O Dia das Mães, tradicionalmente, é a segunda data mais importante do comércio varejista. Porém, em ano de Copa do Mundo e de eleições gerais, a sazonalidade atípica, gerou divergentes expectativas entre os representantes do setor. De acordo com a CDLM (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus) a estimativa de faturamento do varejo é de R$ 119 milhões, 4,5% de crescimento em relação ao anterior. A ACA (Associação Comercial do Amazonas) diante das incertezas do mercado torce por um bom faturamento, mas acredita em um empate técnico sem crescimento. Empresários do centro comercial de Manaus apostam numa recuperação de 7% sobre as vendas do primeiro trimestre.
O presidente da CDLM, Ralph Assayag, informou que muitos lojistas já estão prontos para faturar com os presentes para as mães. “Lojas que não vendiam nada em relação à Páscoa estão com seu material comprado para o Dia das Mães, nas vitrines”, disse. A Pesquisa de Intenção de Compras do Dia das Mães, divulgada pela entidade na terça-feira passada, revelou um crescimento estimado em 4,5% em relação ao ano de 2013. Cada consumidor deverá gastar, em média, R$ 200 a R$ 400 por presente.
Para o presidente da ACA, Ismael Bicharra Filho, o Dia das Mães é o segundo maior movimento do comércio e os associados esperam por um bom faturamento. “Isso é natural, as lojas se preparam para ter esse grande faturamento”, admitiu.
Na opinião do comerciante, Aly Bawab, o comércio deve reagir após um primeiro trimestre fraco em vendas no varejo. A expectativa é que o comércio como um todo tenha um crescimento em torno de 6% a 7%. “É uma expectativa muito alta. Mas o comércio terá que dividir nesse Dia das Mães, com a situação da Copa. Não há como escapar, porque as pessoas do jeito que estão economizando, será unir o útil ao agradável, comprando um presente direcionado para a Copa do que comprar dois produtos”, concluiu.
Efeitos da Copa
A Copa do Mundo é um legado para as cidades-sede que vai passar mais de 30 anos sendo comentada no mundo inteiro, porém o comércio pode ser uma preocupação a mais, segundo o presidente da ACA. “Para o comércio é ruim porque vai vir direcionamento de outras atividades e deixará de ter compras no comércio. Muitas pessoas vão viajar ou gastar nos estádios ou com serviços. Os turistas que vão vir para cá a maioria são estrangeiros”, alertou.
Ismael Bicharra admitiu que na Copa, o segmento de serviços deverá ser mais favorecido e que o comércio pode sair prejudicado com os feriados nos dias de jogos da seleção brasileira. “Eu estou falando em faturamento, não quer dizer que somos contra a Copa do Mundo, mas para o comércio tradicional em si não vai ser bom. Nós vamos ter feriados, jogos no Brasil inteiro inclusive da seleção brasileira, com isso o comércio deve ficar boa parte fechado”, alertou.
Na opinião de Ralph Assayag, a Copa do Mundo deverá interferir na escolha do produto que será adquirido para presentear as mães. Os eletroeletrônicos, como os televisores HD são os preferidos. “A mãe quer receber o presente e a família quer ter uma televisão HD”, revelou.
Na análise do presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Marcus Evangelista, os tablets com TV e as TVs HD serão os produtos campeões de vendas no Dia das Mães nesse ano, por causa da Copa. Segundo ele o governo através da Selic (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) fez um movimento gradual no ano passado até março deste ano, subindo em patamares com objetivo principal de conter o aumento dos preços.
“Nós percebemos que o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção Civil) puxa também a inflação para cima, mas que continua acima dos patamares traçados. Eu acredito que essa batalha de conter a inflação não foi vencida e, é algo a médio e longo prazo, ela vai continuar subindo”, alertou.
Segundo Bicharra esses fatores estão deixando o empresário cada vez mais desconfiado e investindo menos.“Temos agora o advento da construção civil no qual está se criando uma grande bolha. Esse conjunto de situações causa uma incerteza muito grande para o empresário que investe menos e consequentemente fatura menos. Eu não acredito que nós tenhamos crescimento neste ano de 2014”, concluiu.
Na opinião de Marcus Evangelista, os empresários do comércio também estão preocupados com relação ao retorno sorrateiro da inflação. Como um tripé da economia, a inflação provoca um aumento de juros e ao mesmo tempo queda no crescimento das vendas.
“Acredito que apesar de nós termos uma inflação ainda não controlada, na hora de presentear as mães, o consumidor deixando a inflação de lado e faz a compra”, analisou. Ele ainda acredita que o movimento do comércio será expressivo. “O que pode acontecer é de a pessoa querendo comprar um produto mais caro, acaba substituindo por um produto mais barato”, afirmou.







