Impulsionada apenas pelas exportações, a corrente de comércio exterior do Amazonas perdeu vigor em outubro. Os números extraídos do site Comex Stat revelam que a soma de aquisições e vendas no mercado estrangeiro não passou de US$ 1.35 bilhão, ficando 11,76% abaixo do dado de setembro (US$ 1.53 bilhão). O confronto com igual intervalo do exercício anterior (US$ 1.43 bilhão) revelou decréscimo de 9,09%. A base de dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) informa que o acumulado do ano (US$ 14.56 bilhões) marcou empate estatístico (-0,20%) com o valor apurado no exercício anterior (US$ 14.59 bilhões).
O dado positivo veio das vendas externas. Puxadas pelos concentrados para refrigerantes, ouro, motocicletas e ferro-ligas/nióbio, remetidos principalmente para a Alemanha, Argentina e Colômbia, as exportações do Amazonas saíram de US$ 66.92 milhões, em setembro, para US$ 93.55 milhões, em outubro, configurando ganho nominal de 39,79%. A comparação com a marca de 12 meses atrás (US$ 56.42 milhões) resultou em uma escalada de 65,81%. Os dez primeiros meses do ano, no entanto, registraram apenas US$ 742.26 milhões em embarques ao exterior, volume ainda 12,27% mais fraco do que o contabilizado em igual período do exercício anterior (US$ 846.04 milhões).
A dinâmica foi diferente nas importações, que são majoritárias. A cifra obtida em outubro (US$ 1.26 bilhão) ficou abaixo do registro de setembro (US$ 1.47 bilhão), por uma diferença de 14,28%. O resultado também foi 8,69% inferior ao do mesmo mês do exercício anterior (US$ 1.38 bilhão) – quando o Polo redobrava esforços na ampliação de estoques para enfrentar um segundo ano de vazante extrema. Ainda assim, o saldo do acumulado do ano conseguiu se sustentar no campo positivo, embora ainda resvale na estabilidade estatística. A alta foi de somente 0,51%, com US$ 13.82 bilhões (2025) contra US$ 13.75 bilhões (2024).
A análise trimestral, que é usada por especialistas para captar tendências, mostra que o incremento de outubro consolida retomada nas vendas externas do Estado. Em paralelo, há um desaquecimento na aquisição de insumos para o Polo Industrial de Manaus. As importações do Amazonas somaram R$ 4.05 bilhões no trimestre encerrado em outubro. O montante é 4,25% menos forte do que o conseguido no acumulado de maio a julho (US$ 4.23 bilhões). A mesma comparação confirma viés de alta para as exportações do Amazonas, que passaram de US$ 218.02 milhões para US$ 246.91 milhões, uma diferença de 13,25%.
Insumos e manufaturados
Partes e peças para o PIM reforçaram sua posição no ranking das importações. A lista foi liderada por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 225.47 milhões), discos, fitas e outros suportes para gravação (US$ 85.14 milhões) e óleos de petróleo (US$ 83.90 milhões). Com 598 produtos, a pauta incluiu ainda polímeros etileno (US$ 81.28 milhões), partes e acessórios para veículos de duas rodas (US$ 63.57 milhões), platina (US$ 62.56 milhões), kits para celulares (US$ 51.56 milhões), e kits para “máquinas e aparelhos de ar condicionado” (US$ 36.78 milhões), entre outros.
A China (US$ 471.31 milhões) renovou liderança no ranking mensal dos fornecedores para o PIM, embora com resultado 14,62% menos robusto do que o de um ano atrás (US$ 551.99 milhões). As posições seguintes foram ocupadas por EUA (US$ 116.93 milhões), Vietnã (US$ 85.07 milhões), Rússia (US$ 83.41 milhões), Coreia do Sul (US$ 69.82 milhões), Taiwan/Formosa (US$ 65.74 milhões), Índia (US$ 59.62 milhões), Japão (US$ 57.53 milhões), África do Sul (US$ 31.43 milhões) e Tailândia (US$ 28.71 milhões), entre as 92 nações que venderam produtos ao Estado, no mês passado.
Em uma pauta de 358 produtos, as preparações alimentícias/concentrados (US$ 20.99 milhões), ouro (US$ 18.89 milhões) e motocicletas (US$ 13.04 milhões) aparecem como os produtos mais exportados pelo Amazonas em outubro. As posições seguintes foram ocupadas por ferro-ligas/nióbio (US$ 9.65 milhões), barbeadores/lâminas (US$ 3.63 milhões), televisores (US$ 2.68 milhões), circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 2.39 milhões), máquinas e aparelhos de escritório”, como distribuidores de papel-moeda (US$ 1.93 milhões), entre outros produtos.
A Alemanha (US$ 20.36 milhões), que adquiriu basicamente ouro, retornou ao topo do ranking de exportações. Foi acompanhada no pódio pela Argentina (US$ 10.70 milhões) e pela Colômbia (US$ 10.31 milhões), que priorizaram os manufaturados da ZFM. A China (US$ 8.41 milhões), que havia liderado a pauta no mês anterior caiu para a quarta posição, sendo lastreada pela aquisição de ferro-ligas/nióbio. Outros compradores de destaque foram EUA (US$ 7.55 milhões), Venezuela (US$ 5.71 milhões), Bolívia (US$ 4.25 milhões), Paraguai (US$ 3.58 milhões), e Uruguai (US$ 2.96 milhões), em um total de 65 registros.
“Cenário animador”
O diretor adjunto de Infraestrutura, Transporte e Logística da Fieam, coordenador da Comissão de Logística do Cieam e professor da Ufam, Augusto Cesar Barreto Rocha, destacou à reportagem que os números isolados da balança comercial da indústria incentivada amazonense foram muito melhores do que os dados globais do Estado. Segundo o especialista, as importações do PIM ultrapassaram a marca de US$ 1.30 bilhão em setembro, sendo 22,64% maiores do que as do mesmo mês de 2024. Já o acumulado dos nove meses do ano superou os US$ 11.37 bilhões e atingiu alta de 5,47%.
“Talvez, a leitura dos dados globais mostre mais uma reacomodação na importação de combustível/petróleo. Retirando as commodities, temos um cenário diferente, e de escalada marcante. Há um aquecimento visível na economia: os empregos seguem em alta e o comércio exterior, que poderia retardar pela seca, não retardou. Assim, o cenário é animador. Sobre a razão do crescimento da exportação, parece-me que é relevante, mas talvez não se mantenha em um patamar tão alto até o final do ano”, analisou.
Para o especialista, o cenário é positivo para o comércio exterior do PIM. “Temos tendência de estabilização neste patamar até o final do ano. Os estoques já estão bem abastecidos para as produções que abastecerão o Natal. Os produtos para a Black Friday já estão nos centros de distribuição, ou na fase final de trânsito. Falando especificamente das linhas de produção de ar-condicionado, uma análise aponta possível aumento de estoque na cadeia de produtos. Talvez uma redução se avizinhe por uma estabilização deste mercado, após o grande crescimento experimentado nos dois últimos anos”, analisou.
O gerente executivo do Centro Internacional de Negócios da Fieam, Marcelo Lima, assinalou à reportagem que as variações nos números do Mdic não apresentaram impacto significativo e refletem oscilações do mercado. “O mercado nacional demonstra tendência de crescimento e a estabilidade cambial exerce influência significativa. As motocicletas se mantêm entre os quatro principais produtos de exportação, assim como barbeadores e kits para máquinas de corte. A perspectiva para o último trimestre é de aumento substancial nas vendas, enquanto as importações devem se manter estáveis, devido à desaceleração na compra de componentes”, arrematou.







