A variação de emprego no Amazonas sofreu uma redução de -1.956 postos de trabalho no primeiro semestre de 2014. Foram 53.308 mil admissões contra 55.264 mil desligamentos. O setor de construção é o principal responsável pela redução, com um desempenho negativo de -1.415 postos de trabalho. Foram 5.960 admissões contra 7.375 desligamentos, resultando em uma variação de -3,70%, a pior entre todos os segmentos, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)
Somente em março a redução no número de empregos foi de -539 postos de trabalho. O presidente do Sinduscon (Sindicato das Indústrias da Construção Civil), Eduardo Lopes, aponta que a principal causa para as demissões são os atrasos de pagamento nas obras dos programas sociais do governo federal. “Estamos tendo o atraso por parte do governo federal nas obras do PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento). As obras do ‘Minha Casa Minha Vida’ também sofrem alguns atrasos de pagamento. Em alguns casos os pagamentos não são executados desde novembro do ano passado. Esse deve ser o principal motivo”, explica.
Segundo Eduardo Lopes, o momento econômico vivido pelo país e o crescimento da inflação no setor também são fatores que estão causando insegurança nos empresários. “Está todo mundo em compasso de espera. Estamos tendo alguns lançamentos, mas não são grandes como nos últimos anos, mas de certa ainda há certa estabilidade”, comenta. No entanto, alerta que, se a situação se manter o setor deve encolher em 2014. “Se essa situação não mudar devemos continuar diminuindo de tamanho, perdendo vagas. Mas como é um ano eleitoral, acreditamos que o governo do Estado e o governo federal devem agir para mudar essa situação”, conclui.
Já o Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil) mantém o otimismo para o restante do ano. Segundo o diretor administrativo do sindicato, Francisco Sarmento, estão nascendo novas fontes de trabalho no Estado. “Temos obras que irão abrir na Petrobrás que devem gerar em torno de 2.500 vagas de emprego. As previsões ainda são otimistas. Devemos terminar o ano em um patamar equivalente ao de 2013”, revela. Em 2013 o saldo de emprego na Construção Civil sofreu um aquecimento de 4.260 postos de trabalho.
O principal problema apresentado pelo Sintracomec continua sendo a falta de qualificação dos profissionais. “Falta mão de obra qualificada em Manaus. Para soldadores e pedreiros refratários tem vagas e não tem pessoas. Mas as vagas estão lá”, completa. Atualmente existem entre 80 mil e 90 mil trabalhadores atuando na construção civil no Estado.
Outros setores
Segundo o Caged a indústria tem saldo praticamente zerado no primeiro trimestre do ano com 233 vagas. Foram 15.117 admissões contra 14.884 desligamentos, uma variação positiva de 0,16%. Em março o saldo foi de 44 postos de trabalho. Com 4.772 contratações e 4.728 desligamentos. No serviço o saldo do trimestre esta em 457 empregos, com 19.506 admissões e 19.049 desligamentos. Em março o desempenho apresenta um crescimento de 315 postos de trabalho, com 6.107 admissões e 5.792 desligamentos.
No comércio o saldo também está negativo com -1.306 postos de trabalho, com 11.802 contratações e 13.108 desligamentos. Um dos motivos é a retenção de mercadorias provocadas pela greve da Suframa. Em março foram 3.708 contratações e 3.991 demissões. O saldo ficou em -208 postos de trabalho no mês.
O saldo total de empregos no Amazonas em março foi de -472 postos de trabalho, com 16.509 admissões e 16.981 desligamentos, variação de -0,10%. No ano o saldo negativo é de -1.956 postos de trabalho, com 55.308 admissões e 55.264 desligamentos, variação de -0,41%.







