Os gastos de estrangeiros que visitam o Brasil aumentaram em junho por conta da Copa do Mundo, que começou no último dia 13. Dados do Banco Central até o dia 18 mostram receitas de US$ 365 milhões.
De acordo com a instituição, com base nesse número, é possível projetar aumento de 24% nessas receitas neste mês em relação ao mesmo período de 2013.
A Copa também reduziu as viagens de brasileiros ao exterior nessa época do ano. As despesas com viagens internacionais somam US$ 1,105 bilhão em junho até o dia 18. A projeção do BC com base nesse dado aponta queda de 11%.
Em maio, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 2,27 bilhões e bateram recorde para o mês.
O BC também já detectou aumento nas receitas com passagens aéreas, de companhias brasileiras, compradas por estrangeiros.
“Os dados preliminares de junho apontam algum efeito da Copa. O impacto maior deve ser registrado no mês de julho, porque boa parte das despesas dos não residentes ocorre com cartão”, afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel.
Maciel afirmou também que a conta de viagens internacionais brasileira é tradicionalmente ne-gativa. Ou seja, as despesas dos brasileiros no exterior sempre superam as receitas com turistas estrangeiros no país. Disse, entretanto, que a Copa é um fator que atenua esse impacto negativo.
O BC espera ainda que a Copa contribua para melhorar essa conta no futuro. “A exposição do país neste período é um marketing considerável e que tende a influenciar positivamente as re-ceitas de turismo futuramente”, afirmou Maciel.
Exportações
O Banco Central reduziu a previsão para as exportações brasileiras em 2014 de US$ 253 bilhões para US$ 245 bilhões. A estimativa para importações também recuou, de US$ 245 bilhões para US$ 240 bilhões.
A diferença entre compras e vendas externas resultará neste ano em um superavit de US$ 5 bilhões, segundo o BC. A estimativa anterior, feita no final de março, era de US$ 8 bilhões.
Em 2013, o superavit foi de US$ 2,6 bilhões.
A instituição manteve, entretanto, a previsão para o deficit do país em conta corrente em US$ 80 bilhões. Na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto), a estimativa passou de 3,59% para 3,47%.
Apesar do resultado pior na área comercial, o BC espera gastos menores com serviços este ano -a projeção caiu de US$ 51,2 bilhões para US$ 47,6 bilhões.
Até maio, o deficit em conta corrente está em US$ 40,1 bilhões, ante US$ 39,3 bilhões no mesmo período de 2013. No mês passado, o resultado negativo foi de US$ 6,6 bilhões, pouco acima da previsão do BC (US$ 6 bilhões).
Maciel afirmou também que a redução na previsão do BC para as exportações brasileiras neste ano, de US$ 253 bilhões para US$ 245 bilhões, reflete os dados verificados nos últimos três meses, quando foi feita a projeção anterior.
Segundo ele, o preço de itens importantes da pauta de exportação, como minério de ferro, recuou. “O principal fator que foi essa perda de receita, mas já vemos alguma reação no preço de produtos como café, açúcar, carnes.”
Apesar do resultado pior na área comercial, o BC espera gastos menores com serviços este ano. Por isso, manteve a previsão para o deficit do país em conta corrente em US$ 80 bilhões. Para os Investimentos Estrangeiros Diretos em empresas brasileiras a projeção continua em US$ 63 bilhões.
Maciel afirmou que a relação entre os dois indicadores é positiva. “A parcela do deficit financiada pelo IED continua em 80%, que é o que temos observado desde o ano passado. E temos agora outros fatores de financiamento com quadro melhor, como no caso dos empréstimos de médio e longo prazo.”
O BC afirmou ainda que o deficit em conta corrente na comparação com o PIB vinha subindo desde 2011, alcançou 3,6% em agosto do ano passado e vem se mantendo estável desde então. “E a expectativa é que mantenha essa estabilidade até o fim do ano” disse Maciel.
Investimentos
O BC manteve a previsão de que os Investimentos Estrangeiros Diretos em empresas brasileiras ficarão em US$ 63 bilhões em 2014, pouco abaixo do resultado de 2013 (US$ 64 bilhões). Na comparação com o PIB, a projeção passou de 2,83% para 2,73%.
Para ações brasileiras e títulos de renda fixa no país, as previsões de entrada de recursos subi-ram. No primeiro caso, de US$ 5 bilhões para US$ 12 bilhões. No segundo, de US$ 15 bilhões para US$ 18 bilhões.







