O comércio e a indústria do Amazonas mantiveram suas compras de mercadorias nacionais incentivadas neste ano, em um ritmo acima da média registrada pelas cinco unidades federativas que compõem a área de abrangência da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). De janeiro a dezembro, o valor nominal de PINs (Protocolos de Ingresso de Mercadoria Nacional) alcançados por ambos os setores atingiu R$ 31,1 bilhões e avançou 5,07% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado (R$ 29,6 bilhões). Os dados são da autarquia federal.
Somados, Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá totalizaram R$ 48,1 bilhões na internalização de mercadorias nacionais incentivadas no aglutinado dos dez primeiros meses do ano. O resultado foi apenas 1,05% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2021 (R$ 47,6 bilhões). O Estado obteve a maior fatia desse total, correspondendo a 64,66%. Mas, o melhor desempenho proporcional veio de Roraima, que cresceu 7,5%, puxado basicamente pelo comércio –que respondeu por 94,9% dos aportes.
Vale notar que os números da Suframa não levam em conta a inflação do período. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou inflação de 4,70% no acumulado dos dez primeiros meses deste ano. Quando se usa o indicador do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) chega-se à conclusão de que a soma das compras das cinco unidades federativas que integram a área de abrangência da Suframa ficou 3,53% abaixo do patamar registrado no exercício anterior. O Amazonas, por outro lado, marcou um virtual empate (+0,38%). A única expansão real veio mesmo de Roraima (+2,67%).
Manufatura em destaque
A Suframa destaca que, entre todas as unidades federativas de sua área de abrangência, o Amazonas é o único em que a dinâmica de internamento de mercadorias está concentrada em duas atividades, que teriam sido responsáveis por fatias praticamente idênticas de dispêndios para a formação de estoques. A indústria incentivada de Manaus respondeu por 48,3% das receitas voltadas para esse fim, enquanto o comércio teve 48,2% de participação. Em contrapartida, a atividade comercial foi dominante em Rondônia (91%), Amapá (96,2%) e Roraima.
A autarquia não forneceu os dados do Amazonas desagregados por setor. A Suframa ainda não divulgou os referentes a outubro. Os números mais recentes dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus afirmam, entretanto, que a indústria incentivada da capital amazonense elevou nominalmente seus dispêndios na aquisição de insumos nacionais, importados e regionais em 4,77%, nos nove meses iniciais de 2022. Com isso, o valor saltou de R$ 73,44 bilhões (2021) para R$ 76,95 bilhões (2022). Descontada a inflação do período, o aumento foi de apenas 0,67%.
Os gastos do PIM destinados exclusivamente para a aquisição de insumos manufaturados e vendidos por outras unidades federativas do país somaram R$ 12,57 bilhões. O valor correspondeu a 16,33% do passivo industrial voltado para formação de estoques de partes e peças, entre janeiro e setembro. O parque industrial despendeu, em média, R$ 1,40 bilhão a cada mês na compra de componentes made in Brazil, montante 18,64% superior ao da média do ano cheio de 2021 (R$ 1,18 bilhão). O acréscimo deflacionado foi de 13,93%.
“Momento de retomada”
O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), e vice-presidente executivo da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Antonio Silva, avalia que os indicadores mais rentes do PIM serviram para sacramentar com “chave de ouro” o ciclo de 2022, que já se aproxima do fim. O dirigente entende que, apesar de todas as dificuldades, o Polo Industrial de Manaus avançou com “indicadores salutares”, demonstrando a credibilidade do modelo Zona Franca de Manaus, em um “momento de retomada” e de “números crescentes”.
“Devemos, antes de mais nada, considerar questões sazonais e outras ainda advindas do período de instabilidade econômica e política, sem mencionar os problemas conjunturais do segmento industrial. De todo o modo, destaco o saldo positivo no ano. Nesse período de retomada, é importante que, no cômputo geral, a produção industrial apresente números globais positivos. Entendo que deveremos ter um último bimestre de relativa estabilidade com tendência positiva, encerrando o ano com um saldo positivo, ponderou.
Efeito vazante
O presidente em exercício da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, lamentou à reportagem do Jornal do Commercio que a Suframa não tenha conseguido separar os dados de internamento de mercadorias nacionais referentes a cada setor. “Lutamos o ano inteiro para que esses dados fossem fornecidos de forma clara por atividade. Mas, reverter 55 anos focados apenas na indústria é muito difícil. Mas, vamos conseguir”, lamentou.
O dirigente calcula que, com o setor terciário correspondendo à maior parte do PIB estadual, e da arrecadação e empregos gerados no Estado, seria de se esperar que este também respondesse pela maior parte das compras suframadas. “Não temos um número oficial. Porém, como somos a parcela mais expressiva da economia do Amazonas, avalio que nosso segmento (comércio e serviços) está vinculado a 85% do total anual de compras de mercadorias nacionais. Até porque a indústria compra mais insumos importados e adquire esporadicamente componentes nacionais”, asseverou.
Aderson Frota ressalta que os comerciantes têm buscado manter o nível de investimentos na formação e reposição de seus estoques, não apenas para atender à demanda, mas também para manter condições de negociação mais favoráveis com os fornecedores. Mas acrescenta que a inflação, problemas logísticos e mudança climática ajudaram a tornar a logística de aquisição de mercadorias ainda mais difícil –e cara em 2022.
Conforme o dirigente, a vazante atípica deste ano aumentou o custo das mercadorias, uma vez que os armadores passaram a cobrar ágio de aproximadamente R$ 10 mil pelo transporte de cada contêiner, para compensar a redução de peso das embarcações durante a vazante. Também estariam protelando rotas mais longas. Manter as compras em uma conjuntura de passivos crescentes e demanda oscilante, portanto, seria um desafio que sinaliza aumentar em 2023 –que já se anuncia como ano de recessão.
“Tenho conversado com empresários que atuam no varejo de produtos alimentícios, confecções, medicamentos e itens de higiene e beleza. Ouvi deles depoimentos negativos e positivos. Na média, eles esperam que o setor feche o ano com 5% de crescimento real nas vendas. Mas, uma das maiores preocupações é de uma projeção de seca inédita para o Amazonas. Estamos finalizando dezembro, e o nível das águas está próximo ao de meados do mês passado”, arrematou.







