurso dirigido a empresários da indústria paulista, na semana passada, em São Paulo.
Para Mantovani, o que os deputados que defendem os interesses do agronegócio querem é violentar leis ambientais que são exemplo para o mundo.”Vivemos uma agricultura de commodities, e são esses poucos grandes produtores que tem interesse em violentar nossa legislação”, afirmou.
A sociedade está cansada da forma como se faz política no Brasil, por meio de lobistas e interesses econômicos, de acordo com Mario Mantovani. “Todos estamos cansados desse discurso antiquado de que o meio ambiente atrapalha o desenvolvimento. Estamos resistindo ao máximo esse tipo de chantagem, vinda principalmente do Ministério da Agricultura”, disse.
O diretor da SOS Mata Atlântica denunciou que a questão deixou de ser o Código Florestal passando para um debate sobre toda a legislação. “Eles (ruralistas) querem desmontar todas a leis que lutamos para implementar, na Câmara já foram apresentados mais de 450 projetos de lei em sua maioria tentando acabar com as APP´s e a reserva legal. Esses coronéis tem que entender que a terra é patrimônio da população”, ressaltou.
Com produtividade de uma cabeça de gado para 2 a 3 hectares, a pecuária é o segmento que mais se opõe à políticas de preservação ambiental no país. “A sociedade já compreendeu que é possível preservação e desenvolvimento andarem juntos, mas alguns poucos insistem em destruir para aumentar seus lucros”, falou.
Mantovani citou a Lei da Mata Atlântica, regulamentada em 2008, como um dos maiores avanços na legislação ambiental brasileira.
“Não há dúvida de que existe a necessidade de uma reformulação do Código Florestal brasileiro, mas que busque um avanço nas relações e não retrocessos. Foi o que disse o presidente da comissão de meio ambiente da OAB/SP, Carlos Sanseverino.
De acordo com Sanseverino é preciso regionalizar a legislação, senão continuará sendo muito bonito no papel. “Cada estado tem suas peculiaridades e necessidades, e é assim que o Código Florestal deve ser olhado”, justificou.
O presidente do Conselho de Meio Ambiente da Fiesp, Walter Lazzarini, também criticou a forma agressiva com que alguns deputados querem imprimir reformas incoerentes a legislação ambiental. “O código é antigo, mas é o que salvou muito de nossos biomas, apesar de poucos realmente o respeitarem. É preciso achar um consenso construtivo entre as questões agrícola e ambiental. Não é o meio ambiente o vilão do desenvolvimento, e sim a falta de investimentos em políticas publicas que nos tornem competitivos ante as tarifas e subsídios dos países importadores”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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