O custo da construção civil no Amazonas voltou a aumentar, na passagem de setembro para outubro, mas desacelerou. O indicador pontuou 0,74% de expansão na variação mensal, em alta mais amena que a anterior (+3,11%). O dado perdeu para o número brasileiro (+1,01%) e para a inflação do período (+1,25%). Com isso, o valor do metro quadrado no Estado passou de R$ 1.417,92 (setembro) para R$ 1.428,45 (outubro). É o que revela o Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), divulgado pelo IBGE, nesta quarta (10).
Diferente do ocorrido no ponto fora da curva registrado em setembro, o aumento no custo local da atividade voltou a ser puxado pelos dispêndios com materiais, que passou de R$ 867,90 para R$ 878,43, entre setembro e outubro, uma diferença de 1,21% – acima dos 0,47% de setembro. Já o passivo das construtoras amazonenses com mão de obra – que havia subido 7% em setembro – se manteve estável em R$ 550,02. Em dez meses, o Sinapi do Amazonas já acumula expansão de 12,54%, ao saltar de R$ 1.297,97 (janeiro) para R$ 1.428,45 (outubro). Na variação anualizada, já avançou 16,63%.
O incremento mensal do Sinapi do Amazonas ficou aquém da inflação oficial, na variação mensal, conforme o mesmo IBGE. Pressionado novamente pelo aumento dos combustíveis, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 1,25%, em outubro, acelerando ante setembro (+1,16%). Foi o maior percentual para o mês desde 2002 (+1,31%). Mas, a diferença entre o indicador da construção civil e o IPCA segue com vantagem para o primeiro no acumulado do ano (+12,54% contra +8,24%, na ordem) e no aglutinado dos últimos 12 meses (+16,63% contra +10,67%).
O aumento na variação mensal (+0,74%) fez o Estado despencar do segundo para o 18º lugar do ranking nacional de maiores altas percentuais, além ficar abaixo da média brasileira (+1,01%). Pará (+4,61%), Acre (+1,67%) e Roraima (+1,52%) registraram os valores mais elevados. Em contrapartida, Rio Grande do Sul (+0,14%), Maranhão (+0,40%) e Paraná (+0,54%) figuraram nas últimas posições. No acumulado do ano, o Estado (+12,54%) também perdeu para o dado nacional (+16,79%) e ficou na 22ª colocação. Mato Grosso do Sul (+22,15%) e Amapá (+10,95%) ficaram nos extremos da lista.
Abaixo da média
Mesmo com a alta renovada, o custo por metro quadrado no Amazonas (R$ 1.428,45) segue bem abaixo da média nacional (R$ 1.490,88). E, a despeito do aumento no Sinapi abaixo do dado brasileiro, o Estado se manteve na 17ª colocação, entre os maiores valores do país. Santa Catarina (R$ 1.695,78), Rio de Janeiro (R$ 1.643,26) e São Paulo (R$ 1.584,37) seguiram no pódio. Os valores mais baixos, por outro lado, ainda se situaram em Rio Grande do Norte (R$ 1.303,56), Sergipe (R$ 1.320,86) e Alagoas (R$ 1.341,20).
Com a estagnação de outubro, o custo de mão-de-obra da construção do Amazonas (R$ 550,02) ainda permaneceu como um dos mais baixos do país, mantendo-se inferior ao da média nacional (R$ 602,43), além de cair da 15ª para a 17ª posição do ranking brasileiro. Santa Catarina (R$ 790,86), Rio de Janeiro (R$ 724,65) e Paraná (R$ 698,06) ainda representam os maiores valores. Em contraste, Sergipe (R$ 464,49), Alagoas (R$ 482,65) e Rio Grande do Norte (R$ 491,35) seguem no fim da fila.
Apesar da alta reforçada no custo de materiais para a construção civil (+1,21%), o Amazonas (R$ 878,43) conseguiu se segurar na 15ª posição do ranking nacional do IBGE, ficando igualmente aquém do número brasileiro (R$ 888,45). Os maiores números se situaram no Acre (R$ 975,47), Distrito Federal (R$ 949,04) e Tocantins (R$ 948,73). No outro extremo, Rio Grande do Norte (R$ 812,21), Espírito Santo (R$ 826,25) e Pernambuco (R$ 834,76) ficaram com os menores números.
Acordos e materiais
Vale notar que a região Norte (+2,57%) foi a que obteve a maior variação em todo o país, graças a altas significativas observadas na parcela dos materiais em todos os Estados. Mas, o principal diferencial veio do acordo coletivo celebrado no Pará, que apresentou a maior variação mensal, chegando a 4,61%. Na sequência, vieram as regiões Centro-Oeste(+1,22%), Sudeste (+1,06%), Nordeste (+0,67%) e Sul (+0,45%).
Em texto divulgado pela Agência de Notícias IBGE, o gerente do Sinapi, Augusto Oliveira, reforçou que, em âmbito nacional, a parcela dos materiais também é a verdadeira responsável pela elevação do indicador, uma vez que não estaria havendo movimentação significativa na mão de obra, à exceção dos acordos coletivos homologados. “Ainda estamos em um momento em que as taxas dos últimos meses [para a mão de obra] parecem baixas diante do avanço percebido desde agosto do ano passado. Mas, quando comparadas com a série histórica, podem ser consideradas altas”, ressaltou.
O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Amazonas), Frank Souza, já havia apontado, em entrevistas anteriores ao Jornal do Commercio, que o descolamento entre os custos dos materiais e da mão de obra na composição do preço do metro quadrado local indicava uma vantagem de 63% sobre 37%, respectivamente. O dirigente também havia apontado que, mediante a escalada da Selic, a tendência era de uma acomodação nos índices de aumentos dos insumos.
Frank Souza salientou que, a despeito da continuidade dos aumentos dos preços de materiais, os preços já apresentavam desaceleração, especialmente em “capitais de maior porte”, o que apontaria para uma bem vinda tendência de estabilização, nos próximos meses. O jogo de gato e rato entre IPCA e juros básicos, contudo, ainda preocupa o setor. “O ponto negativo é que o custo ainda está acima da inflação, fator que já está corroendo o salário do interessado em comprar imóveis. E isso puxa a taxa Selic para cima, encarecendo a prestação para o comprador”, encerrou.







