Tem sido ventilado que o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o crédito para pessoas físicas que o recente “pacote” determinou levará a um aumento do custo do crédito que na prática representará mais 1,5 pontos percentuais na taxa de juros anual, o que deve reduzir a expansão do crédito.
Em bases anuais, o crédito para as famílias vem aumentando na faixa de 20% , pelos menos nos últimos 4 anos, em termos reais. Foi de 19,5% em 2004 (variação entre os meses de dezembro desse ano com relação ao anterior, descontada a inflação pelo IPCA), 29,6% em 2005, 19,8% em 2006 e 19,7% na comparação de novembro de 2007 com novembro de 2006.
Ou seja, o crescimento do crédito é, de fato, muito intenso na área das pessoas físicas, o que alguns consideram excessivo. Deve ser levado em conta, todavia, que até o ano passado podia ser considerado que as bases de referência para esses aumentos eram muito baixas, o que já não é o caso, segundo acreditamos a partir de 2007.
Essa medida terá o poder de refrear a expansão de novos financiamentos? A resposta poderia ser positiva se estivéssemos falando de condições de financiamento vigentes em padrões internacionais, onde taxas de financiamento ao consumo podem se situar em 9% ou 10% ao ano. Mas é preciso considerar que no Brasil a taxa média de financiamento para pessoas físicas é de 44,8% ao ano (dados de novembro do Banco Central), incluindo somente os financiamentos com recursos livres dos bancos.
Nessas condições, o aumento causado pelo “pacote” será pequeno.
Mas há uma razão mais importante: o principal fator que vem alimentando a evolução do crédito desde o ano de 2006, e com maior ênfase em 2007, não tem a ver tanto com juros, mas, sim com os prazos dos financiamentos que evoluíram extraordinariamente, por exemplo, na área do crédito pessoal, crédito imobiliário e crédito para aquisição de outros bens que não automóveis. A variação quanto ao prazo médio dos financiamentos chegou, considerando tão-somente os dados para 2007, a 27,1% no primeiro caso, 58,2% no segundo e 21,7% no terceiro. No caso do financiamento para compra de automóveis os prazos vêm aumentando de uma forma mais ou menos constante desde 2006, com variação de 11% a 12% a cada ano.
Reduzir prestações
Prazos mais dilatados, muito mais do que juros mais baixos vêm contribuindo para reduzir os valores das prestações e, por isso, têm sido o fator de atração dos consumidores para o crédito e o que vem permitindo que tamanha evolução dos saldos reais dos financiamentos até o momento não tenham se traduzido em maior inadimplência, o que seria de se esperar em outras épocas.
Dadas essas considerações, as medidas do “pacote” terão pouco efeito em amenizar o avanço do crédito no país, a menos que outros determinantes entrem em cena, como retração da disposição dos bancos na concessão de novos financiamentos ou mudanças na confiança dos consumidores sobre sua situação e a situação da economia.







