Há dois anos em Manaus, o cônsul-geral do Japão, Masahiro Ogino, tem por hábito oferecer almoços e jantares, em sua residência, para formadores de opinião a fim de transmitir informações a respeito do Japão, principalmente sobre cultura, hábitos e a gastronomia nipônica. No final da semana passada Masahiro Ogino prestigiou o Jungle Matsuri (Festival da Floresta) e o Bon Odori, festividade de verão que serve para consolar os espíritos dos falecidos, que aconteceu no dia 5 e volta a ser realizado nos dias 19 e 26. Nessa entrevista ao Jornal do Commercio, o cônsul-geral direcionou seu conhecimento a respeito da culinária de seu país.
Quando se fala em comida japonesa, logo pensamos no sushi, aquela peça ‘enroladinha’, com tiras de arroz compactadas cobrindo um pedaço de peixe cru e vários outros ingredientes, enrolado por um pedaço de nori, uma alga marinha. Masahiro pensa diferente.
“Acredito que nosso prato mais popular, no Brasil, seja a yakisoba. O sushi também é conhecido, mas o lámen é bem apreciado hoje em dia. O sushi é popular não apenas em Manaus, mas em todo o mundo, pois é um prato saudável. Outra razão para sua popularidade pode ser o fato de que cada região no mundo usa seus próprios ingredientes, o que facilita ganhar admiradores. No geral, a comida japonesa tornou-se conhecida em todo o mundo, e em Manaus não foi diferente”, disse.
Assim como em Manaus sabemos o tempo das frutas quando elas aparecem nas feiras, no Japão não é diferente.
“De norte a sul, cada região do Japão tem um clima diferente e bastante variável de acordo com as quatro estações. Dependendo da região e da estação, as frutas também mudam. Você pode sentir as estações do ano observando as frutas nas lojas: tangerinas no inverno; morangos na primavera; melancias, peras, uvas, melões e pêssegos no verão; e caquis no outono”, listou.

Salmão e atum
A refeição japonesa é um ritual do começo ao fim, e esse ritual tem até nome. É a culinária kaiseki, uma refeição servida aos monges zen-budistas com chá.
“Nas refeições cotidianas, porém, feitas em casa, normalmente é servido arroz, sopa de missô (tempero feito a partir da fermentação de soja e sal) e vários pratos principais como carne ou peixe e legumes, tudo junto”, explicou.
Bem diferente de nosso tambaqui assado, filé de pirarucu e caldeirada de tucunaré, no Japão o peixe mais consumido é o salmão, seguido pelo atum, preparados como bem conhecemos aqui, no sushi e no sashimi. Diferente do sushi, o sashimi é servido fatiado, em pequenos pedaços, acompanhado por algum tipo de molho, e guarnições simples como shiso e raiz de daikon fatiada.
Um ingrediente que aparece bastante em muitos pratos japoneses mais como um coadjuvante, é a soja, o que comprova o cônsul-geral.
“Sim, a soja é usada apenas em molhos e temperos, como o missô, e não tanto na culinária propriamente dita. Os japoneses se alimentam bastante de legumes. Os primeiros imigrantes japoneses que vieram para a Amazônia cultivavam vários legumes e, além de vendê-los aos brasileiros, os ensinavam a cultivá-los e prepará-los”, lembrou.


Arroz faz sucesso
Em muitos filmes vemos japoneses comendo arroz e Masahiro Ogino confirma que esse legume tão apreciado no Brasil, acompanhado pelo feijão, também é um item forte na culinária do Japão.
“Com certeza o arroz é o principal ingrediente da comida japonesa. Ele é cultivado em várias regiões do Japão e recentemente começou a ser exportado para o mundo todo por ser muito saboroso. Na recepção da celebração do aniversário do imperador Naruhito, em 23 de fevereiro deste ano, num grande evento organizado e realizado pelo consulado-geral, em Manaus, servimos onigiris, bolinhos de arroz, que foram bem recebidos pelos convidados”, revelou.
Sobre as sopas e chás sempre presentes nas refeições japonesas, Masahiro Ogino confirmou que a sopa de missô e o chá verde são servidos juntos em muitas refeições.
“O chá verde é muito popular entre os idosos e os jovens. As máquinas de venda automática estão por toda parte no Japão. Se pode beber chá verde em latas, ou garrafas pet, em qualquer lugar”, esclareceu.
No Brasil tomamos o café da manhã, almoçamos, lanchamos e jantamos. Os japoneses parecem ter esse mesmo hábito. Só mudam, e muito, os alimentos.
“Os lanches dependem da pessoa. Algumas pessoas comem arroz no café da manhã, outras comem pão. Meus pais sempre comeram arroz, mas a minha preferência é o pão. Como o jantar é a nossa principal refeição do dia, acho que a maioria dos japoneses come arroz nessa última refeição”, concluiu.
Se no Japão a bebida alcoólica quente mais apreciada é o saquê, no Brasil a caipirinha é imbatível, e bastante apreciada por estrangeiros.
“Já tomei caipirinha e achei muito saborosa, porém, forte. No Brasil parece ser consumida sempre. No Japão temos o hábito de beber o atsukan (saquê quente), no inverno, quando cai a neve”, finalizou.
Para saber mais
Bon Odori
– Dia 19, sábado, às 19h, na sede da Associação Cultural Sol Nascente, rodovia AM 070, km 41, Iranduba;
– Dia 26, sábado, às 19h, no Manaus Country Club, rua Waldemar Jardim, Jardim Maués, 3.000 – Novo Aleixo.
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