Copa do Mundo fora de época demora para gerar interesse

Em: 18 de novembro de 2022

 

 

Ao contrário de outras épocas, o amazonense não demonstra tanto interesse pela Copa do Mundo que tem início neste domingo, no Catar, país do Oriente Médio. A realização do evento fora de época impacta diretamente no comércio de Manaus. Lojistas ainda se ressentem do baixo movimento nas vendas de camisas, bonés e outros acessórios temáticos utilizados pelos torcedores, avaliam expertises do setor

Hoje, a situação está bem diferente. Segundo comerciantes, os jogos do atual Mundial não estão causando tanto otimismo na capital e também em municípios do interior. Essa análise é feita com base na fraca demanda registrada no segmento, que aproveita os jogos da Copa para turbinar os negócios.

 “Comprei um bom estoque de produtos com a expectativas de vender muito. Mas parece que o Mundial realizado em novembro e dezembro não tem a mesma agitação de outras Copas”, lamenta o comerciante Adeilson Oliveira, que mantém uma loja nas adjacências do porto da capital, onde o movimento é grande. “Meu maior medo é que todos esses estoques acabem encalhando. Passada a Copa, ninguém mais vai comprar nada”, acrescentou ele.

Poucas ruas da cidade estão sendo adornadas por conta dos jogos. O amazonense, como praticamente todos os brasileiros, tem uma paixão muito grande pela seleção brasileira. No entanto, agora as partidas não motivam tantas pessoas a investir na temática dos jogos, com exceção nos arredores da Praça 14, área central da cidade, onde amantes da equipe brasileira que disputará a Copa no Oriente Médio trabalham duro enfeitando vias, colocando bandeirinhas em postes e em casas.

Mas nada se assemelha ao registrado em outros Mundiais. Para especialistas, o verde amarelo foi muito explorado politicamente nas últimas eleições brasileiras. E hoje têm uma outra conotação. “As cores passaram a seguir certas ideologias que, inclusive, geraram discórdias e violências na polarização política”, avalia o sociólogo Dailson Miranda, professor de uma faculdade particular em Manaus.

Refutando

O psicólogo Ângelo Tavares recorre, porém, ao ‘psicolês’ para expressar o sentimento de ‘desconstrução da psiquê”, refutando esse argumento. É como se todos tivessem, hoje, maior consciência do que acontece nos bastidores da política brasileira, com todas as suas estratégias e nuances para enganar o eleitor, já não tanto incauto como antes.

“Hoje, a população tem mais noção de seus direitos. E essas manifestações representam, na realidade, a sua indignação contra a corrupção que se instalou em muitos governos, desviando recursos para interesses pessoais”, diz ele. “Já fazem parte do inconsciente coletivo. Todos almejam por mudanças. Não são apenas ideologias e cores partidárias, como muitos alegam”, ressalta.

Praticamente, todos têm algo em comum –a constatação de que os jogos da Copa do Mundo fora de época impactam negativamente no lucro de um mercado bilionário. O sentimento é o mesmo em consumidores consultados. No entanto, alguns Estados registram um crescimento nas vendas, mas não tão forte como em outras épocas.

“Estamos nos dois últimos meses do ano. E há outras necessidades prementes. Devemos guardar dinheiro para as festas da época”, justifica o motorista de aplicativo Ubson Duarte, que disse preferir reservar o que ganha diariamente para pagar contas e abastecer a despensa de casa, incluindo também as despesas com aluguel. “Agora, os jogos estão em segundo plano. Eles (os jogadores) faturam milhões só para chutar uma bola”, criticou. “Temos que dar duro para sobreviver. A vida está muito difícil”, afirmou.

MARCELO PERES

Face: @marcelo.peres   Insta: @jcommercio

Marcelo Peres

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