Crise do grupo afetou reputação do país

Em: 1 de outubro de 2013
Constatação é do ministro da Fazenda Guido mantega, Empresas podem pedir recuperação judicial
Constatação é do ministro da Fazenda Guido mantega, Empresas podem pedir recuperação judicial

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que a crise das empresas do grupo X, do empresário Eike Batista, continua atrapalhando o desempenho da economia brasileira.
A declaração foi feita em evento na FGV (Fundação Getúlio Vargas) para discutir o crescimento do país.
“Isso continua atrapalhando o desempenho da economia brasileira, que na Bolsa é muito boa. Mas claro que você pode ter uma empresa que não tenha desempenho suficiente e nos atrapalhe”, disse ele.
Segundo ele, a deterioração na Bolsa já ocorreu, com a queda de valor de 10% no índice por causa dessas empresas. “É uma solução de mercado. Espero que eles consigam se ajeitar o mais rápido possível”, afirmou ele.
Desde o final do ano passado, as empresas de Eike enfrentam crise de credibilidade do mercado e perda no valor das ações. Depois de bater recordes de captação na Bolsa, a principal operação da petroleira OGX no campo de Tubarão Azul foi revista e a meta de produzir 50 mil barris diários foi deixada de lado.
A crise também conta com problemas na transparência da situação do grupo e a demora para avisar ao mercado sobre a real situação das empresas.

Calote

A OGX está planejando não pagar juros no valor de US$ 44,5 milhões de um bônus que vence nesta terça-feira (1°), afirmou uma fonte. O calote dos juros já é amplamente esperado pelo mercado. A empresa tem US$ 3,6 bilhões em bônus em circulação, e o default total da companhia será o maior já feito por uma empresa latino-americana. O recorde é detido atualmente pelo Banco de Galicia y Buenos Aires S.A., da Argentina, que não pagou uma dívida de US$ 1,9 bilhão em 2012, de acordo com um relatório da Moody’s Investors.
A companhia contratou consultores financeiros para reestruturar sua dívida, que inclui US$ 1,06 bilhão em bônus que vencem em 2022, e US$ 2,6 bilhões em bônus com vencimento em 2018. O pagamento dessa terça-feira é dos juros sobre bônus para 2022, enquanto os bônus para 2018 têm um pagamento de cupom que vence em dezembro.
A companhia planeja pular a data do pagamento dos juros na terça-feira e aproveitar o período de carência para concluir negociações sobre a reestruturação da dívida, afirmou a fonte. De acordo com as regras estabelecidas no prospecto para o bônus, após o calote do pagamento dos juros, a OGX ainda tem 30 dias para “sanar” o problema antes de sofrer qualquer punição.
A OGX e a companhia de construção naval OSX, controladas por Eike, entrarão com pedidos de recuperação judicial nas próximas duas semanas, segundo a revista “Veja” informou anteontem.
Na sexta-feira, a Folha de S.Paulo informou que as negociações com os credores da OGX estão complicadas e a empresa caminha rapidamente para a recuperação judicial.
A recuperação judicial depende da malasiana Petronas, que havia se comprometido a comprar uma fatia em um campo de petróleo, mas desistiu.
A OGX deve US$ 3,6 bilhões em títulos no exterior e US$ 900 milhões à OSX, referentes a indenização pelo cancelamento das encomendas de plataformas de petróleo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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