Consumidor está disposto a presentear

Em: 4 de agosto de 2009
Os consumidores amazonenses ficaram menos inadimplentes e menos endividados em julho, o que levou à disposição declarada de partirem às compras no Dia dos Pais
Os consumidores amazonenses ficaram menos inadimplentes e menos endividados em julho, o que levou à disposição declarada de partirem às compras no Dia dos Pais

Os consumidores amazonenses ficaram menos inadimplentes e menos endividados em julho, o que levou à disposição declarada de partirem às compras no Dia dos Pais. A tendência foi apontada pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), segundo a qual o total de famílias endividadas durante o mês de julho baixou para 46%, depois de ter atingido 49% em junho e 52% em maio.
Os índices de inadimplência no Estado continuam apresentando tendência à redução, como mostram os dados apurados no último quadrimestre pelo estudo da Fecomercio. Em abril, 22% dos consumidores eram inadimplentes, volume que caiu para 21% em maio, em junho para 20% e fechou julho na faixa de 17%.
A cautela com os gastos nos meses anteriores não impediu a clara disposição dos consumidores locais em ir às compras no Dia dos Pais, momento em que o comércio local deve incrementar em pelo menos 5,5% a receita bruta em relação a igual período do ano passado. A Fecomercio prevê que a maioria dos consumidores locais (mais de 35%) vai optar por itens específicos para presentear, como roupas (38,3%), calçados (17,0%) e aparelhos eletrônicos (7,8%).
O total de famílias que acreditam não ter condições de pagar total ou parcialmente suas contas nos próximos meses permaneceu estável em praticamente 5% em julho, a exemplo do ocorrido no mês anterior. “O consumidor mostra-se atento aos juros altos, mais cauteloso diante do endividamento e procurando fugir da inadimplência. Já é um comportamento renovado em relação ao de cinco anos atrás”, analisou o economista da Fecomercio, José Fernando Silva.
Na opinião do diretor do Ceceam (Centro do Comércio de Importados do Amazonas), Celso Gonçalves Santos, essa sazonalidade vai permitir ao varejo um crescimento virtual entre 15% e 20% nos negócios dos setores de eletroeletrônicos, cine/foto e informática. Segundo o executivo, os laptops, câmeras digitais e os celulares são de longe os artigos importados mais procurados como opções de presentes. “Com base na comparação ano a ano de iguais períodos anteriores [11,5% no ano passado e 9,8% em 2007], podemos dizer que o empresariado varejista tem uma perspectiva otimista em relação ao Dia dos Pais deste ano, o que já nos dá uma idéia de como será o Natal”, completou.
A maior cautela do consumidor está diretamente relacionada às altas taxas de juros praticadas pelo mercado. A oferta de crédito ao consumidor encolheu, a concessão ficou mais seletiva e as taxas de juros continuam bastante elevadas afastando o consumidor das operações de crédito. Pelo menos é o que entende o professor doutor em economia pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Álvaro Smont.
Em nota, o especialista explicou que apesar da redução da taxa básica de juros (Selic), houve aumento do spread bancário, de forma que as taxas de juros atuais ao consumidor permanecem em patamares tão elevados quanto os verificados em junho e julho do ano passado, momento quando a Selic era de 12,25%, ou seja, três pontos percentuais acima da atual. “É importante destacar que a Fecomercio deixa claro na pesquisa que as duas modalidades de crédito mais caras do mercado, o cheque especial e o cartão de crédito, apresentam redução em Manaus em suas operações”, explicou.
Sobre a empregabilidade, a Fecomercio apontou ainda que a escassez de emprego se reflete na situação financeira da família, pois para 65,3% dos entrevistados a situação permanece a mesma quando comparada com o mês anterior. Já a perspectiva para os próximos seis meses é mais animadora, segundo o estudo, pois 79,6% relataram que a situação estará um pouco ou muito melhor.
Além disso, apesar da expansão de shoppings na capital, perto de 70% dos consumidores ainda preferem realizar suas compras no centro da cidade, levando em consideração principalmente os preços, as variedades de produtos e as promoções. Na avaliação do desempenho por segmento, a pesquisa observou oscilações em todos os ramos varejistas no decorrer do período estudado. “Tal avaliação é essencial para verificarmos quais os setores que sofreram maior impacto devido às transformações econômicas ocorridas e as mudanças nos hábitos de consumo”, finalizou José Fernando Silva, economista-chefe da Fecomercio.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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