As importações do Amazonas bateram US$ 877.18 milhões, 77,77% a mais do que os US$ 493.44 milhões registrados no mesmo mês do ano passado, segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Com isso, o saldo das compras externas do Estado no trimestre foi de US$ 2.18 bilhões no trimestre, um avanço de 56.83% em relação ao mesmo período de 2009 (US$ 1.39 bilhão).
Os números foram puxados principalmente por componentes para TVs e telas de LCD (display de cristal líquido), que apresentaram diferenças de 239,42% e 275,52, respectivamente, no comparativo de março. Quando se leva em consideração o acumulado, as diferenças chegam a 201,45% (componentes para TVs) e 385,89% (LCD).
Para o presidente do Sinaees (Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Amazonas), Wilson Périco, os números não são surpresa, em função da base do ano passado ter sido depreciada pelos efeitos do desarranjo econômico global. “No mesmo período do ano passado, estávamos no auge da crise e nossa atividade estava reduzida e repleta de incertezas. Neste ano, além de já superada a crise, temos a Copa do Mundo para aumentar a demanda por TVs, que sempre aumenta nessa situação”, justificou.
O dirigente acrescenta que a queda do preço nos aparelhos com tecnologias mais novas, a exemplo do plasma, do LCD e –mais recentemente– do LED, ajudou a turbinar as vendas do polo. Com as facilidades de acesso ao crédito a longo prazo, destaca o presidente do Sinaees, a busca por esses modelos aumentou, empurrando as vendas dos produtos à frente dos resultados alcançados pela comercialização de modelos com tubo.
Os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial, fornecidos pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) confirmam a avaliação da entidade. No primeiro bimestre do ano, a indústria amazonense fabricou 968.433 unidades de TVs LCD, 119,94% a mais do que no mesmo intervalo de 2009 (440.319). No mesmo período, a linha de produção de TVs convencionais recuou 3,57%, de 849.577 (2009) para 819.222 (2010), embora tenha permanecido em patamar elevado.
Câmbio apreciado
Aparentemente, a tendência das fábricas de TVs com LCD é de diminuição gradual nas importações de insumos, uma vez a Suframa já aprovou um projeto para produção local de displays –da Philips– e outro –da Digiboard Eletron da Amazônia Ltda– encontra-se na lista de espera. Wilson Périco, no entanto, não descarta a possibilidade de as importações, turbinadas pelo câmbio baixo, continuarem levando vantagem, apesar da opção do produto nacional. “É, sim, um risco. Isso pode acontecer, caso haja vantagem ao produtor final, ou caso o produto fique mais caro, afetando a competitividade das empresas”, ponderou.
Fábricas de componentes para duas rodas vivem crise
O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Cristovão Marques Pinto, considera que, apesar da desvantagem do câmbio apreciado, a produção local de LCDs vai sair ganhando em virtude do PPB (Processo Produtivo Básico) estabelecido para as TVs que utilizam essa tecnologia.
O mesmo não ocorre no caso das motocicletas, cujo PPB abre espaço para importação maciça de componentes para linhas de produção locais com resultado abaixo de 20 mil unidades por ano. De acordo com o dirigente, pelo menos dez empresas se encontram nessa situação.
Números do Mdic informam, no entanto, que o volume de compras externas do PIM no caso de partes e acessórios para motocicletas caiu 9,02%, de US$ 61.43 milhões (2009) para US$ 55.89 milhões (2010) no comparativo do primeiro trimestre. Quando se leva em conta apenas março, no entanto, nota-se uma tendência inversa e um avanço de 42,10% nas importações de peças, com US$ 24.57 milhões (2010) contra US$ 17.29 milhões (2009).
“O que acontece é que estão importando a moto pronta. São empresas com menos de 40 funcionários e que compram praticamente tudo de fora. Se formos ver, teremos pelo menos 100 mil unidades por ano sendo montadas no polo nessa condição. É menos emprego, consumo e arrecadação para o Amazonas”, desabafou.
O presidente da Aficam lembra que, apesar de hoje a capital amazonense estar capacitada para oferecer até 40% dos componentes da motocicleta, entre estamparia, peças plásticas o segmento enfrenta uma crise que se instalou antes mesmo do desarranjo financeiro de 2008. Empresas de fundição, por exemplo, operam atualmente com menos de 50% da capacidade instalada. Por conta disso, em 2009, duas empresas encerraram suas atividades e uma parou de produzir um determinado componente. Neste ano, uma fábrica já fechou as portas e cinco estão na iminência de fazer o mesmo.
“Queremos rever esse PPB para, pelo menos, reduzir a margem de importação para 15 mil unidades por ano”, adiantou. Cristovão Marques Pinto informou que a Aficam tem reunião marcada com a Suframa e representantes dos componentistas, no dia 4 de maio, para discutir o assunto.







