José Mansour Seffair tinha apenas 14 anos de idade quando resolveu deixar a família, no Líbano, e atender ao chamado do irmão Gabriel que há algum tempo morava no Amazonas e ganhava a vida como regatão. Essa história aconteceu há quase um século, em 1910, e marcou o início da família Seffair primeiro em Manacapuru, depois em Manaus.
Naquela época, o Líbano era uma possessão francesa, por isso José Mansour havia estudado em bons colégios na França, mesmo assim optou pela aventura na inóspita floresta amazônica à vida de devaneios em Paris.
Com o irmão, já no batente, viajando pelos rios da região de Manacapuru, José Mansour desenvolveu a habilidade do comércio, qualidade comum aos povos da região de onde viera. Por pelo menos cinco anos o garoto ajudou o irmão até quando este achou ter chegado a hora de ambos se virarem sozinhos.
Manaus vivia a crise do comércio da borracha, mas ainda assim Gabriel disse ao irmão que viria montar um negócio na capital amazonense e que ele, José Mansour, deveria continuar como regatão, no que o rapaz concordou.
Mostrando que aprendera bem a lição com o irmão, não demorou para José Mansour expandir o seu negócio. Enquanto continuava a regatear pela região, montou um comércio em Caapiranga, numa ponta de ilha por onde várias embarcações passavam. Os negócios foram bem para o rapaz por alguns anos até que índios da região de Caapiranga mataram um amigo seu e começaram a ameaçá-lo. Sem pensar duas vezes, ele tratou de sair do lugar e instalar seu comércio em Manacapuru, exaltando-o através do nome.
Comerciante investe em unidade na capital
Em 1950, a economia de Manaus ainda estava cambaleante, totalmente dependente dos produtos que vinham de fora. José Mansour estava com 54 anos e doente. O filho mais velho tinha a idade dele quando começara o próprio negócio. O velho comerciante resolveu investir nos filhos e em Manaus, abrindo na cidade a loja J. Seffair e Cia. e colocando Alfredo e Jamil para tomarem conta, deixando Fuad no comércio de Manacapuru e seguindo para o Rio de Janeiro com a esposa para se tratar.
Com o passar dos anos, os irmãos Seffair se alternaram no comércio da família, não deixando mais que o pai, muito debilitado fisicamente, voltasse a trabalhar. Jamil casou e foi morar em Manacapuru, assumindo a Casa Nova Vida, enquanto Fuad veio para Manaus trabalhar como funcionário público e Alfredo continuou à frente da J. Seffair e Cia.
Em 1966, José Mansour morreu, aos 70 anos, e dois anos depois Jamil fechou a Casa Nova Vida para se dedicar à política na qual fez nome ao se reeleger deputado estadual por vinte anos, em cinco mandatos consecutivos. Com o fim da Casa Nova Vida e os filhos seguindo por caminhos tão distintos, parecia que o legado deixado por José Mansour estava se acabando. Engano. Alfredo nunca fechara a loja que o pai abrira para ele e o irmão, em 1950, e Fuad, que por vinte anos fora assessor do irmão político, resolvera ser comerciante, sem falar de João Bosco e Alegria, que também atuavam no comércio.
Em 1988, os irmãos resolveram dividir os bens deixados pelo pai e coube a Fuad, em acordo com Alfredo, assumir a J. Seffair e Cia., enquanto este montou nova loja em outro prédio da família.
Nome é homenagem a empreendedor
“Tão logo assumi a loja, junto com minha irmã, resolvemos colocar o nome de Nova Vida, numa homenagem ao nosso pai. No começo era uma loja de material de construção, mas à medida que íamos verificando as necessidades dos clientes, em grande parte vindos do interior, fomos mudando os produtos vendidos”, explicou Fuad. É assim que na Nova Vida podem ser encontrados do forno de fazer farinha à bateria para automóveis, das mangueiras às bandeiras do Brasil e do Amazonas, dos cabos elétricos aos materiais para camping, numa incrível profusão de produtos. “Verificamos os produtos que eram mais solicitados e os colocamos à venda”, disse.
Chega a ser curioso encontrar na loja pregos de um metro de comprimento para flutuantes ou lemes art







