Construir de forma integrada ao meio ambiente com a utilização de tecnologias que garantam o reaproveitamento de resíduos de outros setores industriais é a proposta lançada pelos pesquisadores reunidos na Conferência sobre Materiais Verdes de Construção. O evento, organizado pelo Nutec (Núcleo de Tecnologia da Universidade Federal do Amazonas), procura despertar nas indústrias da construção civil a preocupação com a preservação do meio ambiente.
A professora organizadora da Conferência, Adalena Kennedy, disse que, apesar da tímida adesão das construtoras locais ao movimento sustentável, algumas empresas procuram adotar conceitos dos chamados “prédios verdes” e passaram já há algum tempo a investir na captação e reaproveitamento da água da chuva, no uso da iluminação natural e na utilização de materiais reciclados como forma de diminuir a degradação ao meio ambiente. Segundo a coordenadora, materiais verdes são conhecidos pela sua capacidade de não agredirem a saúde do operário e do consumidor final, além de não gerarem lixo por se tratar de material reciclado.
Adalena Kennedy explicou ainda que a Conferência sobre Materiais Verdes de Construção reunirá pesquisadores de três institutos de tecnologia da Carolina do Norte e de Cornell (EUA), além de mostrar trabalhos na área de engenharia desenvolvidos no Amazonas. Entre estes últimos, a coordenadora chama atenção para a técnica de substituição do seixo ou pedra brita por argila calcinada que deverá gerar economia de até 40% no valor final das obras em Manaus.
No entendimento do pesquisador Edisley Cabral, o reaproveitamento dos resíduos industriais do pólo oleiro de Manacapuru e Iranduba através da fabricação de agregados de argila calcinada para uso em concreto representa um potencial ainda pouco explorado pela engenharia local. Na avaliação do palestrante, o Amazonas precisa avançar na área da reciclagem de material de construção se quiser figurar entre as regiões onde a tecnologia industrial não influiu na questão ambiental. “Iremos apresentar alternativas viáveis e econômicas para as construtoras, a partir de projetos ligados a esse reaproveitamento do refugo das olarias. Com o preço do metro cúbico do seixo oscilando entre R$ 92 e R$ 95 na capital, a utilização da argila curada é uma saída razoável para a queda de preço nos imóveis”, asseverou.
Amostra também vai exibir novas tecnologias do setor
Pesquisas à parte, o que não faltará é interessados em implantar as novas tecnologias que serão mostradas no decorrer da amostra científica. A construtora Sá Cavalcante, uma das que apostam em empreendimentos ecologicamente correto, tem dois projetos habitacionais baseados em trabalhos científicos que vão agregar soluções para o aproveitamento da água da chuva para a irrigação de jardins e para o sistema de ar condicionado. O coordenador de marketing da Sá Cavalcante, Marcelo Rigo, explicou que no edifício serão utilizados vidros laminados com baixa absorção térmica, que impedem a passagem de 70% dos raios solares. “A obra foi elaborada para gerar economia de energia elétrica. Isso provocou uma redução na utilização do ar-condicionado. Diminuímos a capacidade do ar-condicionado e, consequentemente, os gastos de energia, não gerando assim um condomínio muito caro”, asseverou.
Respeito à natureza
A sustentabilidade já é uma realidade para a Lorenge Construtora que faz uso de materiais recicláveis nas obras. Segundo fontes da empresa, recentemente, foi lançado um projeto habitacional, no qual o custo da obra com a utilização de materiais alternativos das novas tecnologias de construção civil desenvolvida pelos pesquisadores, fez o orçamento de gastos cair 35%.
Adalena Kennedy prevê que o maior desenvolvimento de construções planejadas sobre o viés da sustentabilidade ainda é uma tendência para o futuro no Estado, mas considerou que as iniciativas, embora ainda muito isoladas, trarão novos conceitos de moradia na disputa por mercado.







