Coutinho defende poupança privada para financiar projetos de infraestrutura

Em: 28 de outubro de 2011
Segundo Coutinho, no caso do financiamento externo, existem riscos de impacto sobre o balanço das empresas já que elas fazem a captação dos recursos em moeda estrangeira, mas têm o faturamento em real, o que “provoca um descasamento”
Segundo Coutinho, no caso do financiamento externo, existem riscos de impacto sobre o balanço das empresas já que elas fazem a captação dos recursos em moeda estrangeira, mas têm o faturamento em real, o que “provoca um descasamento”

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, defendeu ontem que o Brasil deve ter como meta o crescimento da poupança privada em moeda nacional para financiar projetos em infraestrutura e, assim, ficar menos dependente de capital estrangeiro ou da disponibilidade de um banco de fomento como o BNDES.
“Se o mercado interno não se desenvolve ou bem vai depender do mercado externo ou bem teria que agigantar o BNDES. Como nenhuma das duas (possibilidades) é (algo) desejável, precisamos desenvolver o mercado em reais”, disse, depois do 2º Seminário sobre Financiamento de Longo Prazo, promovido em conjunto pelo BNDES e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
Segundo Coutinho, no caso do financiamento externo, existem riscos de impacto sobre o balanço das empresas já que elas fazem a captação dos recursos em moeda estrangeira, mas têm o faturamento em real, o que “provoca um descasamento”. Para ele, ao passar por um momento de crescimento sustentado da economia, com grandes chances de continuar evoluindo, o país tem de buscar a ampliação de fontes de crédito por meio de emissões de debêntures e de outros papéis no mercado financeiro. “A poupança está estacionada em papéis públicos e o desejável é que fosse em direção aos papéis privados”, defendeu.
O presidente do BNDES prevê que, no curto e médio prazo, o Copom (Comitê de Política Monetária) ainda terá de manter a taxa básica de juros, a Selic, em taxas mais elevadas como mecanismo de controle inflacionário, mas, na sua opinião, a longo prazo, os índices tendem a cair.
Em palestra no seminário, ele estimou que os investimentos brasileiros em infraestrutura deverão crescer entre 8% a 10%, incluindo melhorias em aeroportos, portos e ferrovias. Coutinho também destacou que o país deveria avançar mais em investimentos relacionados ao Plano Nacional de Banda Larga.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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