As fabricantes de motocicletas do PIM (Pólo Industrial de Manaus) estão atraindo novos investimentos para o segmento de embalagens. Uma das empresas que ‘pegou carona’ no aumento da produção de motos foi a A.M. Indústria e Comércio de Embalagens, que está invertendo recursos da ordem de R$ 730 mil para otimizar a fabricação de paletes e caixas de madeira utilizadas na embalagem de motocicletas.
Segundo o proprietário da empresa, Antônio Virgínio, a fábrica está produzindo de 100 a 150 caixas por dia para atender as empresas Bramont e Dafra da Amazônia. “Nosso contrato mais recente é o da Dafra, que desde o início de janeiro vem apresentando uma demanda significativa.
Começamos o ano melhor que em 2007 graças ao pólo de duas rodas e até o fim deste exercício buscamos alta de 10% nas vendas frente ao ano passado”, afirmou.
Para Antônio Virgínio, a vantagem de atender as montadoras é que todo dia as indústrias precisam comprar as embalagens. Só a Dafra, que iniciou suas operações em dezembro último, estima para 2008 uma média de produção mensal de 84 mil unidades. “Esperamos que a Dafra tenha uma boa aceitação no mercado, porque isso manteria nossas vendas aquecidas”, frisou o empresário.
Em dezembro de 2007, a A.M. recebeu do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas) a aprovação para produzir com isenção de 100% sobre o ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços). Embora só tenha obtido o incentivo há um mês, a empresa já atua no mercado há 12 anos.
No projeto apresentado ao conselho, a A.M. estimou investimentos de R$ 1,21 milhão para os próximos três anos. De acordo com Virgínio, 40% desse valor já foram aplicados na compra de maquinário, caminhão e nas instalações da empresa, que hoje possui 600 m² de área coberta.
A outra parcela dos recursos será destinada à ampliação da planta e à construção de uma estufa de secagem de madeira, com capacidade para 70 m³. “A estufa vai requerer um investimento de R$ 120 mil e é necessária para garantirmos uma madeira de maior qualidade aos clientes”, enfatizou Virgínio.
Mensalmente, a A.M. fabrica aproximadamente 2.800 caixas para motocicletas, que lhe rendem um faturamento de até R$ 140 mil. Como a produção de paletes depende de encomendas esporádicas feitas por empresas como Reflect e Ramsons, a caixa de madeira é o produto líder de vendas da empresa.
O proprietário afirmou que uma caixa pode custar de R$ 65 a R$ 80, sendo assim mais cara que o palete, cujo preço fica entre R$ 50 e R$ 60. “A caixa tem no mínimo 61 pedaços de madeira e por isso é mais trabalhosa”, justificou Virgínio.
Madeira manejada vem do interior amazonense
De acordo com Antônio, a A.M. só utiliza madeira manejada oriunda dos municípios de Itacoatiara e Manacapuru. Depois de utilizados, os resíduos de paletes são vendidos às olarias de Iranduba, que usam o pó de serra em substituição ao carvão. “Não temos um retorno alto com a venda dos resíduos. O maior benefício que proporcionamos é o ambiental”, considerou.
Na estimativa do empresário, seis empresas fabricam a embalagem de madeira para motos no Pólo Industrial de Manaus. Apesar da ‘briga’ por clientes, Virgínio garante que tem espaço para todas no mercado local.
O consumo das embalagens de madeira ainda é expressivo na indústria local, mas tem dias contados. Segundo o proprietário da A.M., como a madeira está sujeita à ação dos insetos, a tendência é que as indústrias migrem para as grades de ferro já adotadas pela Moto Honda.
Na perspectiva do empresário, a venda de caixas não vai permanecer mais do que cinco anos, até em virtude das constantes mudanças feitas na legislação ambiental. “Temos que estar atentos às oportunidades de diversificação dos produtos e olhar para outros setores, porque sabemos que o pólo de duas rodas vai deixar de embalar as motos com madeira”, ressaltou Virgínio.







