O consumidor amazonense anda mais desconfiado e pessimista, diz o Ifpeam (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas) em pesquisa de intenção de compra e confiança do consumidor, realizada pela Fecomércio-Am (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas) em junho de 2016. De acordo com o relatório 73% dos entrevistados relataram que a situação econômica atual está pior, quando comparada ao ano passado e 68% acredita que a economia amazonense para os próximos seis meses estará pior que atual.
O índice mostra uma diferença entre a confiança do empresariado e do consumidor e para o assessor econômico da Fecomércio-AM, José Fernando Pereira, é algo natural. “O consumidor está na ponta e é o primeiro a sofrer quando há mudanças no orçamento, seja por conta da alta inflação ou de desemprego. Um dos tópicos da pesquisa, por exemplo, mostra que 39,0% dos consumidores consideram que a atual situação financeira familiar piorou nos últimos seis meses”, conta o economista.
O economista complementa que aos poucos o comércio acaba ‘contaminado’ pela insatisfação. “A pesquisa reflete o momento atual de crise. Inflação alta, escassez de crédito e pouca empregabilidade afetam a confiança do consumidor. Isso não dá gera boas expectativas nem para o comércio que precisa se adequar a esses novos tempos. O comportamento do consumidor já vem dando esses claros sinais”, afirma Pereira.
Promover descontos e baixar a margem de lucro pode ser uma das sugestões ao comércio, conta o economista. “As promoções vêm como alternativas para o momento. ‘Pague um leve dois’, brindes e outros artifícios podem trazer os consumidores de volta as lojas. Infelizmente isso só pode ser feito por pouco tempo. Mas é a melhor receita a curto prazo”, justifica.
Não é uma crise de mercado
Mesmo com o empresariado mais confiante acreditando no crescimento, principalmente no caso do afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff, as expectativas ainda não são boas, pelo menos a curto prazo. “As previsões de melhoras ficaram todas para 2018, mas seja qual governo assumir, é bom saber que a classe empresarial já não suporta os desmandos que nos fizeram ter um PIB (Produto Interno Bruto) negativo, um deficit bilionário de ordem pública. É hora de reformas políticas e econômicas, não aceitaremos mais impostos abusivos como o CPMF (imposto que incide sobre movimentações bancárias)”, ressalta o economista.
De acordo com Pereira, esta não é uma crise de mercado. “É uma crise de governabilidade, da falta dela. O Estado precisa reduzir o seu tamanho, conter gastos. Assim voltaremos a ter um bom nome e atrair investidores estrangeiros o que por tabela aumentaria a empregabilidade e a manutenção saudável do comércio”, fecha.
Perfil
Apenas 5,3% dos 400 consumidores entrevistados relataram receber renda familiar mensal de até um salário mínimo (R$ 880), sendo que a maioria (77,8%) relatou receber renda mensal entre mais de um e dois salários mínimos (R$ 881 a R$ 1.760). Observou-se ainda que 17,0% dos entrevistados declararam receber renda mensal entre R$ 1.761 e R$ 3.520. Em relação à ocupação principal, os assalariados com carteira assinada representaram 58,2% do total de entrevistados, em seguida aparecem os autônomos (20,3%), funcionários públicos (11,0%), estudantes (0,8%), aposentados e pensionistas (0,5%). Observou-se ainda que não nenhum dos consumidores entrevistados estava desempregado no momento da entrevista .
Outros números da pesquisa
– Para 84,5% dos consumidores, conseguir um novo emprego está um pouco ou muito mais difícil quando comparado ao mesmo período do ano passado.
– 95,2% dos consumidores acreditam que os preços dos produtos para o próximo mês estarão muito mais altos, quando comparados ao mês atual.







