Comércio espera receita de R$ 61 milhões com Páscoa

Em: 21 de março de 2023

O varejo da capital amazonense espera que as vendas para a Páscoa sejam 4% mais fortes neste ano, em comparação aos dados de 2022. A receita bruta aguardada é de R$ 61 milhões, para um ticket médio de R$ 160 e uma expectativa de vender para 3 de cada quatro consumidores locais. Confiante no potencial da data, os comerciantes ampliaram em 8,57% as compras de chocolate ante o exercício anterior, de 35 mil para 38 mil toneladas. É a maior quantidade adquirida pelo setor, nos últimos quatro anos. É o que revela a pesquisa da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus).

A entidade informa ainda que, por conta da data comemorativa, os estabelecimentos também estão reforçando as contratações para melhor atender a clientela. É uma boa notícia para o setor, que marcou seu segundo mês de saldo negativo de empregos com carteira assinada em janeiro, conforme os dados mais recentes do ‘Novo Caged’ para a capital amazonense. No total, foram eliminadas 900 vagas formais no primeiro mês do ano, o que representou um declínio de 0,84% nos estoques da atividade, em uma rodada de demissões mais severa do que a dezembro (-134). 

“Tudo isso está acontecendo. As lojas vão estar prontas para vender e acredito que o resultado será muito bom para a sociedade. O crescimento desse período é bem esperado e temos muitas decorações. O comércio vai reforçar um pouco [as contratações]. Empresas como Nestle, Bauducco, Rochedo, entre outras, vão ter vendedores extras nas lojas. Já tivemos em torno de 250 a 300 inscrições, só para agitar esta época”, enfatizou o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag.

A melhor notícia é que 77% dos consumidores de Manaus garantem que vão comprar chocolates nesta Páscoa. Quem está nesse grupo está disposto a dispender R$ 160, em média. A maioria espera gastar de R$ 101 a R$ 200 (36%), acompanhada de perto por aqueles que espera dispender entre R$ 51 e R$ 100 (30%) e até R$ 50 (21%). Na sequência, e já a uma boa distância, estão aqueles que devem elevar a despesa para as faixas de R$ 201 a R$ 400 (6%) e acima de R$ 400 (4%), mas 3% ainda não definiram o valor. 

Motivos para comprar

Os motivos apontados para a compra são o gosto pelo chocolate (56%), tradição (16%), o gosto por presentear (13%), a consideração de que “é um gesto importante” (11%) e “outros” (4%). Em linha com os tempos de incertezas e de idas e vindas no PIB, inflação, juros e taxas de endividamento e inadimplência, os principais motivos listados pelos entrevistados que dizem que não vão comprar nada neste ano são essencialmente econômicos. Nada menos do que 67% apontam os “preços elevados” como justificativa, enquanto os 33% informam que estão simplesmente “sem dinheiro”.

Entre os consumidores que já se decidiram pela compra, 64% dizem que vão comprar ovos de chocolate, 51% optaram por caixas de chocolates, 28% preferem barras de chocolate, 23% querem ovos caseiros, 9% escolheram colombas pascais, e 4% indicaram “outros produtos”. “Já houve um aumento de compras por partes dos lojistas, em uma grande variedade. O tamanho médio deu uma diminuída em relação aos anos anteriores, justamente para o preço não ficar tão alto e caber no bolso dos consumidores. Antes o comércio vendia muitos ovos de 400 gramas, mas agora caiu para 350, 280 gramas”, pontuou o presidente da CDL-Manaus. 

Um diferencial da pesquisa é que, desta vez, o fator “qualidade do produto” é o que conta com o maior percentual de preferências (77%) entre os fatores que influenciam a compra. O que não impede que “promoções e descontos” sejam destacados por nada menos do que (66%). Diversidade de produtos (47%), atendimento (30%), facilidade no acesso (30%), facilidade de pagamento (28%), frete grátis (21%) e comodidade (19%) também foram listados. A CDL-Manaus explica que os entrevistados puderam escolher mais de uma opção nesse quesito.

Pagamentos e locais

Em sintonia com a escalada das taxas de juros, o consumidor de Manaus continua fugindo do crédito e de qualquer possibilidade de endividamento e inadimplência. A maioria diz que vai fazer suas compras à vista, seja em cartão de débito (43%), em dinheiro (40%), ou no Pix (25%) – que vem ganhando mais preferência. Mas há quem ainda prefira cartão de loja/crediário próprio (40%), e cartão de crédito parcelado (34%) ou à vista (17%), ao passo que 9% ainda estão indecisos. A CDL-Manaus destaca que “o gráfico não fecha em 100%” porque as respostas também vieram de múltiplas escolhas.

Os supermercados e hipermercados são apontados como o local preferido para adquirir o chocolate da Páscoa deste ano por 34% dos consumidores ouvidos pela CDL-Manaus. A lista inclui também shoppings centers (30%), confeitarias pertencentes a autônomos (19%) e comércio de bairros (6%). Tradicional ponto de compras de Manaus, o Centro é, desta vez, a opção de apenas 4%, empatando com a internet e as lojas virtuais, e à frente apenas de “outros locais” (3%).

Os presenteados são preferencialmente filhos (43%), mas também pais e mães (40%), cônjuges (38%), sobrinhos (30%), namorados/namoradas (21%), irmãos e irmãs (21%), amigos e amigas (11%), netos e netas (9%), colegas de trabalho (9%), avós e avôs (6%), afilhados e afilhadas (6%) e outros (8%). Indagados sobre onde pretendem passar a Páscoa, 68% responderam que vão  ficar em casa, mas há quem prefira a casa de parentes (13%), a casa dos pais (9%) e até em viagem (2%), embora 6% ainda não tenham definido esse quesito.

“A data é de uma importância muito grande para o comércio e para a sociedade toda. É um momento de união em torno do sabor do chocolate, para adultos e crinaças . Principalmente depois de termos passado por complicações pela pandemia, em 2020, 2021 e até o começo de 2022. Neste ano, todos estão querendo se reunir em suas casas, fazer festas e aproveitar. Então, teremos esse crescimento”, concluiu Ralph Assayag

Boxe ou coordenada: Saiba mais sobre a pesquisa

A pesquisa da CDL-Manaus foi realizada via Google Formulários e aplicada através de e-mail marketing e aplicativo de mensagens instantâneas, entre 6 e 10 de março de 2023. No total, foram ouvidas 2.118 pessoas, entre mulheres (59%) e homens (41%), divididos entre as faixas etárias de 18 a 24 anos (29%), entre 30 e 39 anos (24%), de 40 a 49 anos (23%), entre 25 e 29 anos (15%), e acima dos 50 anos (9%). A maior parcela de consumidores ouvidos está na zona Leste (19%), sendo seguidos pelos residentes nas zonas Norte, Centro-Oeste (ambas com 17%), Oeste, Sul (os dois com 16%) e Centro-Sul (15%).

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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