Comércio justo é tema de seminário

Em: 19 de agosto de 2008
O comércio justo e solidário, que envolve a produção sustentável de mercadorias criadas por grupos de produtores à margem do sistema tradicional de comércio, vem crescendo constantemente no mundo.
O comércio justo e solidário, que envolve a produção sustentável de mercadorias criadas por grupos de produtores à margem do sistema tradicional de comércio, vem crescendo constantemente no mundo.

O comércio justo e solidário, que envolve a produção sustentável de mercadorias criadas por grupos de produtores à margem do sistema tradicional de comércio, vem crescendo constantemente no mundo. Surgido na década de 60 para proporcionar oportunidades de desenvolvimento econômico, social e político a esses grupos, a prática hoje reúne cerca de um milhão de produtores de vários setores em mais de 50 países.
Com o objetivo de proporcionar, pela primeira vez, aos grupos produtivos nacionais a oportunidade de fechar negócios com compradores brasileiros e estrangeiros, o Sebrae promoverá nesta terça-feira e quarta-feira (19 e 20) o ‘I Encontro Internacional de Comércio Justo e Solidário’ no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro. No evento, serão realizados painéis e palestras com especialistas nacionais e internacionais do setor que debaterão os rumos e o crescimento desta prática no Brasil e no mundo.
Este é o primeiro encontro de negócios de comércio justo e solidário promovido pelo Sistema Sebrae no país. Cerca de cem grupos de produtores de dez Estados estarão distribuídos em estandes para apresentar seus artigos, desde produtos agrícolas a artesanato, como bolsas de fibra de bananeira e camisetas em algodão ecológico, entre outros. São esperadas cerca de 500 pes­soas de todo o Brasil e de outros 42 países.
Na ocasião, estarão presentes representantes do Sebrae Nacional e de suas unidades no Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, além de representantes da Ifat (Associação Internacional de Comercio Justo), da Secretaria Nacional de Economia Solidária e da ONG Onda Solidária. Para participar basta se inscrever gratuitamente no site www.sebraerj.com.br.

Condições justas

O principal objetivo do comércio justo e solidário é garantir qualidade de vida e perspectiva de futuro a empreendedores, por meio do comércio de seus produtos e serviços em condições justas. Para isso, a atividade estabelece contato direto entre comprador e produtor, eliminando a figura do mau intermediário.
Os princípios básicos de uma produção caracterizada pelo comércio justo são: a eliminação dos níveis de intermediação comercial especulativa e de discriminação de raça, gênero e religião, a erradicação do trabalho infantil e escravo, a preservação da saúde e do meio ambiente, a garantia de pagamento de preços justos aos pequenos produtores e relações duradouras, o respeito aos direitos trabalhistas, o estabelecimento de demandas de longo prazo e de políticas de relações éticas transparentes e co-responsáveis entre os diversos elos da cadeia produtiva.
O resultado deste conceito é a remuneração justa e uma relação comercial estável, além do desenvolvimento sustentável da comunidade. De acordo com dados da entidade internacional de certificação FLO (Fair Trade Labelling Organisations), o comércio justo internacional certificado cresceu, nos últimos cinco anos, a taxas anuais acima de 20%. O Brasil conta atualmente com 31 operadoras certificadas pela FLO.

Redes no Brasil

No Brasil, o comércio justo é desenvolvido há seis anos, por meio do Fórum de Articulação de Comércio Ético e Solidário do Brasil (Faces do Brasil), que congrega redes de pequenos produtores da economia solidária, ONGs e organizações públicas e privadas de fomento e apoio a iniciativas produtivas, como o Sebrae. No Rio de Janeiro, a entidade começou a colocar em prática os princípios do comércio justo e solidário em alguns grupos produtivos por acreditar que a prática é uma tendência e um importante caminho a ser seguido por pequenos empreendedores.

Sebrae propaga princípios no país

O projeto sobre comércio justo tornou-se modelo para o Sebrae e passou a ser implantado em outros Estados. De acordo com o superintendente do Sebrae/RJ, Sergio Malta, hoje a instituição acompanha e apóia o desenvolvimento de 30 grupos fluminenses. Entre os principais produtos estão mel, banana, café, açúcar mascavo, tecido de algodão ecológico e confecção. “Atuamos em três frentes para o crescimento da atividade: com os produtores, capacitando-os e explicando o conceito; com os consumidores, disseminando os princípios e com distribuidores e empresas, para que eles passem a consumir produtos de acordo com os princípios da atividade”, afirma.

Apoio na prática

Um exemplo de grupo apoiado pelo Sebrae/RJ é a Razão Social, confecção de Petrópolis que já tem uma loja e comercializa roupas de algodão ecológico, malha de PET e fibra de bambu. Antes de se organizarem e atuarem dentro dos princípios de comércio justo e solidário, as profissionais recebiam de R$ 0,50 a R$ 0,80 por camiseta costurada, pois era o preço pago pelos intermediários. Dentro do comércio justo e solidário, elas puderam cobrar, sem qualquer intermediação, o valor de R$ 1,50 por peça, exportando direto para a França com apoio da ONG Onda Solidária.
O Sebrae/RJ atuou junto ao grupo, disseminando conceitos de mercado, formação de preço e financiamento para aquisição de equipamentos. “Passamos a ter uma nova mentalidade do negócio. Hoje contabilizamos melhor o valor do trabalho e aprendemos que não podemos trabalhar com valores abaixo da média. Com isso, conseguimos melhorar a relação com os compradores e aumentar a produção”, conta Érica Santos da Costa.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar