Um amplo panorama com dados inéditos sobre a Amazônia será apresentado pelos maiores especialistas do mundo na área ambiental, durante a Conferência Científica Internacional Amazônia em Perspectiva: Ciência Integrada para um Futuro Sustentável, organizada pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), MPEG (Museu Paraense Emílio Goeldi) e outras instituições parceiras e patrocinada pelo MCT, através do PPA, Fundos Setoriais, FINEP e CNPq, dentre outros apoiadores. O evento ocorrerá entre os dias 17 a 20 de novembro, em Manaus, capital do Amazonas.
Pela primeira vez, os três mais importantes programas de pesquisas do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia para a Amazônia), o LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), o Geoma (Rede Temática em Modelagem Ambiental da Amazônia) e o PPBio (Programa de Pesquisa em Biodiversidade) realizam uma conferência conjunta.
As discussões terão como foco principal a geração, síntese e integração de dados recentes sobre a Biodiversidade, o Clima, as Políticas Públicas e o Desenvolvimento Sustentável, e o Uso e Cobertura da Terra e suas Dimensões Sociais na Amazônia, bem como a discussão e avaliação dos diferentes cenários de alteração ambiental provocados pelo desmatamento e pelo aquecimento global.
Abrindo a Conferência, a plenária Amazônia – Um sistema em desequilíbrio? Avaliações integradas da biogeoquímica, hidrologia, clima e biodiversidade da Amazônia, apresentará estudos mostrando, por exemplo, que a radiação solar para fotossíntese das plantas pode ser reduzida em até 60%, em algumas áreas da Amazônia, devido à fumaça das queimadas. As pesquisas, coordenadas por Paulo Artaxo (USP), indicam também que aumentos modestos de concentrações de aerossóis no ar podem aumentar a formação de nuvens e aumentar a fotossíntese de plantas em luz difusa.
A retro-alimentação atual entre as ações humanas e a integridade do funcionamento climático, hidrológico e biológico do sistema amazônico serão apresentadas por Meinrat Andreae (Max Planck Institute for Chemistry).
Erick Fernandes (Worlk Bank) mostrará as Perspectivas e modelos para o desenvolvimento sustentável da região amazônica.
A visão dos jovens cientistas – O que foi aprendido no LBA, GEOMA e PPBio e as necessidades futuras de pesquisas na Amazônia é o tema de outra plenária, que tem como moderador Irving Foster Brown (Universidade Federal do Acre). Esta sessão tratará dos avanços nas pesquisas de cada um dos programas envolvidos na Conferência.
Na área de Biodiversidade, os destaques são: A importância das redes de parcelas permanentes para inventários de biodiversidade e estoques de carbono apresentada por Oliver Phillips (University of Leeds) e Elizabeth Franklin (Inpa). Os pesquisadores mostrarão como essas redes têm sido usadas para estudos de diversos grupos de organismos, desde microorganismos do solo até animais de médio porte, e incluindo toda a vegetação.
O presente e o futuro da modelagem da biodiversidade amazônica tratará dos resultados obtidos pelos diversos estudos da distribuição da biodiversidade na paisagem e a modelagem de suas relações com o ambiente. A especialização do PPBio de gerar informações com abrangência e qualidade sobre a ocorrência da biodiversidade, complementa perfeitamente com os objetivos do LBA (modelar processos ecossistêmicos) e do Geoma (modelar distribuição das espécies em função do ambiente). A sessão será coordenada por Ana Albernaz (Museu Paraense Emilio Goeldi) e Bruce Nelson (Inpa).
Outro destaque nessa área, coordenado por Alexandre Bonaldo (Museu Paraense Emilio Gueldi) e Mike Hopkins (PPBio Amazônia Ocidental), enfocará a integração de taxonomia e das coleções biológicas com estudos ecossistêmicos. Essa integração é fundamental, pois estudos ecossistêmicos têm potencial de gerar uma quantidade enorme de material biológico de grande interesse para as coleções biológicas, enquanto que a qualidade desses estudos depende muito da identificação correta das espécies que compõem os ecossistemas amazônicos.
A integração e disseminação de dados e metadados, um grande desafio para o PPBio (Programa de Pesquisa em Biodiversidade), será o tema da sessão coordenada por Marlucia Martins (Museu Paraense Emilio Goeldi) e Laurindo Campos (Inpa). Como o programa está se especializando em obter, gerir e disseminar dados sobre a biodiversidade em diversos sítios da Amazônia, a busca por soluções nesse sentido é prioridade absoluta.
A Conferência irá apresentar também trabalhos que comprovam que os desflorestamentos e as queimadas aceleram o efeito estufa, alteram o mecanismo da formação de nuvens e podem diminuir as chuvas na Amazônia e em outras partes do país ou mesmo do continente. Estudos recentes revelam ainda que outros compostos orgânicos voláteis importantes para a formação de gotas de chuva vêm do chão ou sub-bosque.
As evidências de uma forte relação entre a formação de nuvens na Amazônia e a ocorrência e distribuição de chuvas no Sudeste e Sul do Brasil e em toda a América do Sul serão debatidas na Conferência.
Especialistas em meteorologia, ligados ao Programa LBA e a outros projetos internacionais de pesquisa, têm agora fortes razões para acreditar que a mudança de clima, em consequência do desmatamento amazônico esteja afetando o regime de chuvas nessas áreas, inclusive na Bacia do Prata.
Conferência vai mostrar resultados inéditos
Em: 21 de outubro de 2008
O presente e o futuro da modelagem da biodiversidade amazônica tratará dos resultados obtidos pelos diversos estudos da distribuição da biodiversidade na paisagem e a modelagem de suas relações com o ambiente
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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