Conferência vai discutir reutilização de materiais verdes na construção

Em: 19 de agosto de 2008
Construir de forma integrada ao meio ambiente com a utilização de tecnologias que garantam o reaproveitamento de resíduos de outros setores industriais é a proposta lançada pelos pesquisadores reunidos na Conferência sobre Materiais Verdes de Construção
Construir de forma integrada ao meio ambiente com a utilização de tecnologias que garantam o reaproveitamento de resíduos de outros setores industriais é a proposta lançada pelos pesquisadores reunidos na Conferência sobre Materiais Verdes de Construção

Construir de forma integrada ao meio ambiente com a utilização de tecnologias que garantam o reaproveitamento de resíduos de outros setores industriais é a proposta lançada pelos pesquisadores reunidos na Conferência sobre Materiais Verdes de Construção. O evento, organizado pelo Nutec (Núcleo de Tecnologia da Universidade Federal do Amazonas), procura despertar nas indústrias da construção civil a preocupação com a preservação do meio ambiente.
A professora organizadora da Conferência, Adalena Kennedy, disse que, apesar da tímida adesão das construtoras locais ao movimento sustentável, algumas empresas procuram adotar conceitos dos chamados “prédios verdes” e passaram já há algum tempo a investir na captação e reaproveitamento da água da chuva, no uso da iluminação natural e na utilização de materiais reciclados como forma de diminuir a degradação ao meio ambiente. Segundo a coordenadora, materiais verdes são conhecidos pela sua capacidade de não agredirem a saúde do operário e do consumidor final, além de não gerarem lixo por se tratar de material reciclado.
Adalena Kennedy explicou ainda que a Conferência sobre Materiais Verdes de Construção reunirá pesquisadores de três institutos de tecnologia da Carolina do Norte e de Cornell (EUA), além de mostrar trabalhos na área de engenharia desenvolvidos no Amazonas. Entre estes últimos, a coordenadora chama atenção para a técnica de substituição do seixo ou pedra brita por argila calcinada que deverá gerar economia de até 40% no valor final das obras em Manaus.
No entendimento do pesquisador Edisley Cabral, o reaproveitamento dos resíduos industriais do pólo oleiro de Manacapuru e Iranduba através da fabricação de agregados de argila calcinada para uso em concreto representa um potencial ainda pouco explorado pela engenharia local. Na avaliação do palestrante, o Amazonas precisa avançar na área da reciclagem de material de construção se quiser figurar entre as regiões onde a tecnologia industrial não influiu na questão ambiental. “Iremos apresentar alternativas viáveis e econômicas para as construtoras, a partir de projetos ligados a esse reaproveitamento do refugo das olarias. Com o preço do metro cúbico do seixo oscilando entre R$ 92 e R$ 95 na capital, a utilização da argila curada é uma saída razoável para a queda de preço nos imóveis”, asseverou.

Amostra também vai exibir novas tecnologias do setor

Pesquisas à parte, o que não faltará é interessados em implantar as novas tecnologias que serão mostradas no decorrer da amostra científica. A construtora Sá Cavalcante, uma das que apostam em empreendimentos ecologicamente correto, tem dois projetos habitacionais baseados em trabalhos científicos que vão agregar soluções para o aproveitamento da água da chuva para a irrigação de jardins e para o sistema de ar condicionado. O coordenador de marketing da Sá Cavalcante, Marcelo Rigo, explicou que no edifício serão utilizados vidros laminados com baixa absorção térmica, que impedem a passagem de 70% dos raios solares. “A obra foi elaborada para gerar economia de energia elétrica. Isso provocou uma redução na utilização do ar-condicionado. Diminuímos a capacidade do ar-condicionado e, consequentemente, os gastos de energia, não gerando assim um condomínio muito caro”, asseverou.

Respeito à natureza

A sustentabilidade já é uma realidade para a Lorenge Construtora que faz uso de materiais recicláveis nas obras. Segundo fontes da empresa, recentemente, foi lançado um projeto habitacional, no qual o custo da obra com a utilização de materiais alternativos das novas tecnologias de construção civil desenvolvida pelos pesquisadores, fez o orçamento de gastos cair 35%.
Adalena Kennedy prevê que o maior desenvolvimento de construções planejadas sobre o viés da sustentabilidade ainda é uma tendência para o futuro no Estado, mas considerou que as iniciativas, embora ainda muito isoladas, trarão novos conceitos de moradia na disputa por mercado.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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