Dúvidas na sua empresa?

Em: 15 de abril de 2010
Não raro ouvimos a seguinte expressão dita por empresários: “(…) Minha empresa tem trabalhado muito
Não raro ouvimos a seguinte expressão dita por empresários: “(...) Minha empresa tem trabalhado muito

Não raro ouvimos a seguinte expressão dita por empresários: “(…) Minha empresa tem trabalhado muito. Chegamos cedo, trabalhamos de sol a sol e não consigo ver resultados. (…)”. Ou ainda: “(…) Não é possível. Tem alguém me roubando. Compramos muita matéria prima, realizamos muitas vendas. Onde está nosso lucro?”. Fora as frases feitas e as desculpas esfarrapadas de eventuais maus gestores empresariais, existe, sim, uma série de motivos para a ocorrência deste tipo de dúvidas.
Falando em maus gestores e só para exemplificar, tivemos conhecimento, certa vez, de determinado gestor que ao sair de sua sala e andar pelos corredores de sua empresa simulava estar falando ao telefone celular para evitar que seus colaboradores falassem com ele. Bem, é desse tipo de mau gestor que estou falando, mas isso é assunto para um próximo momento. Voltemos às dúvidas.
Reparem na grafia. Entre dúvidas e dívidas só temos a diferença de uma pequena letra. Muito interessante, pois temos observado que a relação entre dúvidas e dívidas é diretamente proporcional, ou seja, regra geral, quanto mais dúvidas os empresários teem sobre procedimentos, acontecimentos, pessoas, capacidades e, principalmente números de sua empresa, mais e maiores dívidas costumam pagar. Vamos montar então uma equação bastante simples e explicativa:

Mais dúvidas = Mais dívidas
Cabe explicar que estamos tratando aqui de dívidas no sentido de pagamentos, que podem ser regulares ou não, ou seja, os devidos, os indevidos e os desnecessários.
Existem muitos comportamentos empresariais que são passados de geração para geração. Um destes é o comportamento do tipo: “tenho minha empresa na palma de minha mão”. O problema é que não raro certos empresários levam a expressão ao “pé da letra” e pensam que podem anotar informações estratégicas da empresa literalmente na mão. Ledo engano. O volume de informações atualmente gerado cotidianamente por uma empresa é tão grande e tão complexo que não é mais possível ignorar a necessidade de controles efetivos, reais, oportunos e seguros para as tomadas de decisão.
Outro comportamento comumente transmitido é o que segue a seguinte filosofia: “só invisto os valores que tenho em caixa”. Aparentemente bastante prudente, só que pouco agressivo. O detalhe sobre esta filosofia, ou forma de agir, é que ela servia muito bem para mercados pouco competitivos. Atualmente, como já demonstrado cientificamente por Robert Kaplan e David Nortan, os “pais” do Balanced Scorecard, mesmo sob condições a priori, pouco promissoras, é melhor investir do que retrair, e normalmente, investimentos requerem aportes de recursos que nem sempre estão disponíveis nas empresas, de pronto. Basta observarmos os resultados das empresas mais lucrativas no último semestre e comprovaremos esta tese.
É claro, não queremos aqui enaltecer demasiadamente as fontes de crédito externas à empresa, não é isso, o que interessa é, de fato, se fazer uma muito boa avaliação de uma coisa chamada custo de oportunidade, que a economia nos ensina que é exatamente aquele valor que se deixa de ganhar por fazer um investimento e não outro. Vou exemplificar: digamos que uma empresa faça a aquisição de determinado equipamento cuja utilização propiciará um retorno líquido de 4% do capital investido, ao passo que se tivesse feito investimento em outro equipamento poderia estar “retornando”, 6%. Esta diferença, os 2%, é o que se chama de custo de oportunidade. Logicamente há que se considerar ainda o “custo do dinheiro”, ou seja, os juros pagos para o caso de tal aquisição ter sido realizada mediante um empréstimo, por exemplo. É claro, o custo de oportunidade não é um custo financeiro, mas é econômico e em um mundo altamente competitivo, até o que deixamos de ganhar, aliás, principalmente o que deixamos de ganhar interessa.
Temos ainda outro aspecto sobre as dúvidas comuns nas empresas. E este é a nosso ver decisivo. Qual seja, a falta de informações do chamado “cliente interno”. Na medida em que as pessoas, colaboradores, funcionários, ou como queiram definir, não conhecem as diretrizes, os “caminhos a seguir” e mais importante, aonde a empresa pretende chegar, estas não conseguem, naturalmente, compreender a importância das informações que produzem ou simplesmente tramitam. Vamos a um exemplo: um simples envelope que deve transitar pelos departamentos de uma empresa, pode ser esquecido em uma mesa ou setor, simplesmente porque o office boy não sabe ou percebe a importância, primeiro do seu trabalho, em segundo, do documento que está dentro do envelope, e assim, contratos são perdidos, vendas são perdidas, lucros são perdidos porque as pessoas cometem pequenos erros não por negligência, somente, mas sim, por falta da percepção da importância do que fazem e esta importância, caros empresários, é definida sempre e inicialmente pela alta administração. Reflitam sobre a palavra exemplo e não se iludam.
Por fim, nem tudo são chuvas e trovoadas no mundo empresarial, existem, profissionais que podem dar boas contribuições para minimizar estas e outras dúvidas comuns que permeiam a maioria das mentes empresariais, um deles, por exemplo, o auditor, pois, nada melhor do que sabermos que alguém poderá conferir nosso trabalho para o fazermos com perfeição, ou próximo disso, e isso sem dúvida pode levar a uma diminuição significativa no volume de dúvidas e, portanto, dívidas nas empresas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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