Pesquisa da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus) indica que o consumidor amazonense vai voltar a priorizar o dinheiro extra do 13º salário para quitar dívidas. A parcela do benefício reservada para manter o nome limpo na praça (39%) também deve ser maior do que a registrada no levantamento do ano passado (28,20%). A mesma sondagem aponta, no entanto, que as intenções de compras de bens semiduráveis e duráveis também cresceu, o que traz um dilema, em tempos de comprometimento de renda pelas altas da inflação, dos juros e do dólar.
Dados do Ministério da Economia, Rais (Relação Anual de Informações Sociais), Novo Caged, Boletim Estatístico da Previdência Social, Siconfi (Secretaria do Tesouro Nacional), Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre outros, cruzados e calculados pela CDL-Manaus, indicam que os pagamentos de 13º salários devem injetar uma cifra superior a R$ 2,51 bilhões na economia do Amazonas, até dezembro de 2021. A estimativa é que 882.385 pessoas vão auferir o benefício, com valor médio de R$ 2.577,48.
A maioria dos amazonenses que receberá o 13º (663.966) está no mercado formal de trabalho, divididos entre assalariados dos setores público e privado (635.116) e os trabalhadores do serviço doméstico com carteira assinada (8.850), que responde por 77,9% (R$ 1,95 bilhão) e 0,4% (R$ 10,50 milhões) do total dos valores, respectivamente, com cotas médias de R$ 3.077,28 e de R$ 1.186,11. O valor restante vem das remunerações dos aposentados e pensionistas dos regimes próprios do Estado e dos municípios amazonenses. Assim como ocorrido no ano passado, os beneficiários do INSS não estão inclusos na lista, já que receberam antecipadamente, em meados do ano, em razão da segunda onda da pandemia.
Segundo o estudo, o pagamento de dívidas aparece novamente como prioridade para o consumidor manauense aproveitar o 13º salário deste ano, com uma fatia ainda maior (39%) do que a registrada no ano anterior (28,20%). As opções seguintes implicam gastos com vestuário (26,9%), calçados (19,4%), eletrodomésticos (16,3%), ceia de Natal (15,6%), presentes de Natal (13,8%), reformas e construções (12,5%), eletrônicos, manutenção do carro (ambos com 10,5%), viagens, material escolar (os dois com 7,5%), saúde (5%), móveis (3,8%), “outros” (2,5%), smartphone e lazer (1,9% para os dois). Em torno de 1,3% se dizem indecisos.
Endividamento e consumo
A escalada nos níveis de endividamento é o principal motivo da prioridade para quitar pendências. A sondagem da CDL-Manaus revela que 75,90% dos consumidores da capital amazonense contraíram dívidas parceladas ao longo de 2021. Dentro de um universo ainda maior, apenas 39,7% já quitaram seus compromissos contraídos nos últimos 24 meses, sendo que uma fatia irrisória de 0,3% pagou pontualmente. Entre os inadimplentes, prevalecem aqueles que estão com 3 a 5 meses de atraso nos compromissos (21,1%), seguidos pelos que estão com pendências de menos de três 3 (17,4%), de 6 a 10 meses (9,4%), de mais de 15 meses (9,4%) e de 11 a 15 meses (2,7%).
Assim como as intenções de manter o nome limpo na praça, o desejo por aumentar os dispêndios com itens de consumo, em meio ao apelo emocional das festas de fim de ano, também aumentou. Os quatro primeiros itens da lista, logo após “pagar dívidas”, são os mesmos do ano passado. Mas, aparecem com elevações de 70,25% (vestuário), 31,08% (calçados), 55,24% (eletrodomésticos) e 54,91% (ceia de natal), na comparação com 2020. Sintoma dos dias mais duros da pandemia e do isolamento social, os gastos com saúde (+431,91%) e reforma e construção (+135,85%) subiram no ranking parecem com alguns dos índices de expansão mais significativos da lista.
Vale notar que o mesmo levantamento da CDL-Manaus destaca que os itens listados nas respostas do consumidor da capital “não fecham em 100%”, sinalizando um certo otimismo quanto ao valor a ser recebido, ou uma percepção mais elástica da renda. O montante total a ser pago a título de 13º salário neste ano, contudo, é apenas 10,09% mais alto do que o registrado em 2020 (R$ 2,28 bilhões), para um número de beneficiados 5,42% maior, na mesma comparação (837.003). A inflação dos últimos 12 meses, por outro lado, já foi maior do que isso em outubro (+10,67%), conforme o IBGE
Torcendo pela melhora
Diante dos números da pesquisa, e da resiliência dos entraves da economia, o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, resumiu à reportagem do Jornal do Commercio que o momento é de acreditar no setor. O dirigente lembra que o varejo local saiu de um “período muito duro”, em razão da pandemia, e que muitos ainda sentem seus efeitos nos negócios. Mas, argumenta que os comerciantes devem focar no parâmetro de vendas mais forte do exercício anterior, para focar na possibilidade de recuperação das perdas sofridas durante os momentos mais difíceis da crise da covid-19 e das medidas de isolamento social.
“Este é um final de ano que poderá, ou deverá, ultrapassar a marca de 2019, que foi um ano muito bom para os lojistas, quando todos estavam crescendo com segurança. Temos sempre que pensar para frente. Sabemos que os aumentos do preço do combustível, do custo da energia elétrica, e da logística estão atrapalhando muito. Mas, precisamos ser sempre sonhadores e torcer pela melhora do comércio em nosso Estado”, encerrou.
Conheça o perfil dos entrevistados
A sondagem da CDL-Manaus para o 13º salário ouviu 800 pessoas na capital amazonense, de ambos os gêneros, maiores de 18 anos, pertencentes às classes A, B, C e D, e residentes em todas as zonas urbanas da cidade. Mulheres (72,20%) superaram os homens (27,80%). A maioria (37,80%) está na faixa etária de 30 a 39 anos. Na sequência estão os consumidores entre 40 e 49 anos (20,70%), de 25 a 29 anos (16,10%), entre 18 e 24 anos (15,70%), e com 50 anos ou mais (9,70%).
No recorte geográfico, a maioria reside na zona Leste (25,10%), sendo seguidos pelos moradores das zonas Centro-Sul (20,10%), Sul (18,50%), Norte (15%), Centro-Oeste (10,70%) e Oeste (10,60%). Predominam também os consumidores com ensino médio (41,10%), em detrimento daqueles que contam com o nível superior de graduação (38%) e pós-graduação (14,50%), ensino fundamental (3,40%) ou “outros” (2,70%). Não foram informados os níveis de renda. O levantamento foi feito por meio de Google Formulários, de 5 a 10 de novembro de 2021.







