As dificuldades para superação do analfabetismo em todo país se relacionam a motivos diversos. No Amazonas, por exemplo, onde a taxa de 7,8% de analfabetismo é a segunda menor da Região Norte (perdendo apenas para o Amapá), as principais reclamações da população se referem à insuficiência do número de escolas para suprir a demanda de alunos, tanto no nível fundamental quanto no nível médio.
A esse problema se soma a dificuldade de reunir alunos em áreas centrais de estudo devido a distância entre as inúmeras comunidades ribeirinhas e indígenas e a falta de estrutura educacional nessas áreas, como a pouca disponibilidade de professores qualificados.
Para tentar evitar, sobretudo no interior, o aumento do índice de pessoas que não sabem ler nem escrever, o governo estadual implantou, em maio de 2003, o programa Reescrevendo o Futuro voltado para a alfabetização de jovens acima de 15 anos e adultos no Amazonas.
O curso de alfabetização é oferecido nos 62 municípios amazonenses e é realizado, ao longo de seis meses, uma vez por semana, geralmente aos sábados e, eventualmente, em feriados.
Transporte de ida para as escolas e retorno para casa, lanche, almoço e material educacional são custeados pelo programa.
Em menos de seis anos, o Reescrevendo o Futuro conseguiu alfabetizar quase 151 mil pessoas, incluindo 5.539 indígenas de 34 etnias, em 21 municípios.
O programa registra um índice de aproveitamento de 73% (alunos alfabetizados) e evasão de 7%. Cerca de 20% dos alunos do programa não conseguem ser alfabetizados.
Iniciativa de sucesso
O sucesso da iniciativa vai render em 2009 para o Amazonas um reconhecimento nacional. Do total de municípios do Estado, 44 receberão do MEC (Ministério da Educação) o selo de Município Livre do Analfabetismo, conferido aos que atingem mais de 96% de alfabetização, com base nos dados do Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2000.
Além disso, 18 municípios receberão o selo de Município Alfabetizador, entregue a cidades com menos de 4% de analfabetos. O problema já foi totalmente erradicado nas zonas urbanas de 37 municípios.
Apesar dos resultados positivos, a coordenadora do programa, Nazaré Correa, avalia que ainda existem muitos desafios.
Segundo ela, ainda há dificuldades para reunir os alunos no Estado para estudar. Cada um recebe, por mês, um auxílio de R$ 30, como incentivo aos estudos e recompensa pelo dia perdido de trabalho.







