Confiança dos lojistas de Manaus ainda em baixa em abril

Em: 1 de maio de 2021
Indicador ‘Confiança do Empresário do Comércio’ realizado pela CNC referente ao mês de abril mostra prudência empresarial

Apesar do relaxamento da relativa estabilidade da pandemia em nível local, e do consequente levantamento das restrições ao comércio, a confiança dos lojistas de Manaus despencou pelo segundo mês seguido, em abril. A baixa reforçada seguiu a trajetória da média nacional, embora com mais força. A insatisfação foi puxada pela percepção sobre o momento atual e os estoques, refletindo nas intenções de investir. Os dados são do Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), da CNC (Confederação Nacional do Comércio). 

O indicador registrou 102,6 pontos na capital amazonense, recuando 14,3% em relação à marca de março (119,7 pontos), além de ficar 18,7% abaixo do patamar de março do ano passado (126,2 pontos) –mês em que a pandemia ainda estava começando no Amazonas. Em todo o Brasil, o índice da CNC recuou 6,4% mensais, atingindo 95,7 pontos, na quinta variação negativa consecutiva. 

Apurado entre os tomadores de decisão das companhias comerciais, o levantamento avalia condições atuais, expectativas de curto prazo e intenções de investimento. Pontuações abaixo de 100 representam insatisfação, enquanto marcações de 100 até 200 são consideradas de satisfação. A Confederação Nacional do Comércio sondou 6.000 empresas de todas as capitais do país –164 delas, em Manaus. 

Todos os nove subíndices do Icec voltaram a sofrer retração mensal, com destaques para as condições atuais da economia brasileira/CAE (-33% e 65,5 pontos), das empresas comerciais/CAEC (-27,5% e 80,1 pontos) e do comércio/CAC (-25,2% e 79,7 pontos) e do nível de investimento das empresas/NIE (-27,8% e 63,5 pontos). 

As expectativas da economia brasileira/EEB (-8,6% e 137,7 pontos), das empresas comerciais/EEC (-8,6% e 143,3 pontos) e do comércio/EC (-5,7% e 143,6 pontos) vieram na sequência, assim como a situação atual dos estoques/SAE (-4,6% e 87,4 pontos) e o indicador de contratação de funcionários/IC (-1,6% e 122,8 pontos). 

Contratações e investimentos

A maioria dos comerciantes de Manaus (42%) considera que a situação atual da economia brasileira “piorou um pouco”. São seguidos pelos que dizem que “piorou muito” (29,1%), “melhorou um pouco” (26,6%) e –de longe –pelos que garantem que “melhorou muito” (2,3%). A percepção majoritária também indica que as condições atuais do setor e da empresa “piorou um pouco” (43,1% e 43,3%, na ordem). Em ambos os casos, a percepção é mais negativa nas empresas com mais de 50 empregados e que vendem bens duráveis.

Sobre as expectativas para a economia, a maioria ainda diz que vai “melhorar um pouco” (67,6%), seguida pelos que acreditam que vai “melhorar muito” (15,4%). O otimismo é maior em relação ao setor (69,4% e 17,2%, respectivamente) e para a empresa (70% e 16,5%), com destaque para as companhias de menor porte atuantes em duráveis e semiduráveis para ambas as situações.

A maioria absoluta ainda diz que o contingente de trabalhadores deve “aumentar pouco” (61,3%), seguida de longe pelos que avaliam que pode “reduzir pouco” (20,8%). Em contrapartida, a expectativa majoritária para investimentos nas empresas passou a ser prioritariamente “um pouco menor” (40,4%) ou “muito menor” (33,3%). O pessimismo predomina entre as empresas menores e que trabalham com semiduráveis (contratações) e duráveis (aportes de capital).

Estoque e logística

O presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, destaca que já era de se esperar que o índice de confiança dos empresários do varejo caísse de forma acentuada, neste mês, em função dos efeitos da segunda onda, embora aponte que o nível de confiança no Estado segue na zona de satisfação. O dirigente ressalta ainda que, embora o Amazonas esteja em situação comparativamente melhor do que o restante do país em relação à pandemia, ainda padece de problemas de estoques, em função da paralisação do começo do ano, da inflação e das vendas fracas nos meses de retomada. 

“É claro que já tínhamos uma perspectiva de redução, mas não tão grande. Vemos o retrato da recessão e do fechamento da atividade comercial, principalmente no Sul e no Sudeste. Está todo mundo na expectativa de que a gente possa se recuperar em maio, no mês do Dia das Mães. É claro que os outros Estados já estão entrando em um processo de normalidade. E, para eles, é mais fácil se abastecer de mercadorias para a data, do que nós, que estamos muito mais distantes e temos uma carência de infraestrutura logística acentuada”, comparou.

Circulação e confiança

Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da CNC, o economista responsável pela pesquisa do Icec, Antonio Everton, aponta a preocupação dos comerciantes brasileiros em relação aos estoques, entre outros motivos que podem contextualizar a piora da percepção, em abril. “Há problemas para conseguir repassar aumento de custos para os preços finais, quando se há famílias mais endividadas. Além disso, o crédito está mais caro, há incertezas políticas, demora com reformas do Estado, dólar alto e consumidores cautelosos quanto a extrapolar gastos”, listou.

No mesmo texto, o presidente da entidade, José Roberto Tadros, diz que as percepções negativas sobre as condições da economia resultam na baixa expectativa de investimentos, apesar da movimentação na Páscoa e da retomada do auxílio emergencial. “É preciso destravar os setores paralisados, como o comércio, diretamente impactado pelo lockdown. Não existe fórmula mágica e a imunização da população precisa andar. Acreditamos que, com maior circulação de pessoas pelas ruas, o cenário de confiança possa se modificar no curto e no médio prazos”, encerrou.

Foto/Destaque: Fred Novaes

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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