Sejamos sinceros: Esconder problemas “embaixo do tapete” sempre foi uma tendência da gestão tradicional das empresas – provavelmente uma conseqüência natural do comportamento típico do ser humano, que sempre preferiu se gabar dos sucessos a falar dos fracassos.
Pois o Sistema Lean, filosofia de produção que tornou a Toyota a maior do mundo, prega exatamente o contrário: Uma das premissas mais relevantes desse sistema – que é hoje o mais copiado entre as empresas – é a necessidade de expor problemas. O objetivo é sempre comparar, de forma simples, clara e transparente, o que ocorre na prática em comparação com os planos que foram desenvolvidos.
Para se fazer isso, o Sistema Toyota desenvolveu uma série de ferramentas. Por exemplo, o chamado “Andon” (palavra que significa lâmpada em japonês), um dispositivo que emite um sinal (uma luz, um som…) sempre que ocorrer algum defeito numa máquina ou num processo. O mais importante é identificar claramente o problema – para que ele possa ser resolvido definitivamente.
Mas em muitas empresas tradicionais a questão é ainda mais grave: a simples palavra problema chega a ser um tabu. Muitos dos seus profissionais preferem usar a expressão “oportunidade de melhoria”, quando, na verdade, o que se está por trás é, realmente, um problema.
Podemos até listar razões que explicam porque parece tão difícil expor falhas nas empresas tradicionais:
1 – Pouca estabilidade e em constantes situações de “muri” – termo que no Sistema Lean quer dizer “sobrecarga”. Quando o caos prevalece, não há tempo para expor, analisar e resolver problemas porque muita coisa está fora do controle. Prevalece o “apagar incêndios”, mas é bom que se saiba que sobrecargas constantes indicam que o sistema opera acima da capacidade.
2 – Não há planos estabelecidos. Nesses casos será realmente impossível revelar problemas se não se sabe como deveria ser a situação ideal. Em outras palavras: se não há uma definição do que é possível e necessário produzir com determinados tempo e recurso, como é possível saber se as coisas vão bem ou mal?
3 – Profissionais com medo de serem identificados com o problema. Ou, pior ainda, serem responsabilizados como sendo a causa das falhas. Assim, muitas pessoas preferem esconder, mentir ou omitir um problema, temendo serem punidas, vistas como incompetentes ou responsáveis por ele. É um equívoco. Primeiro porque falar a verdade é base da honestidade e o princípio número zero do Sistema Lean. Além disso, na maioria das vezes os problemas estão nos processos e não nas pessoas. Isso não significa que pessoas não errem, pois errar é humano. Deve-se, então, identificar se houve seleção e treinamento adequados ou se o trabalho não está claramente definido e padronizado. O importante é identificar as causas e tomar as medidas necessárias para evitar o mesmo erro repetidamente.
E também pode se definir alguns passos básicos para se garantir que os problemas sejam expostos e resolvidos. Primeiro, definir claramente os planos de negócios, ainda mais em épocas de grande turbulência – planos que precisam ser frutos de consenso e obter comprometimento de todos os envolvido para garantir a execução. Segundo, gerenciar visualmente: utilizar processos Lean que mostrem de forma visual o que está acontecendo em cada momento. Isso não significa simplesmente mostrar avalanches de dados nas paredes, mas mostrar a ação necessária para corrigir imediatamente o que está fora do previsto. E, por fim, definir regras de acompanhamento: definir poucos, claros, confiáveis e relevantes indicadores. E acompanhá-los de forma padronizada (quem, quando e como).
Tudo isso ajuda a ser duro com os problemas e suave com as pessoas, pois evita a personalização das falhas.
E o principal: a palavra problema não deve ter uma conotação negativa. Precisa simplesmente indicar que existe uma necessidade de correção ou ajuste no sistema, quando o mesmo não se comporta de acordo com o previsto, o que quase sempre acontece.
É como dizem diversos colaboradores da Toyota: “o problema é não ter problema”.
Como se diz na Toyota, ‘problema é não ter problema’
Em: 2 de abril de 2009
Sejamos sinceros: Esconder problemas “embaixo do tapete” sempre foi uma tendência da gestão tradicional das empresas – provavelmente uma conseqüência natural do comportamento típico do ser humano, que sempre preferiu se gabar dos sucessos
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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