Poucas vendas no primeiro semestre foram os principais fatores de queda para o Polo de Duas Rodas, um setor que tem suas principais fabricantes instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus). Os fatores culminaram em um número alarmante de demissões que, segundo a Abraciclo, ainda tendem a aumentar. A redução da empregabilidade do setor está embasada nos números divulgados pela entidade que registrou até abril último 14.004 empregados, enquanto o ano de 2015 fechou com 16.102 funcionários. Segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, se o ritmo for mantido, são grandes as chances de demissão. “O ano pode fechar com 10 mil funcionários diretos. As marcas tem se adequado para evitar que demissões aconteçam, mas o ritmo deve acabar com mais duas mil vagas até o fim do ano”, disse Fermanian.
O desemprego já vem assombrando o setor desde os primeiros meses do ano. Na Moto Honda da Amazônia, maior fabricante do polo de duas rodas em Manaus, em abril mais de 500 empregados aderiram ao PDV (Programa de Demissão Voluntária). Na Yamaha, vice-líder no setor, 1.600 funcionários aderiram ao PPE (Programa de Proteção ao Emprego).
Após o fenômeno do PDV, a ideia agora é manter os empregados, observando as demandas do mercado, conta o diretor-executivo de relações institucionais da Moto Honda da Amazônia, Paulo Takeuchi. “A produção está reduzida por conta da crise. Cessaram as demissões, mas também não contratamos mais. Estamos nos adequando ao momento econômico”, conclui.
Ainda de acordo com Takeuchi, o atual momento econômico pede parcimônia. “Não descartamos as possibilidades de voltarmos a usar o PDV, PPE, paralisação de algumas linhas de produção, menos dias trabalhados e lay-offs (suspensão temporária de contratos de trabalho). Estamos trabalhando com o que temos e dentro das variações de mercado. Se for para mantermos a empregabilidade, iremos sim usar estes artifícios”, conta o diretor.
Componentistas
Segundo Fermanian, não só os empregos diretos estão ameaçados pela crise. “Temos olhado com bastante atenção ao polo componentista que sofre por ser composto de pequenas e médias empresas, que com muito menos ‘gordura’ que as multinacionais, correm maior risco de fecharem as portas. Estamos sempre estreitando os laços como esse setor, pois a Abraciclo além de defender a indústria tem uma visão social de manter empregos”, ressalta.
Outro elo da cadeia produtiva também tem merecido a atenção da entidade, explica Fermanian. “Somos o elo que une os componentistas e as redes de concessionárias, que trabalham diretamente com o público e tem se ajustado como podem para manter os estoques em dia e vendas favoráveis”, disse. As vendas para as concessionárias, que de janeiro a junho de 2016, despencaram 31,4% em comparação ao mesmo período do ano passado, estão elencadas pela Abraciclo como um dos fatores que causaram a queda da produção.
Segundo o gerente comercial da Canopus, Frank Lima, existe mesmo essa queda, mas há algo no mercado amazonense que o difere do resto país. “Ainda conseguimos algumas vendas, pois as motos são como necessidade. Alguns modelos têm peças numeradas para segurança, o que encarece, mas é um custo que muitos fazem questão de pagar por segurança e Manaus trem uma grande relação com as duas rodas”, afirma.
Mesmo em baixa essa relação entre o amazonense e as motos foi lembrada pela entidade. “São 14 motocicletas por habitante, em 2005 chegamos a 44 moto/habitante e o Amazonas sempre foi num dos nossos maiores consumidores internos. São essas vendas que têm ajudado o setor a se manter estável. O que nos faz investir mais em novas tecnologias e segurança”, disse Fermanian que citou como prova desses investimentos, o lançamento de 20 novos modelos no semestre.
Ainda assim, o fantasma do desemprego também ronda as concessionárias. de acordo com Lima, as vendas são constantes, mas não tanto quanto antes. “Em outras épocas vendemos muito mais. Colaboradores nossos que batiam metas de 45, 50 motos mensais, hoje estão em 20 motos. O momento de crise geral acaba em uma reação em cadeia, se o consumidor final não compra e a concessionária idem, acaba afetando na produção” disse o gerente.
Exportações em alta
Refletindo a recuperação da Argentina, as exportações seguiram o caminho inverso, somando 31.134 unidades entre janeiro e junho, alta de 70,7% em relação ao mesmo período do ano passado, com 18.241. Em junho foram comercializadas 7.657 motocicletas, o que corresponde a um crescimento de 36,6% ante a maio e 39,8% em comparação com o sexto mês do ano passado.
Escritório em Manaus
Na coletiva de imprensa sobre o setor, o diretor-executivo da Abraciclo, José Eduardo Gonçalves anunciou para breve a abertura de um escritório da entidade em Manaus. Os estudos para a abertura da unidade já estão bastante avançados. Já temos escritórios em Brasília e São Paulo, mas por termos nossa produção majoritariamente em Manaus, agora aos 40 anos da Abraciclo estamos estreitando as relações com os fabricantes’, disse Gonçalves.-






