Com 88 anos de história, Casa Nova Vida prospera

Em: 13 de julho de 2008
A Casa Nova Vida nasceu em 1920, quando José Mansour deixou de regatear passando a fornecer produtos para outros regatões tornando-se no que na época se chamava de aviador
A Casa Nova Vida nasceu em 1920, quando José Mansour deixou de regatear passando a fornecer produtos para outros regatões tornando-se no que na época se chamava de aviador

José Mansour Seffair tinha apenas 14 anos de idade quando resolveu deixar a família, no Líbano, e atender ao chamado do irmão Gabriel que há algum tempo morava no Amazonas e ganhava a vida como regatão. Essa história aconteceu há quase um século, em 1910, e marcou o início da família Seffair primeiro em Manacapuru, depois em Manaus.
Naquela época, o Líbano era uma possessão francesa, por isso José Mansour havia estudado em bons colégios na França, mesmo assim optou pela aventura na inóspita floresta amazônica à vida de devaneios em Paris.
Com o irmão, já no batente, viajando pelos rios da região de Manacapuru, José Mansour desenvolveu a habilidade do comércio, qualidade comum aos povos da região de onde viera. Por pelo menos cinco anos o garoto ajudou o irmão até quando este achou ter chegado a hora de ambos se virarem sozinhos.
Manaus vivia a crise do comércio da borracha, mas ainda assim Gabriel disse ao irmão que viria montar um negócio na capital amazonense e que ele, José Mansour, deveria continuar como regatão, no que o rapaz concordou.
Mostrando que aprendera bem a lição com o irmão, não demorou para José Mansour expandir o seu negócio. Enquanto continuava a regatear pela região, montou um comércio em Caapiranga, numa ponta de ilha por onde várias embarcações passavam. Os negócios foram bem para o rapaz por alguns anos até que índios da região de Caapiranga mataram um amigo seu e começaram a ameaçá-lo. Sem pensar duas vezes, ele tratou de sair do lugar e instalar seu comércio em Manacapuru, exaltando-o através do nome.

Comerciante investe em unidade na capital

Em 1950, a economia de Manaus ainda estava cambaleante, totalmente dependente dos produtos que vinham de fora. José Mansour estava com 54 anos e doente. O filho mais velho tinha a idade dele quando começara o próprio negócio. O velho comerciante resolveu investir nos filhos e em Manaus, abrindo na cidade a loja J. Seffair e Cia. e colocando Alfredo e Jamil para tomarem conta, deixando Fuad no comércio de Manacapuru e seguindo para o Rio de Janeiro com a esposa para se tratar.
Com o passar dos anos, os irmãos Seffair se alternaram no comércio da família, não deixando mais que o pai, muito debilitado fisicamente, voltasse a trabalhar. Jamil casou e foi morar em Manacapuru, assumindo a Casa Nova Vida, enquanto Fuad veio para Manaus trabalhar como funcionário público e Alfredo continuou à frente da J. Seffair e Cia.
Em 1966, José Mansour morreu, aos 70 anos, e dois anos depois Jamil fechou a Casa Nova Vida para se dedicar à política na qual fez nome ao se reeleger deputado estadual por vinte anos, em cinco mandatos consecutivos. Com o fim da Casa Nova Vida e os filhos seguindo por caminhos tão distintos, parecia que o legado deixado por José Mansour estava se acabando. Engano. Alfredo nunca fechara a loja que o pai abrira para ele e o irmão, em 1950, e Fuad, que por vinte anos fora assessor do irmão político, resolvera ser comerciante, sem falar de João Bosco e Alegria, que também atuavam no comércio.
Em 1988, os irmãos resolveram dividir os bens deixados pelo pai e coube a Fuad, em acordo com Alfredo, assumir a J. Sef­fair e Cia., enquanto este montou nova loja em outro prédio da família.

Nome é homenagem a empreendedor

“Tão logo assumi a loja, junto com minha irmã, resolvemos colocar o nome de Nova Vida, numa homenagem ao nosso pai. No começo era uma loja de material de construção, mas à medida que íamos verificando as necessidades dos clientes, em grande parte vindos do interior, fomos mudando os produtos vendidos”, explicou Fuad. É assim que na Nova Vida podem ser encontrados do forno de fazer farinha à bateria para automóveis, das mangueiras às bandeiras do Brasil e do Amazonas, dos cabos elétricos aos materiais para camping, numa ­incrível profusão de produtos. “Verificamos os produtos que eram mais solicitados e os colocamos à venda”, disse.
Chega a ser curioso encontrar na loja pregos de um metro de comprimento para flutuantes ou lemes art

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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