A procura por um ambiente criativo e colaborativo foi fator decisivo para a criação da cultura do cowork (trabalho compartilhado, traduzido do neologismo inglês). O barateamento de serviços como locação, internet e mobiliário também é atraente, fazendo do cowork um modelo revolucionário para pequenas empresas, profissionais liberais, freelancers e autônomos. O aspecto colaborativo dos ambientes compartilhados além de gerar relações entre os coworkers traz fornecedores e clientes para mais perto de um ambiente de trabalho criativo.
Nos coworkings, caminhar pelas áreas comuns é estar em contato com novas ideias. Por estarem em um ambiente mais leve que o das empresas tradicionais, a troca de ideias acaba sendo mais espontânea e negócios podem ser iniciados na hora do café. Ser coworker acaba se tornando em estilo de vida alternativo de empreender.
Capital empreendedora
Sendo ainda uma nova forma de pensar o ambiente de trabalho, o coworking ainda engatinha na capital amazonense, mas quem investiu no segmento, locando os espaços ou neles se abrigando, reconhece as vantagens. Para o diretor de operações da Cardume Coworking, Daniel Goettnauer, a missão do cowork é oferecer e promover novas experiências no trabalho e nos relacionamentos.
Cardume de talentos
“O Amazonas tem um ecossistema empreendedor muito promissor e os coworkings em Manaus vêm seguindo tendências mundiais de trabalho colaborativo e compartilhado”, disse Goettnauer, que vê o segmento como um reflexo do atual momento. “Em 2015, Manaus foi identificada como a pior capital para atrair investimentos. No ano anterior, fomos a mais bem cotada em cultura empreendedora. O coworking talvez venha equilibrar essas diferenças”, comenta.
Os resultados da Cardume fizeram com que a empresa buscasse um espaço próprio, já que em sua fundação a mesma estava em um smart office (pequenos escritórios com estrutura física adaptada para pequenas empresas). “Crescemos e a mudança foi necessária. Agora nós oferecemos o espaço e a Cardume tem como objetivo ser um dos atores nesse ambiente empreendedor que é Manaus”, afirma Goettnauer.
O Cardume oferece espaços a partir de R$ 350/mês por período (manhã ou tarde), e R$ 590 (integral). O coworker tem acesso a móveis (mesas + cadeiras), internet, áreas ao ar livre, piscina e de café, longe, lockers, ar-condicionado, limpeza, bicicletário, copa. Além destes, o Cardume Coworking oferece a empresas e empreendedores o endereço fiscal ou domicílio fiscal (endereço para registrar na Junta Comercial a fim de que a empresa obtenha o alvará de funcionamento) e o membership, onde o membro do clube de benefícios Cardume participa de eventos, com descontos em atividades internas e acesso aos espaços comuns.
Vila das ideias
Sócio do Vila Hub Coworking, Gustavo Jinkings enxerga no segmento a alternativa mais viável e criativa para profissionais autônomos. “Quem quer trabalhar não pode mais reclamar da falta de espaço. Os coworkings suprem essa necessidade de espaço e estrutura. Outra vantagem é estar abrigado em um ambiente colaborativo, criando um networking favorável a quem quer inovar nos negócios”, conta.
De acordo com Jinkings, o Vila Hub inova ao inovar dentro do conceito de coworking. “Pesquisamos tudo sobre. Visitamos outros coworkings, em Manaus e outras cidades como Curitiba (PR), Brasília (DF), Belém (PA) e a capital paulista. E apesar de todos terem o mesmo conceito, um nunca será igual a outro. Nós inovamos ao abrigar em nossa ‘vila’ um pub e um estúdio para gravações”, disse.
O nome escolhido para o coworking também tem seu porquê, a iniciar pela arquitetura do imóvel, obra de Severiano Porto. “Estamos em um imóvel estilo vila europeia e o conceito vila nos remete a uma comunidade, um ambiente coletivo e participativo. Nossos espaços de trabalho e ambientes comuns favorecem essa interatividade”, ressalta Jinkings.
O próprio contrato social do coworking representa a interação de talentos distintos. “Tenho como sócios Bruna Chíxaro e Carlos Baldin e cada um tem sua competência, do design ao jurídico e cada um completa com seu talento para o bom funcionamento da casa. Essa é outra ideia do coworking, apoiar talentos diversos”, finaliza Gustavo Jinkings.
Com inauguração prevista para outubro, o Vila Hub Coworking pretende unir em seus escritórios compartilhados profissionais de diferentes áreas de atuação, independentes, freelancers ou empreendedores que buscam uma solução alternativa para os home offices ou empresas tradicionais. Oferecendo internet, telefone, serviço de impressão, copa, área climatizada e endereço comercial, o Vila tem planos de coworking cotados em R$ 350 (por 50 horas ao mês, sendo 2 horas por dia), R$ 550 (100 horas mês/ 4 horas dia) e R$ 750 (R$ 150 horas mês/ 6 horas dia).
O QUÊ? Cardume Coworking
ONDE? Rua das Orquídeas, 159 – Conjunto Tiradentes – Aleixo
O QUÊ? Vila Hub Coworking
ONDE?Avenida do Sol, quadra B, casa 2 – Morada do Sol – Aleixo
O Coworking no Brasil
São Paulo possui a maior economia e população do país. Ocupar o topo da lista de regiões com maior número de espaços de coworking não é de forma alguma uma surpresa. No entanto, o Estado de São Paulo abriga sozinho 39% de todo o mercado brasileiro. Esse é um número muito expressivo que se mantém em 2016. A capital do Estado responde por 90 espaços.
Estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul viram o aumento do coworking em suas capitais, mas com especial movimentação semelhante em cidades interioranas. O crescimento reflete a diversidade de cidades que passa a ter um espaço de coworking. De todas as capitais, apenas Boa Vista (RR) ainda não possui espaços de coworking -houve um em 2013 e encerrado no ano seguinte. Fica a dica para os empreendedores de Roraima.







