No mês do dia das Crianças, o varejo do Amazonas interrompeu uma sequência de quatro meses de baixa para voltar a acelerar nas vendas. O desempenho, contudo, foi insuficiente para permitir crescimento na base anual, além de eliminar os ganhos do acumulado do ano, o que não ocorria desde março – período ainda marcado pelo rescaldo da segunda onda. O mesmo não se deu na receita nominal, graças ao efeito inflacionário. Mas, em ambos os casos, o Estado perdeu para a média nacional em todos os cenários, em um mês em que 17 das 27 unidades federativas cresceram. É o que revelam os dados da PMC (Pesquisa Mensal do Comércio), do IBGE.
O comércio amazonense avançou 0,6%, na variação mensal, após os tropeços seguidos de junho (-3,7%), julho (-2,8%), agosto (-1,6%) e setembro (-0,6%). Em relação a outubro do ano passado, o varejo local sofreu decréscimo de 9,4% no volume de vendas. O acumulado do ano (-0,8%) entrou no campo negativo, após seis meses seguidos de alta. Em 12 meses, o setor avançou apenas 1,2% em âmbito estadual, e continua tendo seus resultados erodidos mês a mês. O Estado perdeu para a média nacional em todas as respectivas comparações (-0,1%, -7,1%, +2,6% e +2,6%).
O setor encolheu em dez das 27 unidades federativas brasileiras, na variação mensal. Apesar do acréscimo de 0,6%, o Estado tombou do sétimo para o 12º lugar do ranking, empatando com o Distrito Federal. Os melhores números vieram do Acre (+3%), Alagoas e Rondônia (ambos com +2,4%), enquanto Amapá (-2,8%), Roraima (-2,3%) e Mato Grosso (+0,2%) ficaram no rodapé. Em dez meses, o Estado despencou da terceira para a 22ª posição, em uma lista liderada pelo Piauí (+13,9%) e encerrada por Tocantins (-8,7%).
Vitaminada pela inflação, a receita nominal do setor foi novamente melhor em todas as comparações. Em relação a setembro de 2021, indicou alta de 0,8%, em resultado melhor do que o da sondagem anterior (+0,4%). No confronto com outubro de 2020, o varejo do Amazonas conseguiu crescer 1,6%. O saldo dos dez primeiros meses do ano (+12,2%) também seguiu no azul, assim como o do aglutinado dos 12 meses (+13,1%). As respectivas médias nacionais também foram todas positivas: +0,7%, +6,2%, +15,2% e +14,2%.
Mesmo com variação mensal positiva, o Amazonas acabou decrescendo da nona para a 14ª posição, sendo uma das 21 unidades federativas a avançar nesse tipo de comparação. Acre (+4,4%), Tocantins (+3,7%) e Alagoas (+3,6%) dividiram o pódio, ao mesmo tempo em que Rio de Janeiro (-2,1%), Roraima (-1,5%) e Amapá (-0,7%) amargavam os piores números. No ano, o Estado se caiu da 19ª para a 21ª colocação. Piauí (+26,8%), Amapá (+25,7%), e Mato Grosso do Sul (+21,5%) encabeçaram a lista. Em contraste, Tocantins (+0,1%), Distrito Federal (+7,2%) e Paraíba (+9,2%) ficaram nos últimos lugares.
Veículos e construção
Na média nacional, cinco das oito atividades pesquisadas pontuaram estabilidade no campo negativo, entre setembro e outubro. As quedas se deram em livros, jornais, revistas e papelaria (-1,1%); móveis e eletrodomésticos (-0,5%); combustíveis e lubrificantes (-0,3%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%); e artigos farmacêuticos (-0,1%). Apenas equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+5,6%); artigos de uso pessoal e doméstico (+1,4%); e tecidos, vestuário e calçados (+0,6%) avançaram.
Em razão do tamanho da amostragem, o IBGE ainda não segmenta o desempenho do comércio no Amazonas. Sabe-se que o varejo ampliado local – que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção – só foi melhor do que a média do setor no Estado, na variação mensal e no comparativo anualizado. O volume de vendas encolheu 0,8%, no confronto com setembro de 2021, e desabou 12,4% em relação a outubro do ano passado. A atividade subiu 0,7% nos dez meses do ano e 2,9%, no acumulado dos 12 meses. Em todo o país, as respectivas variações foram -0,9%, -7,1%, +6,3% e +5,7%.
Já a receita nominal do varejo ampliado do Amazonas ficou negativa em 0,5%, na variação mensal, e retrocedeu 0,9%, na anual. Os resultados em valores correntes do caixa dos lojistas locais avançaram 13,6% no acumulado de janeiro a outubro de 2021 e foram positivos em 15%, na variação anualizada dos 12 meses. Na média brasileira os números foram +0,1%, +7,1%, +19,9% e +18,3%, na ordem.
“Resultado tímido”
Diante dos dados de vendas registrados pelo varejo amazonense, em outubro, o Chefe do IBGE no Amazonas, José Ilcleson Mendes Coelho, reforçou que outubro voltou a ser um período favorável ao comércio do Amazonas, após quatro meses consecutivos de queda. O pesquisador considerou que o resultado foi positivo, embora tímido, com o agravante de que o novo desempenho negativo de praticamente dois dígitos em relação ao patamar de 12 meses atrás pode indicar o sepultamento das expectativas do setor fechar o ano no azul, a despeito do fator sazonal.
“Os dados mensais mostram que o faturamento ainda está abaixo do ano passado, o que levou à queda no desempenho anual. Isso pode levar a atividade a fechar com queda, o que não ocorre desde 2016. Mesmo o varejo ampliado, mostrou queda nas comparações do mês. Geralmente, os meses de novembro e dezembro têm boas vendas, por causa das festas de fim de ano. No entanto, a média móvel trimestral está negativa. Devemos aguardar os próximos resultados para podermos verificar o fechamento de 2021”, frisou.
“Poder de compra”
O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, assinalou à reportagem do Jornal do Commercio que o nível de crescimento do comércio amazonense detectado pelo IBGE, em outubro, já era esperado pelo setor, em meio a um ambiente de avanço de preços, juros, endividamento e incertezas econômicas em geral. Diante disso, o dirigente prefere não arriscar projeções para 2021. “O maior vilão são a inflação e o perca do poder de compra do consumidor, que andam juntas. Não temos como recuperar toda essa diferença em novembro. É difícil. Mas, vamos aguardar dezembro. Pode até surpreender”, resumiu.
Na mesma linha, o presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, considerou que o varejo local colecionou “indicadores modestos”, em outubro. “A performance do varejo se depara com juros e inflação com patamar elevado, além da alta do combustível, que influencia diretamente nos transportes de massa e de abastecimento. Creio que a retração do consumo obedece a dois fatores: a diminuição do poder de compra e a cautela com o endividamento por parte do consumidor”, concluiu, acrescentando que “acha prudente” aguardar alta ou baixa de apenas um dígito, no final do ano.







