O ICC (Índice de Confiança do Consumidor) subiu 0,7% em agosto em relação a julho após avançar de forma mais intensa no mês passado, quando apurou alta de 1,1% na comparação com junho. A alta do indicador é resultado da boa avaliação das famílias quanto a sua situação financeira. Segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas), responsável pela pesquisa, a análise sobre finanças pessoais das famílias registrou em agosto o melhor nível da série do ICC, iniciada em setembro de 2005.
A fatia dos consumidores entrevistados que consideram suas finanças estão em um bom momento aumentou de 24,1% para 25,8% de julho para agosto. Ainda segundo a fundação, nas respostas sobre o futuro, o destaque ficou por conta das intenções de compras de bens duráveis, como geladeiras e automóveis.
A participação de consumidores pesquisados que projetam comprar mais deste tipo de produto nos próximos seis meses subiu de 14,0% para 16,6% de julho para agosto. Já a dos que preveem volume de compras menor caiu de 27,9% para 27,1%, no mesmo período. O ICC abrange amostra de mais de 2.000 domicílios, em sete capitais, com entrevistas entre os dias 30 de julho e 19 de agosto.
Com o resultado de agosto, o desempenho do indicador, que é calculado com base em uma escala de pontuação entre 0 e 200 pontos (sendo que, quando mais próximo de 200, maior o nível de confiança do consumidor), foi de 120,0 pontos para 120,8 pontos, de julho para agosto.
Perspectivas otimistas
A fundação informou que, em agosto, os consumidores brasileiros se mantiveram satisfeitos com o momento atual e com perspectivas otimistas para os meses seguintes. O ICC é dividido em dois indicadores: O ISA (Índice de Situação Atual), que subiu 0,6% em agosto após avançar 3,0% em julho, e atingiu patamar recorde este mês, com 135,7 pontos; e o IE (Índice de Expectativas), que mostrou alta de 0,7% em agosto, após apresentar estabilidade (0,0%) em julho – tendo registrado este mês 112,9 pontos, o melhor resultado desde março de 2008.
Segundo a entidade, o ICC subiu 9,2% em agosto, na comparação com igual mês em 2009. No mês passado, o indicador nesta comparação avançou de forma menos intensa, com alta de 8,3% ante julho de 2009. O levantamento abrange amostra de mais de 2.000 domicílios, em sete capitais, com entrevistas entre os dias 30 de julho e 19 de agosto. Às 11h a FGV concede coletiva de imprensa sobre o indicador.
Desempenho foi o melhor da série do indicador, iniciada em 2005
A confiança do consumidor em agosto atingiu nível recorde, segundo a coordenadora técnica da Sondagem das Expectativas do Consumidor Viviane Seda Bittencourt. De acordo com a economista, o patamar de 120,8 pontos alcançado pelo ICC em agosto foi o maior da série do indicador, iniciada em setembro de 2005. O desempenho deste mês bateu o recorde anterior, referente a março de 2008 (120,1 pontos). “A confiança do consumidor em agosto está forte, e em um patamar equivalente ao que se mostrava no cenário pré-crise”, afirmou.
A economista explicou que o aumento de 0,7% no ICC em agosto ante julho foi menos intenso do que o apurado pelo indicador no mês passado (quando avançou 1,1%) porque o ICC já estava em um patamar muito elevado em julho. Na prática, segundo a especialista, o que houve em agosto foi uma permanência das condições positivas apuradas no mês anterior.
A técnica lembrou que o mercado de trabalho continua com sinais positivos, o que eleva o potencial de renda do trabalhador e, por consequência, seu interesse por comprar mais. “As expectativas para as finanças familiares para o futuro parecem estáveis em agosto”, disse.
Isso também ajudou a aumentar a intenção de compras de bens duráveis nos próximos meses, outro quesito que impulsionou o avanço do ICC no mês. “Parece que o consumidor está saindo de uma zona de endividamento de renda e pensando em comprar mais no futuro, aproveitando o acesso ao crédito favorável”, resumiu.
A técnica, no entanto, fez uma ressalva. Em agosto, o consumidor elevou sua projeção de inflação para os próximos 12 meses, para 6,2%, ante 6,1% em julho. “Mas o consumidor não espera uma explosão de alta de preços, apenas um leve aumento”, afirmou.
Entre as faixas de renda pesquisadas, o consumidor de baixa renda foi o único a apresentar queda no ICC, de agosto contra julho, com taxa negativa de 0,2% nas famílias com renda até R$ 2 100. “Parece que este tipo de consumidor se comprometeu muito com compras de pagamento de longo prazo, na época de reduções do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (que puxou para baixo os preços de móveis e de geladeiras). Eles estão mais cautelosos do que os consumidores com poder aquisitivo maior”, concluiu.







