Criptomoedas são investimentos populares

Em: 15 de dezembro de 2021
Em silêncio, e rapidamente, como tudo no mundo de hoje, as criptomoedas vão tomando conta das economias do planeta.

Em silêncio, e rapidamente, como tudo no mundo de hoje, as criptomoedas vão tomando conta das economias do planeta. A mais recente novidade do mundo cripto foi El Salvador ter adotado a criptomoeda como moeda oficial do país o que, se der certo, pode começar a acontecer em vários outros países. Para falar sobre este assunto, e vários outros a respeito da moeda que ninguém vê, mas existe, o Jornal do Commercio voltou a ouvir o economista Rodrigo Pereira, graduado em Gestão de Investimento e gestor financeiro do projeto Delfos Defi. Acompanhando a tendência mundial no mundo dos negócios, Rodrigo se tornou palestrante sobre tecnologia Blockchain e criptomoedas para iniciantes.   

Jornal do Commercio: As criptomoedas estão aí mas, onde comprá-las? 

Rodrigo Pereira: Existem três formas básicas de se comprar criptomoedas. Para iniciantes eu recomendo corretoras de criptomoedas, as chamadas Cex (Corretoras Centralizadas), pois aceitam dinheiro Fiat (fiduciário) para ser trocado por criptomoedas. Para os já familiarizados, e com criptomoedas, existem as Dex (Corretoras Descentralizadas) onde se fazem trocas sem a necessidade de um gestor desse recurso, de ponta a ponta (transação anônima), e existe também o P2P (peer-to-peer, ponto a ponto, pessoa para pessoa) aonde se envia o dinheiro para certos endereços e se recebe as criptomoedas. Para iniciantes eu recomendo permanecerem nas Cex até se acostumarem com o ambiente cripto

JC: As criptomoedas rendem juros da mesma forma que a poupança?

RP: É consenso, entre nós economistas e gestores, que a poupança não é um investimento já que perde valor com o decorrer do tempo. As criptomoedas estariam mais próximas, a meu ver, com a prata. Com as criptomoedas se obtém renda passiva com juros compostos muito mais atrativos que o mercado tradicional.

JC: O ideal é investir quanto? Qual a possibilidade de se perder dinheiro com esse investimento? 

RP: A ideia de valor ideal para investimento é sempre baseada no orçamento do próprio investidor. Criptomoedas são investimentos populares e com muito pouco se consegue comprar algumas. A dica que eu dou é fatiar seu orçamento e separar entre 15% e 20% para, periodicamente, investir. A consistência é mais importante do que o valor. Todo investimento tem seu risco embutido. O risco em criptomoedas seria classificado como alto risco. Pouco recomendado para aqueles investidores mais conservadores, por conta de sua alta volatilidade, mas o risco é proporcional ao possível retorno, por isso é recomendado para investidores arrojados. Se o seu capital pode ir a zero, faço um paralelo com a Bolsa tradicional, composta por cerca de 400 empresas. Com certeza, nenhum analista vai eleger carteiras seguras com mais de 20 ações. A média fica entre oito e dez, ou seja, em todo mercado existem boas e más empresas. As criptomoedas seguem o mesmo padrão. Existem bons e maus projetos. Assim como na Bolsa, empresas ruins podem falir, maus projetos criptos também podem. 

JC: Continuam surgindo casos de pessoas que perderam dinheiro por investir em criptomoedas. Como saber se estamos investindo numa empresa confiável?

RP: Muitos se aventuram nos chamados ‘fair launch’, ou lançamento justo, projetos em iniciação, que fazem sua primeira emissão de moedas no mercado, algo semelhante ao IPO da Bolsa, porém, muitos são anônimos, sem propósito ou projeto, evidências de golpe. Nós, na Delfos, antes de fazer nosso lançamento, disponibilizamos os documentos legais do projeto, as redes sociais e currículos dos sócios e pedimos para uma plataforma renomada administrar nossa pré-venda. Para iniciantes eu recomendo que tentem sempre projetos que sigam essas regras: desenvolvedores públicos, whitepaper (documento técnico sobre o projeto) bem detalhado com valores e endereços, parceiros envolvidos e que sejam atenciosos e primorosos com seus investidores.

JC: Desde terça-feira, 7, o bitcoin é a moeda oficial de El Salvador. Isso pode ocorrer no mundo todo? Seria bom, ou ruim?

RP: Muitas particularidades de El Salvador permitem a inclusão da moeda em curso. O mais importante deles é que El Salvador já não tinha uma moeda, o país usava o dólar. A adesão das criptomoedas por, vamos chamar assim, grandes nações e PIBs depende do controle de sua volatilidade e do quanto os governos estão dispostos à educação do seu povo. Do meu ponto de vista, a forma como El Salvador adotou as criptomoedas não é interessante ao usuário final, pois o presidente do país pode ‘ligar e desligar’ as carteiras de criptomoedas do país a hora que desejar, o que fere um dos pilares do mundo cripto que é a autonomia sobre seus recursos. Sobre se a adesão do mundo seria algo bom, eu precisaria saber como pretendem fazê-lo. Pode ser muito bom ou muito ruim para o investidor cripto.

JC: O Pix afetou a movimentação financeira dos bancos. As criptomoedas podem ser o ‘tiro de misericórdia’ nessas instituições?

RP: Diferentemente da maioria dos entusiastas cripto, eu não acho que isso acontecerá. As instituições financeiras são ‘too big to fall’ (grandes demais para falir). É mais provável que se adaptem e com o tempo utilizem de seus recursos para oferecer produtos dentro do mundo cripto. Agora, no que diz respeito ao dinheiro fiduciário, esse sim eu acho que está com os dias contados.

JC: Hoje existem quantas criptomoedas? Qual a mais segura? O bitcoin?

RP: De acordo com o maior rankeador de criptomoedas do mundo, a CoinMarketCap, são cerca de 15 mil projetos cripto em andamento. Todas as criptomoedas devem, no meu entendimento, seguir quatro pilares: segurança, descentralização, imutabilidade e transparência. Qualquer projeto que obedeça esses itens é seguro, o que não significa ser um investimento lucrativo, ainda que não se trate de golpe. O bitcoin é um desses casos, outros tantos possuem as mesmas características. 

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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