O consumidor de Manaus aumentou o ceticismo em relação à economia, no começo deste ano. A percepção geral aponta para um congelamento das expectativas, com viés pessimista mais forte para as oportunidades de emprego e para o comportamento dos preços. A conclusão vem da análise dos dados do Índice de Confiança do Consumidor para janeiro de 2020, sondagem do Ifpeam (Instituto Fecomercio de Pesquisas Empresariais do Amazonas) divulgada nesta sexta (31).
Entre os entrevistados, 56% consideram que a situação econômica atual, quando comparada a janeiro de 2019, está um pouco ou muito pior, enquanto 39% dizem que segue igual. Para 5%, as circunstâncias estão melhores. Em relação às expectativas, o panorama é menos cinzento. Em torno de 36,3% acreditam que a economia do Amazonas estará um pouco ou muito pior em seis meses. A maioria absoluta (56%) aposta que tudo ficará na mesma, enquanto 7,7% esperam melhora.
A percepção do consumidor é fortemente lastreada por sua situação financeira familiar. A pesquisa constatou que 52,8% dos entrevistados responderam que não mudou quando comparada ao mês anterior, sendo que outros 41% ressaltam que até piorou. A faixa dos otimistas não passa de 6,2%. Em comparação com o panorama de seis meses atrás, a percepção majoritária (63,8%) é que nada mudou, seguida por aqueles que dizem que piorou pouco ou muito (28,8%) e pelos que sentiram melhora (7,4%).
As perspectivas futuras do consumidor manauense em relação à sua situação econômica familiar também apontam para a estagnação com viés de pessimismo. Entre os entrevistados, 67,8% dizem que vai seguir igual em fevereiro, 18,5% consideram que estará um pouco ou muito pior e apenas 13,7% aguardam melhora no mês do Carnaval. No médio prazo, a visão é mais animadora. Apesar de 59,5% cravarem que o cenário permanecerá inalterado, os otimistas (26,2%) superam os pessimistas (14,3%) com boa margem.
Emprego e preços
Boa parte do ceticismo pode ser empregada pelo estrangulamento do mercado de trabalho. Entre os consumidores, 94% dizem que as oportunidades de conseguir um emprego em Manaus estão um pouco ou muito mais difíceis em relação a 12 meses atrás. Apenas 4,2% acreditam que ficou mais fácil e 1,8% não viram nenhuma alteração nesse período. O panorama é pior no que se refere a expectativas para os próximos três meses. O pessimismo é dominante para 94,8%, os otimistas são apenas 4,2% e 1% não veem alteração.
Se as perspectivas do consumidor de Manaus de conseguir garantir a renda mensal se encontram fechadas, o mesmo se dá em relação a sua percepção do comportamento dos preços no varejo, a despeito dos indicadores sinalizarem refluxo da inflação, neste começo de ano. Nada menos do que 97,0% acreditam que tudo ficará um pouco ou muito mais caro no próximo mês. Apenas 2,5% apostam que os preços ficarão iguais e uma minoria de 0,5% arrisca dizer que ficarão um pouco mais baixos.
A pesquisa do Ifpeam ouviu 400 consumidores da capital amazonense. A maioria (44,3%) ganha entre pouco mais de um, até dois salários mínimos (R$ 1.040 a R$ 2.078) por mês. Para 28,5%, a renda familiar mensal não supera a barreira de um mínimo (R$ 1.039,00), enquanto 0,3% dos entrevistados declararam receber renda mensal superior a quatro mínimos (R$ 4.157).
A maioria esmagadora (53,8%) é de assalariados com carteira assinada, seguidos pelos funcionários públicos (24,8%), trabalhadores autônomos (10,0%), aposentados ou pensionistas (0,3%) e assalariados sem carteira assinada (0,3%). Vale notar que uma faixa não inferior a 10,5% dos entrevistados encontrava-se desempregada no momento da pesquisa.
Recuperação lenta
Para o assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) e coordenador da pesquisa, José Fernando Pereira da Silva, os “dados interessantes” do levantamento são a percepção majoritária de que a economia amazonense seguirá igual no semestre (56%), de que a situação familiar permaneceu inalterada (63%), e de que conseguir emprego está mais difícil (94%).
“A recuperação está vindo, mês a mês, mas em uma velocidade mais lenta do que esperado, o que influencia na piora da percepção do consumidor. Mas, é importante ressaltar que o Amazonas vem apresentando indicadores econômicos mais fortes do que a média nacional, inclusive com um saldo de empregos positivo no acumulado do ano. As medidas do governo estão tendo boa repercussão, e tudo aponta para uma melhora sustentada da economia em 2020 e nos próximos anos”, arrematou.







